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    18/10/2011

    Em MS, fiéis que recusam transfusão buscam alternativas de tratamento


    Testemunhas de Jeová não aceitam sangue devido a interpretação bíblica.
    Equipamento de autotransfusão funciona como filtro de sangue do paciente.


    Modelo de máquina de autotransfusão que será
    usado em MS 
    Uma mulher de 55 anos, adepta da igreja Testemunhas de Jeová e que mora em Campo Grande, aguarda vaga na Santa Casa para fazer uma neurocirurgia depois de ter sofrido acidente vascular cerebral (AVC) em 10 de setembro. Como a religião dela não aceita que sejam feitas transfusões de sangue devido a uma interpretação da Bíblia, familiares e amigos da paciente mobilizaram-se para trazer ao hospital uma máquina de autotransfusão.

    O equipamento é fabricado na Itália e funciona como um filtro. O sangue do paciente, que normalmente seria desperdiçado durante a operação, é aspirado pela máquina, passando por um processo de filtragem, como explica a biomédica paulista Paula Frutuoso.


    "É uma espécie de centrífuga que separa as partes de acordo com o peso molecular, restando apenas o concentrado de hemácias. Esse concentrado é lavado para retirada de impurezas e, em seguida, sobe para uma bolsa de infusão", disse ao G1.

    A biomédica afirma que o procedimento não é restrito a pacientes religiosos, podendo ser largamente empregado em centros cirúrgicos. As vantagens da autotransfusão, segundo Paula, são a ausência do risco de rejeição e a economia de sangue e dinheiro. "Cada bolsa de concentrado de hemácias pode custar de R$ 200 a 300, e são usadas no mínimo duas a cada cirurgia", conta. Apesar dos benefícios, há restrições em casos de cirurgia intestinal e de tumores, quando o risco de contaminação é elevado.

    Com fé e sem fatores de risco

    O advogado e filho da paciente, Fábio Coutinho, de 24 anos, conta que a mãe precisou ficar internada por mais tempo para recuperar-se de um quadro de anemia crônica. Ele reconhece o papel da fé no processo de recuperação, mas afirma que o quadro clínico é mais importante.

    "Ela está sem fatores de risco. Não fuma, não tem diabetes, nem pressão alta. Esperamos que ela se recupere bem e possa voltar para casa", diz Fábio. A cirurgia da mãe do advogado estava prevista para terça-feira (18), mas teve de ser adiada. A mulher segue internada no hospital.


    Jorge Feitosa Filho é voluntário em grupo que troca
    informações médicas
    Propagando informação

    De acordo com médicos que atuam em Campo Grande, não há máquinas de autotransfusão disponíveis nos principais hospitais que atendem a rede pública de saúde. O equipamento foi trazido com a ajuda de um grupo de estudiosos, ligados à congregação, que dedica-se a encontrar alternativas de tratamento que não entrem em contradição com suas convicções religiosas.

    Jorge Caldas Feitosa Filho, que é voluntário na Comissão de Ligação com Hospitais (Colih), conta que a proposta do grupo é pesquisar em artigos e publicações e entrar em contato com médicos, para compartilhar conhecimento sobre novos tratamentos. "Não queremos gerar sabedoria só para o nosso grupo. A população precisa saber que existem alternativas", afirma.

    Fonte: g1
    Por: Hélder Rafael - Do G1 MS
    Foto: Hélder Rafael/G1 MS