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    quinta-feira, 19 de outubro de 2017

    ARTIGO| O cenário eleitoral no Brasil para 2018

    Por: Victória Ângelo Bacon*
    As mudanças institucionais que foram aprovadas pelo Congresso Nacional e deram à Polícia Federal e ao Ministério Público os instrumentos para realizar com eficiência as suas missões, revelaram-se importantes para a desmontagem dos incestos entre “políticos” do Executivo e do Legislativo com grandes organizações do setor privado. 

    Obviamente foi a operação Lava Jato que mudou o pensamento de milhões de eleitores em relação a seus representantes. Claro que o peso das manchetes que navegam pelas redes sociais será usado em 2018 contra aqueles que configuraram nas denúncias dessa tão importante fase da história da nossa República.

    Nunca mais o Brasil será o mesmo depois da Lava Jato. Causou, talvez, alguns inconvenientes de curto prazo, mas abriu uma ampla avenida de cooperação legítima e ética entre o Estado e o setor privado, num jogo cuja soma, a experiência mostra, é positiva. Mesmo que não seja o resultado que milhões de brasileiros esperam a Lava Jato influenciará no resultado das eleições em 2018.

    Propostas radicais vindas de políticos radicais sabemos que não frutificaram. Será que Bolsonaro conseguiria fazer as reformas necessárias (da ética até a previdenciária) passando pela eleitoral sem os acordos de “cavalheiro” oriundas nos muros do Palácio do Planalto? Claro que não. 

    A situação econômica está melhorando lentamente, graças às medidas tomadas pelo governo Temer. Até seus críticos mais ferozes têm dificuldade crescente de negar esse fato. Mesmo com esse resultado caminhando positivamente o governo Temer amargura resultados de aprovação de 3%. Por que isso ocorre? Porque a população cansou-se de tantos escândalos envolvendo o nome do presidente. A carência é ética e não de dinheiro.

    A grande pergunta é: por que tanta preocupação com um resultado positivo do governo Temer, apesar da pouca popularidade, da selvagem oposição ideológica de alguns e da pouca inteligência e sensibilidade de outros, cujos partidos estão “na base”? A resposta é: porque ela poderá ser um fator decisivo na escolha do próximo presidente, em outubro de 2018.

    Tudo indica que, nas eleições, teremos pelo menos uma dúzia de candidatos. Sem um centro atrator, a dispersão de votos abre uma possibilidade surpreendente: o eleito será o resultado aleatório de um lance de um “dado com 12 faces”. No segundo turno, poderemos ter de escolher, aleatoriamente, entre dois candidatos igualmente imprestáveis, mas beneficiados pela sorte.

    O descrédito dos políticos, gerado pelo primitivo oportunismo eleitoral, transformar-se-á no descrédito da política e sugerirá “salvadores da pátria” como solução. 

    Nunca na história desse país do mais humilde ao mais abastado economicamente, do morador da favela ao bairro nobre instigou comentários nas redes sociais quando se envolve escândalos de parlamentares. A renovação ocorrerá na proporção que a grande massa da população desejar. Teremos sim renovação na política, por isso muitos estão perdendo agora para ganhar lá na frente. Não teremos “salvador da pátria” porque nosso país está engessado numa crise de valores. O discurso de “salvador da pátria” só salva a campanha daquele que o profere.

    *Secretária Executiva e Jornalista - Porto Velho-RO


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