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    segunda-feira, 24 de julho de 2017

    Sitiantes ficam feridos após confronto com índios em tentativa de invasão

    Morador está internado após golpe de foice no braço; também houve confronto de invasores com índios contrários às ocupações

    Sitiante de 58 anos sofreu ferimento na cabeça durante confronto com índios (Foto: Adilson Domingos)
    Em nova tentativa para ampliar as invasões de pequenas propriedades localizadas na região norte de Dourados, a 233 km de Campo Grande, índios entraram em confronto com donos de um sítio na margem do anel viário que separa a cidade da reserva indígena. Dois moradores ficaram feridos.


    Índios contrários às invasões protegem sítio onde ocorreu confronto
    (Foto: Direto das Ruas)
    O confronto ocorreu na tarde de ontem (23) na Chácara Morada do Sol, vizinha de outros sítios que estão ocupados pelos índios desde março do ano passado.

    O proprietário da chácara, Antonio Carlos de Carvalho, 58, sofreu ferimentos na cabeça e o genro dele, Carlos Heleno de Almeida, 31, levou um golpe de foice no braço esquerdo e está hospitalizado.

    Na manhã de hoje, o sitiante procurou a delegacia da Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência. Segundo ele, pelo menos 15 índios armados com foices e facões entraram na chácara. Em vídeo abaixo, ele narra como foi a tentativa de invasão.

    Os proprietários tentaram impedir a ocupação e foram feridos no confronto. Segundo Antonio Carlos, índios da aldeia Bororó, liderados pelo capitão Silvano, saíram em defesa dos moradores da chácara para impedir a invasão e o grupo deixou o local.


    Morador levou golpe de foice no braço e está internado
     (Foto: Direto das Ruas)
    Outros moradores contaram que também teve confronto entre o grupo que tentou invadir a chácara e os índios da aldeia Bororó, que são contrários às invasões.

    “Fomos tirar uns paus que iam usar para fazer barracos no fundo do nosso sítio. Uns 20 índios com foices, facões e pedaços de pau cercaram meu cunhado e meu. Eu fui cercado por três índios e fui atingido com golpe de foice no braço. Meu cunhado e meu sogro estão feridos também, mas ferimentos leves”, contou Carlos Heleno ao Campo Grande News, que ainda está hospitalizado.

    Sem polícia – Moradores relataram à reportagem que durante a tentativa de invasão, na tarde de ontem, procuraram a Polícia Militar e uma equipe da Força Tática foi ao local, mas os policiais teriam se retirado em seguida alegando que não podem interferir em conflitos por terra envolvendo índios.

    “Conseguimos falar na delegacia da Polícia Federal e nos informaram que mandariam uma equipe, mas para isso precisavam do apoio da PM porque a PF tem pouco efetivo”, contou um morador.

    No STF – Em março, um ano após as primeiras invasões, a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, cancelou derrubou liminar TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, em São Paulo, e suspendeu o despejo dos índios.

    Os donos de cinco propriedades invadidas entraram com recurso no próprio STF e aguardam outro ministro avaliar o pedido que tenta reverter a ordem da presidente da Corte.

    A Funai afirma que a reserva indígena de Dourados, apesar de demarcada e registrada há cem anos, é alvo constante de esbulho por parte de fazendeiros e do governo federal, “que avançam sobre as áreas demarcadas”.

    No recurso contra a reintegração, advogados da Funai e o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida sustentam que a área de terras ocupada pelos índios seria extensão da reserva, pois dos 3.600 hectares da área indígena criada em 1917, apenas 3.539 foram registrados no cartório de imóveis, 49 anos depois.

    Levantamento feito pela Funai em 2013 aponta que a reserva conta com 3.515 hectares, ou seja, 85 hectares a menos do que o tamanho total definido no século passado. Por esse motivo, segundo o recurso da Funai e do MPF, os índios não podem ser despejados dos sítios até a realização de perícia topográfica, para saber quais são os “reais marcos da reserva”.


    Fonte: campograndenews
    por: Helio de Freitas, de Dourados
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