Campo Grande (MS),

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    sábado, 26 de novembro de 2016

    Assassino que aterrorizava bairro tem medo de sangue e fixação por orgias

    Nando é apontado como responsável pela execução de 12 pessoas

    Luiz Fernando Alves Martins Filho, 49 anos, o Nando - Divulgação

    A descoberta de esquema de tráfico de drogas e exploração sexual de menores no Bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, trouxe à tona como figura central assassino que aterrorizava região. Líder de grupo de extermínio, Luiz Fernando Alves Martins Filho, 49 anos, o Nando, é apontado pela Polícia Civil como o responsável direto pela execução de 12 pessoas e sumiço de outras. As vítimas eram, em sua maioria, usuários de drogas autores de pequenos furtos naquela região.

    Tomado pelo prazer em matar, se projetava como justiceiro a serviço da população ao eliminar o que considerava como “doenças do bairro”. O silêncio dos moradores, que na verdade estavam apavorados com a onda de mortes, fazia com o que o homicida acreditasse cada vez mais estar fazendo a coisa certa. Tanto que passou cinco anos, entre 2012 e 2016, sem ser incomodado pelas forças policias, graças, também, à imposição do medo, o que o acobertava.

    Apesar de não gostar de usuários, era ele quem fornecia entorpecentes e viciava moradores para depois condená-los, abusando da situação de miséria de alguns. De comportamento frio, só matava por estrangulamento, porque tinha medo de ver sangue, consequência do trauma de ter visto a mãe sendo assassinada a facadas ainda quando criança. Após fato consumado, enterrava as vítimas em um cemitério clandestino no Jardim Veraneio, onde sete foram encontradas após escavações.

    Segundo a delegada Aline Sinnott Lopes, responsável por investigar o caso por meio da Delegacia de Atendimento à Infância e à Juventude (Deaij), embora ainda não haja laudo médico atestando Nando como psicopata ele preenche requisitos tais como, modo padronizado de agir, sadismo sexual, fixação por orgias, complexos existências em razão da disfunção erétil, vida dupla e crença em que estava fazendo algo de bom, além do desejo em ver o sofrimento das vítimas.

    “Nando era frio, calculista, inteligente e tinha prazer em matar. Tanto que ao longo dos anos, manipulou um bairro inteiro. Descobrimos também que costumava ir diariamente para o cemitério em que enterrava as vítimas, para ficar contemplando as covas. Motivado pela pré-disposição ao crime, via a morte como solução para tudo”, disse a delegada na manhã de ontem, durante coletiva de imprensa no auditório a Academia de Polícia Civil (Acadepol).

    O poder de persuasão fez com que Nando arrebanhasse outras pessoas para ajudá-lo, incluindo parentes. Entre seus principais comparsas, todos presos, estão Ariane de Souza Gonçalves, 19 anos, Talita Regina de Souza, 21 anos, Wagner Vieira Garcia, 24 anos, Jean Marlon Dias Domingues (primo), 20 anos, e Michel Henrique Vilela Vieira (sobrinho), 21 anos. As mulheres ajudavam a atrair as vítimas e os homens na execução e ocultação dos cadáveres.

    Ao todo, após início da Operação Danúbio Livre, deflagrada no último dia 10, 17 pessoas foram presas, sendo que nove foram soltas ontem, por envolvimento menor no esquema. Três delas, autuadas em flagrante por tráfico e maus-tratos a animais. As outras nove foram soltas ontem à tarde. “O trabalho da polícia vai continuar para pacificarmos a região”, disse José Carlos Barbosa, secretário estadual de Justiça e Segurança Pública.

    O bando responde por tráfico de drogas, associação criminosa, exploração sexual de menores, porte ilegal de arma de fogo, maus-tratos a animais e ocultação de cadáver.

    ESQUEMA

    Nando coordenava esquema de tráfico de drogas que fomentava o consumo e outros delitos correlatos no bairro. Ele abusava de adolescentes que faziam qualquer coisa para alimentar o vício. Por isso, os convidava para orgias sexuais e trocas de casais com Ariane a Talita, assim como com Jean e Wagner, sendo estes amantes homossexuais de Nando. Eventualmente, tais usuários cometiam pequenos furtos, fazendo com que Nando decidisse matá-los.

    As mulheres atraíam as vítimas até o local no Jardim Veraneio, e elas iam sem hesitar, pois já estavam condicionadas aos encontros. Porém, quando chegavam lá, era mortas. O padrão adotado por ele e passado para os comparsas se baseava no homicídio por enforcamento com corda ou estrangulamento com as mãos, pois não gostava de ver sangue. Em seguida, enterrava os corpos de cabeça para baixo, pois desta maneira facilitava a escavação das covas.

    PERFIL DOS ASSASSINOS

    Luiz Alves Martins Filho, o Nando, 49 anos, chefiava o esquema descoberto a partir de setembro, após a morte de Leandro Aparecido Nunes Ferreira, de 28 anos, o Leleco, assassinado pelo irmão de Lessandro Valdonado de Souza, 13 anos, uma das vítimas. Além de liderar o grupo de extermínio, chefiar o tráfico e a exploração, também participava de rinhas de galo.
    Divulgação

    Ariane de Souza Gonçalves, 19 anos, participava de orgias com Nando e atraía adolescentes para o sexo e para a morte.

    Talita Regina de Souza, 21 anos, atraía as vítimas e foi responsável por instigar a morte do cunhado Lessandro.

    Wagner Vieira Garcia , 24 anos, auxiliava nas execuções e mantinha relacionamento homoafetivo com Nando.

    Jean Marlon Dias Domingues, 20 anos, primo e parceiro sexual de Nando, e ajudante nas mortes.

    Michel Henrique Vilela Vieira, 21 anos, sobrinho de Nando e co-partícipe nos homicídios.

    PERFIL DAS VÍTIMAS

    Jhennifer Lima da Silva, 13 anos, sumiu em junho de 2014. Era usuária de drogas e cometia pequenos furtos na região. Uma das vítimas teria sido a mercearia que Wagner gerenciava com a família. Ela foi morta por enforcamento por Nando, Wagner e Jean. O corpo ainda não foi encontrado.

    Um homem identificado apenas como Café, encontrado enterrado no Jardim Veraneio no último dia 17. Nando trabalhava com a limpeza de terrenos e tinha uma camionete. Ele usou o veículo para fazer dois fretes para Café, cada um no valor de R$ 170, mas nunca foi pago. Ao ver a vítima lhe devendo e gastando com bebidas, decidiu aplicar corretivo com ajuda de Jean e Michel.
    Sete corpos foram encontrados em escavações da Polícia Civil - Divulgação PC

    Alemão, morto por Nando, Jean e um terceiro ainda não identificado. Ele havia furtado uma TV e vendido para Nando. No entanto, o dono do aparelho descobriu o crime e foi tentar reaver o objeto com Nando. Por este motivo, acabou morto por estrangulamento. O corpo dele foi enterrado no mesmo lugar que de Flávio Soares Correia, 25 anos, onde foram encontradas ossadas. A polícia tenta descobrir por meio de exames DNA a quem os restos mortais pertence.

    Flávio Soares Correia, 25 anos, teria sido morto em abril de 2015 por Nando e Jean. O motivo seria porque era usuário, cometia furtos pelo bairro, chegando ao ponto de subtrair roupas em varal. O corpo teria sido enterrado no mesmo local que o de Alemão, por isso, as ossadas encontradas serão analisadas para saber a quem pertence.

    Bruno Santos da Silva, o Bruninho, 18 anos, sumiu em 2013. Era usuário e cometia furtos pela região. No entanto, há informações de que teria humilhado um primo de Nando morto em 2009. Por este motivo, Nando o executou como forma de vingança.

    Ana Cláudia Marques, mãe de seis filhos, desapareceu em setembro deste ano, aos 37 anos. Foi uma das ossadas encontradas no local após informações dadas pelo autor. Ela seria a primeira traficante a agir no bairro e era vista pelo grupo como a “desgraça do bairro”. Foi executada por Nando e Jean.

    Lessandro Valdonado de Souza, 13 anos, estava desaparecido desde 1º de agosto, e teve o corpo encontrado durante escavações. Informações apontam que o irmão dele, de 20 anos, namorava Talita, tanto que todos moravam sob o mesmo teto. Recentemente, o garoto viu a cunhada acariciando um traficante rival e ameaçou contar para o irmão. Talita decidiu se vingar e o matou com ajuda de Nando e Jean, que participaram da ocultação do cadáver. Outro irmão de Lessandro, como forma de vingança, matou Leandro Aparecido Nunes Ferreira, em setembro. Ao ser preso, contou que matou porque Leandro estava, junto com Nando, envolvido no sumiço de Lessandro. Este ponto foi crucial para a descoberta do esquema e a prisão de todos.

    Alex da Silva Santos, 18 anos, sumiu em março deste ano. Embora não tivesse sido denunciado em nenhum boletim de ocorrência, tinha o apelido de “Ladrão”. Ele seria amásio de Ariane, com quem Nando também se envolvia. Ele foi morto por Nando e Wagner, sendo colocado em uma camionete e enterrado no Jardim Veraneio. Não sendo encontrado até então.

    Eduardo Dias Lima, desapareceu em dezembro de 2015, aos 15 anos, após ser assassinado por Nando e Michel. Ele teria furtada garrafas vazias do depósito de um bar em que ambos os autores estavam abrindo.

    Aline Farias da Silva, 22 anos, garota de programa mãe de dois filhos e amiga de Nando. Informações apontam que ela teria recebido adiantamento pelo programa com amigo de Nando, mas não consumou o ato, gerando reclamação por parte do cliente. Nando a procurou para uma conversa, mas acabou a matando.

    Jhennifer Luana Lopes, 16 anos, despareceu em março deste ano. Era usuária e cometia pequenos furtos, tendo os restos mortais encontrados no Jardim Veraneio. Foi morta por Nando e Michel.

    Valdelei Almeida Junior, 20 anos, foi morto em março deste ano, mas não pelo grupo. O crime ocorreu em outro contexto. Porém, em 2013, foi levado para ser executado por Nando, em razão dos furtos que cometia, mas reagiu e conseguiu escapar.

    Daniel de Oliveira Barros, 28 anos, sumiu em março de 2014, depois de ser morto por Nando com um golpe de chave de fenda no pescoço, após desentendimento por furto de ferramentas.

    Daniel Gomes de Souza, 17 anos, sumiu em dezembro de 2012 e até hoje não foi achado.



    Fonte: CE
    Por: Renan Nucci
    Link original: http://www.correiodoestado.com.br/cidades/campo-grande/maior-assassino-em-serie-do-ms-tem-medo-de-sangue-e-se-sente/292134/

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