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    quinta-feira, 6 de outubro de 2016

    STF fatia principal inquérito da Lava Jato, e Lula passa a ser investigado

    Investigação foi dividida em 4: PT, PP, PMDB na Câmara e no Senado. Com fatiamento, total de políticos investigados passa de 39 para 66.

    ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divulgação

    O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou hoje a divisão em quatro inquéritos da maior e principal investigação da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura se existiu uma organização criminosa, com a participação de políticos e empresários, para fraudar a Petrobras.

    Com a decisão, tomada após pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a ser alvo de um desses inquéritos, o que vai apurar a atuação do PT no esquema investigado. Outros políticos que também serão investigado são o deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

    O chamado "inquérito-mãe" da Lava Jato tinha oficialmente 39 investigados – a maioria do PP.

    Agora, serão 66 investigados: o inquérito sobre o PP terá 30 investigados; o do PT, 12 investigados, entre eles o ex-presidente Lula; o do PMDB no Senado, nove; e o do PMDB na Câmara, 15.

    Isso porque, apesar de ser um esquema amplo na Petrobras, as investigações apontam para existência de subesquemas na estatal, na qual cada partido dominava uma diretoria e atuava em desvios nos contratos de cada uma delas.

    As investigações apontam que o PP atuava para desviar valores da Diretoria de Abastecimento. A partir daí, havia pagamento de propina a políticos do partido. Já o PT atuava nos contratos da Diretoria de Serviços, enquanto o PMDB tinha como foco desviar recursos da Diretoria Internacional, segundo as investigações.

    Pedido de fatiamento

    Ao pedir o fatiamento da maior e principal investigação da Operação Lava Jato, Janot afirmou que os partidos PP, PT e PMDB se organizaram internamente para cometer crimes contra a administração pública, Por isso, justificou o procurador, a apuração deve ser dividida para "melhor otimização do esforço investigativo".

    Para Janot, o pedido de divisão não muda o fato de que existiu "uma teia criminosa única" na estatal.

    "Os elementos de informação que compõem o presente inquérito modularam um desenho de um grupo criminoso organizado único, amplo e complexo, com uma miríade de atores que se interligam em uma estrutura com vínculos horizontais, em modelo cooperativista, em que os integrantes agem em comunhão de esforços e objetivos, e outra em uma estrutura mais verticalizada e hierarquizada, com centros estratégicos, de comando, controle e de tomadas de decisões mais relevantes", disse o procurador no pedido.

    "Como destacado, alguns membros de determinadas agremiações organizaram-se internamente, valendo-se de seus partidos e em uma estrutura hierarquizada, para cometimento de crimes contra a administração pública", afirmou.

    Janot considerou que o fatiamento vai racionalizar os trabalhos. "Com isso, poderá ser atribuída ordenação e organização das ações, melhor controle e percepção da realidade criminosa, melhor avaliação das hipóteses e racionalização dos meios a serem empregados durante os trabalhos."

    Lula

    Com a decisão de Teori, Lula passa a ser investigado em dois inquéritos no STF, já que ele já era investigado por tentativa de obstrução à Justiça.

    Além disso, o ex-presidente é réu na Justiça do Distrito Federal por tentativa de atrapalhar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e réu na Justiça do Paraná por suspeita de corrupção em razão da relação que mantinha com a construtora OAS.

    Veja quem será investigado em cada um dos quatro novos inquéritos da Lava Jato:

    Núcleo do PT (12 investigados)

    - Antonio Palocci, ex-ministro
    - Delcídio do Amaral (sem partido-MS), senador cassado
    - Edinho Silva, ex-ministro e prefeito eleito de Araraquara (SP)
    - Erenice Guerra, ex-ministra
    - Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete de Dilma
    - Jaques Wagner, ex-governador da Bahia
    - João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT
    - José Carlos Bumlai, pecuarista
    - Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República
    - Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula
    - Ricardo Berzoini (PT-SP), ex-ministro e ex-deputado
    - Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras

    Núcleo do PMDB da Câmara (15 investigados)

    - Alexandre Santos (PMDB-RJ), ex-deputado federal
    - Altineu Cortês (PMDB-RJ), deputado federal
    - André Esteves, sócio do banco BTG Pactual
    - André Moura (PSC-SE), líder do governo na Câmara
    - Aníbal Gomes (PMDB-CE), deputado federal
    - Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), deputado federal
    - Carlos Willian (PTC-MG), ex-deputado federal
    - Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado cassado e ex-presidente da Câmara
    - Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", lobista
    - Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)
    - Lúcio Bolonha Funaro, doleiro
    - João Magalhães (PMDB-MG), deputado estadual
    - Manoel Júnior (PMDB-PB), deputado federal
    - Nelson Bounier (PMDB-RJ), ex-deputado federal e prefeito de Nova Iguaçu (RJ)
    - Solange Almeida, ex-deputada e prefeita de Rio Bonito (RJ)

    Núcleo do PMDB do Senado (9 investigados)

    - Edison Lobão (PMDB-MA), senador e ex-ministro
    - Jader Barbalho (PMDB-PA), senador
    - Jorge Luz, lobista
    - Milton Lyra, lobista
    - Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado
    - Romero Jucá (PMDB-RR), senador
    - Sérgio Machado, ex-senador e ex-presidente da Transpetro
    - Silas Rondeau, ex-ministro
    - Valdir Raupp (PMDB-RO), senador

    Núcleo do PP (30 investigados)

    - Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), deputado federal e ex-ministro
    - Aline Correa (PP-SP), ex-deputada federal
    - Arthur Lira (PP-AL), deputado federal
    - Benedito Lira (PP-AL), senador
    - Carlos Magnos Ramos (PP-RO), ex-deputado federal
    - Ciro Nogueira (PP-PI), senador
    - Dilceu Sperafico (PP-PR), deputado federal
    - Eduardo da Fonte (PP-PE), deputado federal
    - Gladson Cameli (PP-AC), senador
    - Jerônimo Goergen (PP-RS), deputado federal
    - João Pizzolatti (PP-SC), ex-deputado federal
    - João Leão (PP-BA), vice-governador da Bahia
    - José Linhares (PP-CE), ex-deputado federal
    - José Otávio Germano (PP-RS), deputado federal
    - Lázaro Botelho (PP-TO), deputado federal
    - Luis Carlos Heinze (PP-RS), deputado federal
    - Luiz Fernando Faria (PP-MG), deputado federal
    - Nelson Meurer (PP-PR), deputado federal
    - Renato Molling (PP-RS), deputado federal
    - Roberto Balestra (PP-GO), deputado federal
    - Roberto Britto (PP-BA), deputado federal
    - Simão Sessim (PP-RJ), deputado federal
    - Vilson Covatti (PP-RS), ex-deputado federal
    - Waldir Maranhão (PP-MA), deputado federal
    - Luiz Argolo (SD-BA), ex-deputado federal (era filiado ao PP)
    - Pedro Correa (PP-PE), ex-deputado federal
    - Mário Negromonte (PP-BA), ex-deputado federal e conselheiro do TCE-BA
    - Missionário José Olímpio (DEM-SP), deputado federal (era filiado ao PP)



    Da TV Globo, em Brasília
    Por: Mariana Oliveira

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