Campo Grande (MS),

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    segunda-feira, 12 de setembro de 2016

    Quinze partidos prometem levar toda a bancada à votação sobre Cunha

    Adversários de Cunha têm receio de que não haja quórum suficiente. Para iniciar votação são necessários 257 no plenário; bancadas somam 306.

    Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - Foto: Renato Costa/Arquivo

    A menos de meia hora do início previsto para a sessão destinada à votação da cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo menos 15 partidos, incluindo PT e PSDB, confirmaram nesta segunda-feira (12) que as suas respectivas bancadas estarão presentes em peso na sessão marcada para começar às 19h.

    Entre as legendas que prometem a presença de todos os seus deputados estão PT (com 58 parlamentares), PSDB (50 deputados), DEM (27), SD (14) PPS (8), PSB (33), PCdoB (11), PSOL (6), PROS (7), PHS (7), Rede (4), PTdoB (3) e PRTB (1), além do PSD (35) e do PR (42), que integram o chamado Centrão, bloco informal apadrinhado por Cunha.

    Somadas, essas bancadas totalizam 306 deputados, número suficiente para dar início à votação, que exige 257 presentes no plenário. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem dito, porém, que pretende começar a votação quando houver a presença de cerca de 400 deputados. Por volta das 16h45, havia 241 deputados na Câmara e 185 já tinham registrado presença no plenário.

    O PMDB, partido de Cunha, não fez esse levantamento sobre quantos parlamentares deverão estar presentes no plenário. A situação é a mesma do PTB, liderado por Jovair Arantes (GO), um dos principais aliados do deputado afastado, que ainda não sabia quantos estariam presentes.

    Os deputados Marcelo Matos (PHS-RJ), Toninho Wandscheer (PROS-PR) e Junior Marreca (PEN-MA) apresentaram atestado para tratamento de saúde e deverão se ausentar da sessão. No entanto, eles podem decidir, em cima da hora, pedir o fim da licença e comparecer para votar.

    O G1 não havia conseguido contato com as demais siglas até a última atualização desta reportagem.

    Quórum

    Um dos receios de adversários do peemedebista era de que a sessão ficasse esvaziada em razão do período eleitoral e por ser uma segunda-feira, dia tradicionalmente menos movimentado no Congresso. Isso poderia beneficiar Cunha, uma vez que ausências contariam a seu favor, pois são necessários, no mínimo, 257 votos para que ele tenha o mandato parlamentar cassado. Se esse placar não for atingido, ele é absolvido.

    Para garantir uma tramitação rápida e encerrar a votação ainda nesta segunda, alguns partidos, como PSB e DEM, vão reunir as suas bancadas pouco antes da sessão para traçar estratégias de atuação no plenário.

    “A ideia é acabar hoje [nesta segunda] e não contribuir para atrasar por ventura, involuntariamente. Não conseguir terminar isso hoje vai ser um desgaste para a imagem da Câmara”, afirmou o líder do PSB, Paulo Foletto (ES).

    Para o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), quem faltar à sessão desta segunda-feira estará apoiando o peemedebista. "Muitos deputados me contaram que foram aplaudidos em comícios ao dizerem que viriam a votação. Acredito que até meia-noite essa decisão está tomada. Eu tenho absoluta convicção de que os aliados de Cunha vão tentar todo o tipo de manobra, mas acho que há uma maioria confortável no plenário para evitar que essas manobras prosperem. É hora de cassar Eduardo Cunha e livrar a Câmara dele. Não dá para ficar omisso", disse Molon.

    A sessão acontece dez menos após o início da tramitação do processo no Conselho de Ética, que já é o mais longo da história da Casa. Ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobras sobre a existência de contas secretas no exterior. Ele nega e afirma ter apenas o usufruto de fundos geridos por trutes (entidades jurídicas que administram bens e recursos).

    Pouco antes do início da sessão, integrantes de Psol e Rede promoveram um ato no Salão Verde da Câmara para relembrar o longo processo de tramitação do processo de cassação do peemedebista.

    Faixas com os dizeres "fora Cunha" junto a uma cópia da representação contra o deputado afastado foram expostas, assim como um cartaz com as assinaturas dos líderes partidários que se comprometeram a mobilizar suas bancadas para a sessão que analisará o parecer.

    "Se trata de uma exposição de todas as ações tomadas pelo partido neste período [tramitação do processo]. É a expo fora Cunha. Chegou a hora de a Câmara dar a sua posição", afirmou o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP).




    Do G1, em Brasília
    Por: Fernanda Calgaro

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