Campo Grande (MS),

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    terça-feira, 24 de junho de 2014

    PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO: Fazenda Itamarati o homem do Pé Grande ou a Lenda do Pai do Mato

    Lendas e causos, de certa forma proveniente de fato histórico do cotidiano de uma determinada região e país, narrativas fantásticas de eventos surreais com personagens muitas vezes sobrenaturais, heróis e vilões são descritos nos causos e lendas. A lenda o causo é considerada por muitos com um fundo de verdade, dentro de seus contos e suas particularidades.


    Formação da sede da fazenda Itamarati década de 70
    Foto: Arquivo pessoal Eliane Nomura Ramos

    Sentar se a beira do fogo em rodas de amigos tomando um bom chimarrão, ou um refrescante tereré, o causo surge e sua narrativa toma conta de todos, silêncio, faz parte, para dar vida ao imaginário de quem escuta e segue o causo e todos os seus detalhes das fantásticas histórias, contados por quem viu ou ouviu falar.

    Muito antes da total colonização do estado de Mato Grosso que por sua vez tinha uma vasta extensão territorial vindo do norte deste Rondônia até se completar ao sul do futuro estado de Mato Grosso do Sul, uma imensidão de terra de mata densa e fechada um tanto desconhecida e explorada, com a vinda desde o século XVI e XVII de desbravadores espanhóis e dos futuros colonizadores portugueses, muitos mitos e lendas dos mais diversos estilos estimulavam a busca por tesouros escondidos, minas de ouros cidades construídas com pedras preciosas e muito ouro e lendas de figuras sinistras, criaturas sobrenaturais que cuidavam e afugentavam quem se atrevesse a tirar seus tesouros ou roubar suas terras, amedrontavam os conquistadores vindos de outro continente.

    Uma dentre tantas criaturas que se falava nestes tempos e por muito na atualidade era o “pai do mato” um ser muito grande com forma de homem, pelo no corpo parecido com um macaco, forte com mãos e pés grandes além do comum, unhas compridas, dentes pontudos, horrendo por assim dizer.

    Na região fronteiriça de muitas matas e fazendas, tal criatura também habitava o imaginário de causos e lendas, uma dentre tantas aparições de tal criatura se deu há muito tempo no inicio da exploração e criação da famosa fazenda Itamarati (Itasul), os peões contratados para desmatar e criar os campos de cultivo montavam seus acampamentos no meio da mata, e por semanas ficavam trabalhando na formação dos campos, para criar os 36 mil hectares de área produtiva dos 50 mil hectares utilizado pela fazenda, algo gigantesco para este tempo.

    Formação da sede da fazenda Itamarati década de 70
    Foto: Arquivo pessoal Eliane Nomura Ramos

    Neste período onde tinha que aproveitar a luz do sol, pois no cair da noite se guiavam pelas estrelas e o reflexo da lua, pois a densidade da mata impedia que tal luminosidade entrasse pelos galhos das arvores centenárias existentes, mas o progresso falou mais alto e pouco a pouco a mata foi tombando para a criação da maior fazenda de grãos existente no século XX.

    Drº Alberto Keiti Nomura e Olacyr
     Francisco de Moraes década de 80

    Foto: Arquivo pessoal de Eliane Nomura Ramos
    Mas um causo marcou esta evolução histórica, aqueles que estavam na frente de trabalho nestes tempos, quando viam para cidade, no caso Ponta Porã (BR) e Pedro Juan Caballero (PY), contavam um fato que logo virou causo e lenda, de um ser um tanto tenebroso que habitava a mata, e que por muitas vezes invadia o acampamento amedrontados os peões fugiam, a criatura se alimentava da comida do acampamento, derrubava os barracos e grunhia muito alto, uns até diziam que ele gostava de beber o tereré, e por vezes levava a cuia e embora, tal criatura tinha uma particularidade grande pés (pé grande), muitas vezes sendo observado pelos peões na beira dos rios. Seria um protetor das matas?

    Outro fato estranho que muitas vezes ele se manifestava calmamente se aproximava e de certa distância observava, não fazia nada e seguia rumo à mata, algo de bom tinha que quando a criatura aparecia as onças que existiam por perto não ficavam, principalmente na área apelidada pelos peões como “bafo da onça”, pois também temiam a tal criatura que conviveu por longo tempo durante a formação da fazenda nas suas matas.

    A história de vestígios de tal criatura até meados dos anos 80 os pões que trabalhavam no plantio e colheita, relatavam que tinha visto um monstro dentro da mata ou vagando pelo campo, rastro de pegadas gigantes, deu o apelido a tal ser “pé grande”.

    Quem seria ele? “O pai do mato” o próprio “pé grande”, o que se sabe que vagou por longo tempo protegendo a mata, seria isto o motivo de sua fúria, vendo que a mata estava sendo destruída, teria ele desaparecido procurando outro lugar afastado para viver, ou ainda esta protegendo o resto de mata se escondendo do homem.

    Fica este mais um mistério da região fronteiriça, que existe e acompanha o seu desenvolvimento histórico e folclórico aguçando o imaginário de geração em geração, ao longo do tempo.



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