Campo Grande (MS),

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    06/02/2019

    Cidades do MS dispensam Carnaval e usam dinheiro para financiar gastos da máquina pública

    Prefeito de Jardim, vizinha a Bonito, foi o último a anunciar que usará recursos da festa para pagar ex-funcionários 

    ©REPRODUÇÃO
    A cidade de Jardim, a 239 km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, anunciou no final do mês passado que que vai usar cerca de R$ 95 mil recebidos pela prefeitura para custear o Carnaval municipal com o pagamento de dívidas com ex-funcionários, fornecedores, além de comprar uniformes escolares. 

    Pelo Twitter, Guilherme Alves Monteiro, prefeito de Jardim, argumentou que a cidade não será impactada, porque pesquisas nos anos anteriores mostraram que a maioria dos turistas na cidade no período do Carnaval não está interessada em folia, mas em descanso e tranquilidade. Jardim é um município vizinho à cidade de Bonito. 

    Monteiro também se referiu ao presidente Jair Bolsonaro para tomar a decisão, dizendo que, no mandato dele, as "obrigações do Estado estão antes dos regalos". Em nota, a prefeitura de Jardim afirmou depois do tuíte do prefeito que, mesmo com o valor em caixa, a cidade teria que arcar com custos extras, como: alimentação, equipe, hospedagem e estrutura. "Mesmo que tivéssemos o apoio do Governo Estadual, não há como investir em recurso próprio", diz um trecho do texto. 

    "É questão de prioridade: preferimos pagar as pessoas que trabalham no município, o prefeito está pagando rescisões atrasadas desde 2017", completa. Jardim não possui concursos abertos há alguns anos, apesar da situação de outras cidades do estado ser pior: o caso do município de Dois Irmão de Buriti, por exemplo, o prefeito Edilsom Zandona cancelou o Carnaval por falta de dinheiro. 

    “A arrecadação está em crise. Teremos cortes de despesas, até mesmo de projetos sociais. O momento é de cautela, de preocupação. É uma situação gravíssima”, justificou ele em entrevista. Cidades como Aquidauana, Coxim, Chapadão do Sul, Rio Verde e Anaurilândia são outros exemplos de cancelamento das festas. 

    Na metade de janeiro, Bonito, a 300 km de Campo Grande, chamou a atenção nacional ao abrir uma enquete pública perguntando aos moradores se a prefeitura deve gastar cerca de R$ 200 mil na compra de uma ambulância ou investir no Carnaval. A consulta está aberta no site da administração municipal até o dia 15 de fevereiro. 

    “A economia do país vive um momento de grandes ajustes, com reflexos nos estados e municípios, fazendo com que seja necessário – mais do que nunca – pensar duas vezes antes de gastar”, afirmou o prefeito de Bonito, Odilson Arruda Soares. 



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