Campo Grande (MS),

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    20/09/2018

    ARTIGO| Morgana Rodrigues: A flor sul-mato-grossense

    Por: Edílson José Alves*
    A chegada da cantora Morgana Rodrigues no início da noite de terça-feira, 18 de setembro, foi uma festa, mas poderia ser muito maior, com muito mais gente prestigiando, inclusive autoridades, afinal de contas se tratava do retorno de uma guerreira, uma jovem talentosa que empunhou a bandeira fronteiriça e levou o nome de Ponta Porã nas noites festivas das edições do The Voice Brasil, programa da TV Globo. 

    Morgana é figura que contagia o público pela simpatia e originalidade. Forjada na lida do campo, como ela própria descreve, aprendeu a tirar leite aos 5 anos de idade sob o olhar do avô. Apaixonada pela viola, seguiu o batidão de Tião Carreiro que fez fama com Pardinho nas décadas de 50 a 80. 

    Como o Estado de Mato Grosso que tem a “flor mato-grossense”, Bruna Viola, nós, sul-mato-grossenses, temos muito orgulho da nossa flor, Morgana Rodrigues. Sempre vestida à caráter, mostrou para o Brasil que Ponta Porã tem pessoas talentosas, que a nossa fronteira é composta de gente honesta, trabalhadora, que contribui na construção de um Brasil melhor, mostrando ao mundo que nações devem ser amigas e podem ser irmãs, como aqui, onde brasileiros e paraguaios se juntaram para torcer pela nossa violeira. 

    Como a saudosa Helena Meirelles, a dama da viola, nascida na fazenda Jararaca, Morgana começa agora a escrever a bonita história da sua vida. Uma história de sucesso e que já tem fãs pelo Brasil afora, e alguns ilustres, como a rainha do axé, Ivete Sangalo, que ficou vidrada assistindo as apresentações da nossa representante no The Voice Brasil 2018, destacando a sua capacidade e alegria. Michel Teló ao fazer o seu julgamento se colocou à disposição para gravar com a nossa violeira e arrematou: você pode contar comigo para a vida toda. 

    Ao passar pela Avenida Brasil e ver sendo fotografada pelos fãs no Parque dos Ervais, fiz questão de parar e também aparecer na foto. Como Helena Meireles que cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros, a nossa violeira fronteiriça tem as mesmas características, mas nasceu numa época moderna e pode com o seu talento e simplicidade fazer muita fama. Helena subiu em um palco de teatro pela primeira vez aos 67 anos e, só depois disso, gravou discos. Antes de morrer aos 81 anos no ano de 2005, ela havia recebido o reconhecimento mundial, tendo o seu nome incluído entre os melhores do mundo, aparecendo entre verdadeiros ‘monstros` da música, como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Keith Richards e B.B. King. 

    E para fechar este artigo vou usar um pedaço da letra de Milton Nascimento, que diz que foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão que muita gente boa pôs o pé na profissão. Todo artista tem de ir aonde o povo está e Morgana está apenas começando a escrever uma linda história musical, está no meio do nosso povo, acaba de colocar o pé na profissão e tem a vida toda pela frente. 

    *Jornalista


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