Campo Grande (MS),

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    22/06/2018

    Moradores de Bataguassu lotam Câmara Municipal para debater gás de xisto

    ©Francisco Britto 
    Representantes de diversos setores da sociedade marcaram presença na 5ª etapa de audiências públicas, nessa quinta-feira (21), em Bataguassu, para discutir os impactos devastadores que a extração do gás de xisto poderá causar ao meio ambiente e à população de Mato Grosso do Sul. Dessa vez, o debate promovido pelo deputado estadual Amarildo Cruz (PT), em parceria com a organização não governamental Coesus e os vereadores André Bezerra e Denis Thomazinni.

    O município está entre as 54 cidades sul-mato-grossenses que poderão ser impactadas com uma eventual extração de combustível fóssil na região, e integra a bacia do Rio Paraná no Estado e, segundo análises da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), tem área com potencial para extração do gás, utilizado como fonte de energia.
    ©Evllyn Rabelo
    Para o deputado Amarildo Cruz, a audiência pública visa esclarecer a população sobre as consequências que a exploração do gás acarretará no dia a dia das pessoas. “Nosso objetivo é informar a população e as autoridades sobre as consequências que essa atividade pode causar, caso não seja barrada. O assunto ainda é pouco conhecido, mas os impactos podem ser desastrosos”, falou o parlamentar, lembrando que dos 26 municípios do Estado já ofertados em leilão da ANP, Santa Rita do Pardo e Brasilândia tiveram suas áreas arrematadas pela Petrobrás em 2017.

    Autor do projeto de lei n° 0003/2018, que suspende por dez anos a extração do gás em Mato Grosso do Sul, para que sejam realizados estudos aprofundados a respeito dos reais danos na produção do combustível fóssil, Amarildo Cruz Amarildo falou também sobre das riquezas naturais da região que poderão ser impactadas, caso não sejam tomadas as providências necessárias. “Nosso Estado está localizado sobre o Aquífero Guarani, a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e uma das maiores do mundo, e essa riqueza natural pode ser contaminada caso não sejam tomadas providências, a fim de evitar esse crime ambiental. Se não temos segurança sobre a atividade, precisamos, no mínimo, ser precavidos", pontuou.

    Bataguassu é a quinta cidade do Estado a receber o debate. As audiências foram também realizadas nos municípios de Campo Grande, Nova Alvorada do Sul, Santa Rita do Pardo e Três Lagoas.
    ©Evllyn Rabelo
    Também participaram da audiência pública, o vice-prefeito Akira Otsubo, Luiz Carlos dos Santos da MSGás, Suelita Rocker da Coesus, lideranças comunitárias, vereadores, Manoel Agripino do presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do município, alunos e professores das escolas estaduais Manoel da Costa Lima, Peri Martins, Luiz Alberto Abraham e Bráz Sinigaglia.

    Técnica de extração do gás de xisto

    A técnica utilizada na extração do gás de xisto, utilizado na geração de energia elétrica, é conhecida como fraturamento hidráulico ou fracking, que ultrapassa as fontes subterrâneas de água, onde um cano de aço, revestido por cimento injetado, leva água e produtos químicos e sua pressão causa fraturas que liberam o gás, altamente poluente, e que contamina a água, solo e ar.

    Municípios de Mato Grosso do Sul já ofertados em leilão da ANP

    Água Clara, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Campo Grande, Deodápolis, Ivinhema, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu, Três Lagoas, Alcinópolis, Bandeirantes, Camapuã, Cassilândia, Chapadão do Sul, Costa Rica, Inocência, Rochedo e São Gabriel do Oeste.
    ©Francisco Britto

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