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    24/02/2018

    ARTIGO| As pretensões e as incógnitas de Temer

    Por: Victoria Ângelo Bacon*
    Nos últimos dias, voltaram a circular rumores de que o presidente Michel Temer (MDB-SP) estaria cogitando disputar a reeleição. Isso vem na esteira da inversão de prioridades do governo federal - que suspendeu a tramitação da Reforma da Previdência e concentrou esforços em implementar uma intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro. 

    Para analistas políticos, a nova agenda poderia ser uma tentantiva de Temer de reverter sua baixa popularidade - apenas 6% dos brasileiros consideram seu governo bom ou ótimo, segundo levantamento do Datafolha de janeiro. Em declarações ao jornal O Globono começo da semana, o marqueteiro Elsinho Mouco, responsável pela propaganda presidencial, se adiantou: "Ele já é candidato". Foi desmentido nesta sexta-feira pelo próprio Temer, que disse à Rádio Bandeirantes: "Não sou candidato. Não serei candidato". 

    Já então se discutia se o presidente poderia buscar a reeleição. A lei da Ficha Limpa determina a inelegibilidade de pessoas com condenações por órgão colegiado, como é o caso de Temer. No entanto, a condenação contra o presidente não faz menção à inelegibilidade. A palavra final dependerá da Justiça Eleitoral e só será dada se Temer efetivamente registrar sua candidatura. 

    A despeito da baixa popularidade do presidente, a semana trouxe novas especulações sobre a possibilidade de uma tentativa de recondução ao Palácio do Planalto. Pode soar um tanto inusitado, mas este é um cenário avaliado em Brasília, sobretudo após o deslocamento da agenda governista das impopulares reformas fiscais à pauta da segurança pública, com relevante apelo popular. 

    Temer, após trocar a reforma da Previdência pela intervenção verde oliva na segurança pública do Rio de Janeiro, entrou para valer na corrida presidencial. Colocou um pé firme na corrida manejando com senso de oportunidade e profissionalismo político - como lembrou Moreira Franco nesta semana, Temer e sua turma não são amadores - o instrumento mais poderoso de quem detém o poder e controla a máquina do Estado: a capacidade de definir a agenda política, ou no mínimo de manipulá-la, com vistas a viabilizar interesses eleitorais ou de governo (aprovar uma reforma da Previdência, por exemplo)", analisou Ribeiro. 

    Um fator que ajuda Temer em relação aos possíveis adversários na disputa presidencial é também o prazo mais confortável para viabilizar sua candidatura. Pelas regras eleitorais, o presidente, assim como os demais candidatos, tem até 15 de agosto para formalizar seu pedido de candidatura à recondução. No entanto, vale destacar que nomes que desejam participar da disputa e hoje ocupam cargos majoritários 

    Se os números de Temer melhorarem com alguma consistência até o início de julho, ele pode se animar a levar a candidatura até o final. Pesando prós e contras, entendemos neste momento que é relevante a probabilidade de Temer ser candidato, uma notícia ruim para Geraldo Alckmin e que, por ampliar a fragmentação das candidaturas, deixaria mais incerto o resultado da eleição. 

    Temer quer ser candidato isso é obvio, porém como a pressa pode ser a melhor aliada ou a pior inimiga, Temer aposto toda sua sorte no jogo e espera pacientemente o tempo responder a sua jogada. É o país que está em jogo não só (ele). 

    *Secretária Executiva e Jornalista - Atualmente Diretora Executiva do SINTUNIR-UNIR 


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