Campo Grande (MS),

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    27/01/2018

    ARTIGO| O Brasil em Davos

    Por: Victoria Ângelo Bacon*
    Em uma semana conturbada em Zurique na Suíça, o presidente Michel Temer participou do Fórum Econômico Mundial. Acompanhado de seu ministro, Henrique Meirelles, o presidente Temer tentou vender a imagem de um Brasil tranquilo e sadio. 

    Os empresários de todo o planeta que anualmente vão ao Fórum ouvir os relatos e perspectivas das principais nações do globo, dessa vez encararam um discurso anormal. Alguns empresários foram ouvir da dupla Temer- Meirelles a situação real do Brasil e não a que eles tentam vender no país mais sólido economicamente do planeta (Suíça). 

    Ao participar do Fórum Econômico Mundial, Temer tentou convencer empresários a investir no Brasil, no momento em que considera que a economia voltou a crescer. O presidente e seu ministro defendeu ainda a aprovação da reforma da Previdência junto aos investidores. 

    Alguns investidores presentes ao Fórum não entenderam o porquê da insistência da dupla brasileira em misturar açúcar com arroz. Qual a relação direta da Reforma da Previdência na solidificação da economia brasileira? Eis a dúvida que paira na cabeça dos potenciais investidores que participaram do evento na Suíça. 

    Bem. Se a eles que não residem no Brasil há dificuldade em compreender a equação Reforma da Previdência como fator da salvação da economia Brasileira, imagine a nós, pobres mortais brasileiros leigos em economia. O assunto condenação de Lula também tomou as rédeas do Brasil no Fórum. Precisamos de investimentos urgente para o Brasil, caso contrário teremos grandes e extensas dificuldades em se recuperar a médio prazo a economia brasileira. Uma possível continuação do projeto Lula no poder em 2019 afastaria de vez potenciais investidores ao país, afirmou vários jornais (mídia) que acompanharam o evento. 

    Temer - Meirelles ensaiaram um discurso bastante otimista aos líderes globais, poucos dias após o rebaixamento do país pela Standard & Poor’s. O objetivo é atrair os investidores para os projetos de concessão, principalmente, de infraestrutura, que ainda não decolaram propriamente. 

    Durante o briefing sobre a viagem, o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, informou que, em Davos, Temer apresentou números de um país que superou a crise e voltou a crescer, com inflação controlada, o Índice Bovespa registrando recorde de 81 mil pontos e o país voltando a criar empregos, com inflação e juros mais baixos. 

    Eles apresentaram aos investidores o programa de concessões e privatizações do governo federal, com ênfase na área de infraestrutura, o Avançar Parcerias. A expectativa para este ano é ofertar 75 projetos para a iniciativa privada que poderão captar mais de R$ 130 bilhões em investimentos. 

    Com toda essa barganha levada ao mais seleto grupo de empresários de planeta, a dupla da República cria uma nova espécie em (de) se fazer marketing político em terras suíças. 

    De uma coisa é certa em todo esse acontecimento político: Lula foi o assunto mais comentado do Brasil na Suíça, esqueceram até que o Brasil teve sua nota rebaixada. O perigo de um possível retorno de Lula em 2019 causou mais tiques naqueles que ainda enxergam um Brasil incerto. 

    Lula roubou a cena, até em Davos. 

    *Secretária Executiva e Jornalista


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