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    08/05/2016

    LÍNGUA PORTUGUESA| Professor Fernando Marques


    Continuação do Capítulo “DIALOGAR”

    Ainda que o interlocutor aja com indelicadeza, cabe ao leitor ou leitora deste livro, o dever de manter-se cordial. 
    Saber identificar as intenções ocultas que o interlocutor revela por meio dos gestos e das posturas, é capacidade que deve ser desenvolvida, a fim de que seja encerrada a conversa, continue ou seja modificada a forma do diálogo.
    A linguagem pode ser facilmente observada nas variadas formas de manifestação voluntária, espontânea, exteriorizada ou intencionalmente reprimida, evidenciada pela expressão facial, pela posição dos pés, das mãos ou do corpo, assim como pela entonação da voz, dos movimentos dos olhos, do controlo voluntário ou involuntário dos movimentos da cabeça, do tóraxi, dos braços e das pernas, bem como pela concordância ou discordância do discurso verbal.
    Quando analisamos o comportamento do nosso interlocutor sob perspetiva psicológica, social e cultural temos melhor probabilidade para compreender os pensamentos da pessoa que está à nossa frente.
    É a adequada interpretação dos sentimentos que nos revela as intenções do nosso interlocutor, ajudando-nos a interceptar as verdades e as mentiras, os ardis e os itens aproveitáveis, livrando-nos de problemas e de tramóias.
    São os sinais da linguagem corporal que também se associam aos sentimentos amorosos. Quando devidamente interpretados, compreendidos e correspondidos, fortalecem o relacionamento e estimulam a autoestima e aumentam o prazer pela vida.
    Um dos mais marcantes encantos numa pessoas hábil na arte de dialogar é a capacidade de fazer sinceros, oportunos e honestos elogios. Não há quem não goste de perceber que os seus méritos são reconhecidos.
    Até para repreender alguém, é necessário técnica; tato. “O tato procede tanto da bondade do coração como do bom gosto!” – Endymion.
    Pronomes inadequados como: eu, meu e minha causam repúdio; afastamento. Deverão ser substituídos por: nós, nosso, nossa, você, seu, sua.
    Embora apenas as pessoas verdadeiramente cultas façam uso do “plural majestático”, também denominado “plural de modéstia”, essa é a forma adequada. Assim, percebe-se facilmente qual é o nível de espiritualidade e o nível cultural da pessoa que afirma: escrevemos em vez de escrevi.  
    Vinculado aos atributos da impessoalidade, o “plural majestático” .....
    É preferível usar:
    aprovamos a aprovei
    atendemos a atendi
    compramos a comprei
    criamos a criei
    determinamos a determinei;
    decidimos a decidi
    elaboramos a elaborei
    exigimos a exigi
    fizemos a fiz
    impugnamos a impugnei
    instauramos a instaurei
    ordenamos a ordenei
    percebemos a percebi
    este gabinete  designou – e não eu designei;
    este juízo determina – e não eu determino;
    esta promotoria reprovou – e não eu reprovei;
    este tribunal cassou – e não eu cassei.
    Essa forma de expressão é a mais apropriada para os casais, considerando-se marido e mulher; noivo e noiva, namorado e namorada. Da mesma forma, vincula integrantes de equipe, familiares, participantes de grupos, pelotões, times, irmandades e outros.
    É o “plural majestático” ou “plural de modéstia”, que indica o adequado comportamento impessoal na Administração Pública, indicando a ausência de prerrogativas autoritárias, principalmente para os que se estabeleceram nos elevados níveis da hierarquia, dentre estes: delegados, auditores, promotores de Justiça, defensores públicos, procuradores, comandante da Marinha, comandante do Exército, comandante da Aeronáutica, conselheiros, juízes, diplomatas, desembargadores, ministros, parlamentares, prefeitos, governadores, presidente.
    O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, instituído pelo Decreto nº 1.171/1994, define quais devem ser as ações intrínsecas e eficazes que norteiam a educação ou reeducação ética e profissional do agente público, incutindo-lhe o respeito aos seus pares e principalmente ao cidadão, exortando-o à prática da virtude moral que é exercida a partir da adequada forma de falar e de escrever.
    A virtude moral é decorrente do hábito e não da natureza do ser humano, motivo pelo qual os exemplos e o exercício contumaz só serão evidenciados quando houver o entendimento de que precisamos reaprender, reeducando-nos quanto ao uso adequado das expressões, a fim de que cultivemos a virtude moral desde o nosso diálogo em família até o encerramento do nosso expediente laboral.