Continuação do Capítulo
“DIALOGAR”
Ainda que o interlocutor aja
com indelicadeza, cabe ao leitor ou leitora deste livro, o dever de manter-se
cordial.
Saber identificar as intenções
ocultas que o interlocutor revela por meio dos gestos e das posturas, é
capacidade que deve ser desenvolvida, a fim de que seja encerrada a conversa,
continue ou seja modificada a forma do diálogo.
A
linguagem pode ser facilmente observada nas variadas formas de manifestação
voluntária, espontânea, exteriorizada ou intencionalmente reprimida, evidenciada
pela expressão facial, pela posição dos pés, das mãos ou do corpo, assim como
pela entonação da voz, dos movimentos dos olhos, do controlo voluntário ou
involuntário dos movimentos da cabeça, do tóraxi, dos braços e das pernas, bem
como pela concordância ou discordância do discurso verbal.
Quando
analisamos o comportamento do nosso interlocutor sob perspetiva psicológica,
social e cultural temos melhor probabilidade para compreender os pensamentos da
pessoa que está à nossa frente.
É a
adequada interpretação dos sentimentos que nos revela as intenções do nosso
interlocutor, ajudando-nos a interceptar as verdades e as mentiras, os ardis e
os itens aproveitáveis, livrando-nos de problemas e de tramóias.
São os
sinais da linguagem corporal que também se associam aos sentimentos
amorosos. Quando devidamente interpretados, compreendidos e correspondidos,
fortalecem o relacionamento e estimulam a autoestima e aumentam o prazer pela
vida.
Um dos mais marcantes encantos
numa pessoas hábil na arte de dialogar é a capacidade de fazer sinceros,
oportunos e honestos elogios. Não há quem não goste de perceber que os seus
méritos são reconhecidos.
Até para repreender alguém, é
necessário técnica; tato. “O tato
procede tanto da bondade do coração como do bom gosto!” – Endymion.
Pronomes inadequados como: eu,
meu e minha causam repúdio;
afastamento. Deverão ser substituídos por: nós,
nosso, nossa, você, seu, sua.
Embora apenas as pessoas
verdadeiramente cultas façam uso do “plural majestático”, também denominado
“plural de modéstia”, essa é a forma adequada. Assim, percebe-se facilmente
qual é o nível de espiritualidade e o nível cultural da pessoa que afirma: escrevemos em vez de escrevi.
Vinculado aos atributos da
impessoalidade, o “plural majestático” .....
É preferível usar:
aprovamos
a aprovei
atendemos a atendi
compramos a comprei
criamos a criei
determinamos a determinei;
decidimos a decidi
elaboramos a elaborei
exigimos a exigi
fizemos a fiz
impugnamos a impugnei
instauramos a instaurei
ordenamos
a ordenei
percebemos a percebi
este gabinete designou
– e não eu designei;
este juízo determina – e não eu determino;
esta promotoria reprovou – e não eu reprovei;
este
tribunal cassou – e não eu cassei.
Essa forma de expressão é a
mais apropriada para os casais, considerando-se marido e mulher; noivo e noiva,
namorado e namorada. Da mesma forma, vincula integrantes de equipe, familiares,
participantes de grupos, pelotões, times, irmandades e outros.
É o “plural majestático” ou
“plural de modéstia”, que indica o adequado comportamento impessoal na
Administração Pública, indicando a ausência
de prerrogativas autoritárias, principalmente
para os que se estabeleceram nos elevados níveis da hierarquia, dentre estes:
delegados, auditores, promotores de Justiça, defensores públicos, procuradores,
comandante da Marinha, comandante do Exército, comandante da Aeronáutica,
conselheiros, juízes, diplomatas, desembargadores, ministros, parlamentares,
prefeitos, governadores, presidente.
O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
do Poder Executivo Federal, instituído pelo Decreto nº 1.171/1994, define quais
devem ser as ações intrínsecas e eficazes que norteiam a educação ou reeducação
ética e profissional do agente público, incutindo-lhe o respeito aos seus pares
e principalmente ao cidadão, exortando-o à prática da virtude moral que é
exercida a partir da adequada forma de falar e de escrever.
A virtude moral é decorrente do hábito e não da natureza
do ser humano, motivo pelo qual os exemplos e o exercício contumaz só serão
evidenciados quando houver o entendimento de que precisamos reaprender,
reeducando-nos quanto ao uso adequado das expressões, a fim de que cultivemos a
virtude moral desde o nosso diálogo em família até o encerramento do nosso
expediente laboral.
