Implicados na Operação Adna foram ouvidos nesta sexta-feira no TJ
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| Gilmar Olarte, prefeito afastado, é ouvido no TJMS. (Foto: Marcos Ermínio) |
O ex-prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP), negou as acusações que pesam sob ele, no processo que o investiga por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, decorrente da chamada Operação Adna (sigla da Assembleia de Deus Nova Aliança, igreja de Olarte). Ele depôs no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), nesta sexta-feira (5), na audiência de instrução conduzida pelo desembargador Luiz Claudio Bonassini.
Em seu depoimento, que durou 1 hora e 20 minutos, ele disse que soube, depois que pessoas vieram lhe fazer cobranças, que havia dívidas da campanha eleitoral de 2012 e, por isso, seu ex-assessor, Ronan Feitosa, estava tentando levantar dinheiro.
Mais cedo, durante seu depoimento, Ronan admitiu ter pego cheques e dinheiro emprestados para saldar dívidas com cabos eleitorais da campanha para a Prefeitura de Campo Grande, encabeçada por Alcides Bernal.
Ao desembargador, Gilmar Olarte reafirmou que os cheques começaram a ser trocados no fim de 2012, quando ele “nem havia sido empossado vice-prefeito”. “Se os cheques fossem meus eu os pagava. Pedi pro Pimentel (Rodrigo, secretário de governo, na gestão de Olarte) levantar o que estava ocorrendo e ele disse não tinha nada contra mim”.
O prefeito afastado negou também que tenha prometido cargos ao ex-assessor, “apenas apoio a mãe dele, pois estava desesperada com as ameaças contra o filho”. Sobre Salem Vieira, um dos agiotas que teria cobrado, Olarte disse que não conhecia e nunca esteve com ele.
“Existe um grande equívoco comigo. Quando está no poder fica mais bonito e atrativo. Nenhum momento quis levantar valor dos cheques. A dívida não era minha”, disse.
Sobre a denúncia de que ele teria recebido R$ 30 mil, o prefeito afastado reiterou o que foi dito por Ronan. O dinheiro teria sido doado por uma pessoa chamada de “Ito” para a igreja pagar gastos de uma festa beneficente, como contratação de pessoas e demais despesas. “Não tive contato com o dinheiro”, afirmou em depoimento.
Olarte também falou que “Edmundo, Ricardo, Marli e Débora”, pessoas que teriam emprestado cheques, o procuraram para receber os valores. “Eles disseram que estavam usando meu nome, mas então foi de forma indevida. Eles me procuraram pra receber, mas disse a eles que eu não tinha nada a ver com aquilo. Minha ajuda só foi pra apoiar a família, que estava sendo ameaçada”.
Para a defesa de Ronan, Olarte ainda disse que Bernal prometeu aporte financeiro na campanha, o que não foi cumprido. Disse, ainda, que as denúncias "são de cunho político". O depoimento do prefeito afastado começou às 11h15 e terminou às 12h35, com a presença de seu advogado de defesa, Jail Azambuja.
Gilmar Olarte, Ronan Feitosa e Luiz Márcio Feliciano são réus em processo de lavagem de dinheiro e corrupção passiva decorrente da Operação Adna. Os três foram ouvidos nesta sexta-feira. Em novembro passado, aconteceu a primeira audiência de instrução, na qual foram ouvidos as testemunhas de acusação e vítimas no caso.
Fonte: campograndenews
por: Mayara Bueno e Leonardo Rocha
Link original: http://www.campograndenews.com.br/politica/em-1-hora-de-depoimento-olarte-nega-agiotagem-e-promessa-de-favores
