Em Campo Grande não se pode ser doido e pobre
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*Autor: João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
Pode, mas tá lascado!
Ou é doido rico, ou é doido desassistido.
O sucateamento e desmonte dos serviços ambulatoriais, hospital-dia e leitos públicos, destinados a pacientes portadores de doenças e transtornos mentais pressupõe que essa seja terra da gente lúcida?
É claro que não.
Sabemos que não é o caso.
Essa aberração é fruto da ambição e do mais absoluto descaso com mal-estar daqueles que não tem como arcar com o custo de seus tratamentos. Tratamentos, leitos e assistência que são direitos previstos na Constituição Federal, que hoje mais se assemelha a um livro de contos e brechas que à uma Carta Magna de fato.
O que pega em Campo Grande é que quem determina o que vai funcionar, de que maneira e onde, vê com muito descaso todo aquele serviço que não gera lucro. Instituições de assistência de saúde, os nosocômios são geridos por administradores de carreira, que desconhecem ou não reconhecem questões e contextos de cunho humanitário, o que é óbvio, já que diante deles há sempre uma cenoura que representa a meta de faturamento, crescimento e lucro! Lucro! E mais lucro…
Quando se fala em assistência médica pública, é imprescindível incluir os que não podem pagar por ela. É deles esse serviço.
Tá tudo errado!
Tornou-se comum, apesar de absolutamente vil, imoral e vergonhoso, o desmonte e sucateamento da estrutura de assistência médica pública com o único objetivo de transforma-las em emissoras de encaminhamentos às instituições privadas. Essas terceirizadas, “prestam o desserviço” à comunidade. Verdadeiro contrassenso.
Essa estratégia relega ao ser humano, ao cidadão comum e pobre a condição de “números de prontuários”. Ao solicitar tratamento médico, convertem-se em “dados”. Se houvesse algum escrúpulo por parte dos responsáveis por essa dinâmica, haveria o reconhecimento de que são esses “dados” que viabilizam toda sorte de recursos, e seriam dispensados aos “dados” ou aos “prontuários” tratamento pautado em um mínimo de gratidão, já que não podemos contar com caridade, sentido de civismo, humanidade... não, nem isso.
Os poucos serviços médicos especializados em saúde mental, estão praticamente extintos. Não por falta de demanda ou por serem conceitualmente ultrapassadas, nada disso, aqui voltamos a questão comercial.
O que essa gente se pergunta é: “Pra quê um serviço gratuito (confundem investimento com despesa) funcionado em um local onde podemos oferecer serviços dos nossos “conveniados” e “parceiros” da iniciativa privada, alcançando assim a cenoura (meta, lucro, projeção política, interesses individuais).
Tudo isso é preciso ser revisto.
Me dá vontade…
Dá vontade de fazer alguma coisa. Hoje, agora, o que posso fazer é isso. Lançar minha opinião com o desejo profundo de que, caso não haja disposição para discussão, debate e ação, ao menos calado eu não fiquei.
Nós, portadores de doenças e transtornos mentais, precisamos da ajuda de todos.
Pra refletir:
A síntese da definição de SAÚDE pela O.M.S - Organização Mundial de Saúde é:
“Estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade"
