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    20/12/2015

    Ponta Porã Linha do Tempo: Memória histórica cultural. Natal fronteiriço de outras épocas.

    Antes de narrar às belas histórias de natal da região fronteiriça, vamos conhecer um pouco da origem e o que é o Natal segundo historiadores e pesquisadores sobre o assunto. O significado do Natal é o nascimento de Jesus Cristo e sua comemoração anual, que acontece há mais de 1650 anos no dia 25 de dezembro. Natal se refere a nascimento ou ao local onde alguma pessoa nasceu. Por exemplo, a expressão "cidade natal" indica a cidade onde um determinado indivíduo nasceu. A palavra "natal" significa "do nascimento".

    Natal (com inicial maiúscula) é o nome da festa religiosa cristã que celebra o nascimento de Jesus Cristo, a figura central do Cristianismo. O dia de Natal, 25 de dezembro, foi estipulado pela Igreja Católica no ano de 350 DC através do Papa Júlio I, mais tarde foi oficializado como feriado. 

    A Bíblia não diz nada sobre o dia exato em que Jesus nasceu e por isso a comemoração do natal não fazia parte das tradições cristãs no início, o Natal começou a ser celebrado para substituir a festa pagã da Saturnália, que por tradição acontecia entre 17 e 25 de dezembro. A comemoração do natal em substituição dessa celebração foi uma tentativa de facilitar a aceitação do cristianismo entre os pagãos, apesar disso, alguns estudiosos afirmam que Jesus terá nascido em Abril, e que a data foi instituída pelo Imperador Romano Constantino para agradar os cristãos.

    O Papai Noel sua origem e tradição. Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 D.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.

    Foi transformado em santo (São Nicolau) pela Igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele, a associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal. Em quase todos os países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para decorar casas e outros ambientes. Em conjunto com as decorações natalinas, as árvores proporcionam um clima especial neste período.

    Acredita-se que esta tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve e as estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa, além das estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares à bela cena que havia presenciado na floresta.

    Esta tradição foi trazida para o continente americano por alguns alemães, que vieram morar na América durante o período colonial. No Brasil, país de maioria cristã, as árvores de Natal estão presentes em diversos lugares, pois, além de decorar, simbolizam alegria, paz e esperança.

    Não diferente o Natal da região fronteiriça de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero de outras épocas, tinha um cunho mais religioso, o principal ornamento que era usado neste período era o presépio, a origem do presépio segundo pesquisadores e historiadores do assunto, foi criado por São Francisco de Assis em 1223. Ele montou o primeiro presépio em uma gruta, na Itália, na época, a Igreja não permitia a realização de representações litúrgicas nas paróquias, mas São Francisco pediu a dispensa da proibição, para relembrar ao povo a natividade de Jesus Cristo. O objetivo de São Francisco era facilitar a compreensão do nascimento de Jesus.

    No Brasil, a cena do presépio foi apresentada pela primeira vez aos índios e colonos portugueses em 1552, por iniciativa do padre José de Anchieta.

    Acervo de Carlos Morel. Imagem fachada do castelinho de Francisco Rodrigues, o mesmo aparece na sacada com seu irmão Miguel Rodrigues esposas e filho. Meados da década de 40. A casa era toda enfeitada com ornamentos natalinos que se destacavam na época era ponto de visitas para quem passava na rua marechal Floriano uma linda visão - Foto Arquivo da Família Rodrigues (Francisco e Miguel Rodrigues in memoriam).

    As casas da região fronteiriça eram enfeitadas na sua maioria com presépios, luz colorida não era moda nestes tempos, poucas eram as casas tinham lâmpadas incandescentes “coloridas”, mas muitos presépios existiam nas casas principalmente em Pedro Juan Caballero, que nestes tempos eram presépios vivos, pois a própria família recepcionava os visitantes devidamente caracterizados e serviam a ceia natalina a seus visitantes, isso ocorria durante o período que antecedia a noite de Natal as casas eram abertas a visitantes que respeitosamente observavam todos os ornamentos e os lindos presépios, os visitantes eram recepcionados com petiscos, os presépios eram das mais variadas formas e tamanhos e uns mecanizados, que se mexiam através de alavancas para que os visitantes observassem os bonecos entalhados em madeira, esses presépios vinham da Europa, mas carpinteiros locais também produziam os seus.

    Foto publicada no livro de 2011 Um Homem de Seu Tempo de Luiz Alfredo Marques Magalhães, complexo salesiano erguido na década de 1940, atual igreja Matriz São José. Arquivo de E. Candía, 1951.  A Igreja Matriz está completando 90 anos de edificação na fronteira neste ano de 2014.

    Igreja Católica Matriz São José de Ponta Porã também colocava seu presépio, mas o diferencial era encenação do nascimento de Cristo com presépio vivo, nestes tempos ainda não existia asfalto, árvores na Avenida Brasil e os postes de rede elétrica eram de aroeira. Os párocos da época eram os Padres Tomaz e Padre Pedro.

    Outro ponto de visitação durante os festejos natalinos era o Quartel do 11RC, que ficava com uma iluminação especial destacando sua fachada clássica, sua pintura em branco e vermelho, proporcionava aos fronteiriços uma visão linda do prédio. 

    Ponta Porã Linha do tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã, Cabo Itrio era um admirador da arte de tirar fotos, desta forma ao longo dos anos ele agregou ao seu acervo centenas de ricas imagens da região de fronteira. Imagem do 11º RC década de 40, nesta foto autoridades políticas e do exercito brasileiro em um dos muitos eventos e solenidades cívicas realizadas desde sua criação. 

    As árvores de natal geralmente eram natural às famílias fronteiriças enfeitavam suas árvores com ornamentos natalinos, nestes tempos de respeito e valor cultural e social, dificilmente vândalos destruíam ou roubavam os enfeites que abrilhantavam os olhos de quem passava pelas ruas para observar os arranjos, cada família dentro de suas possibilidades homenageavam e celebravam este período de reflexão que antecede a noite de Natal.

    Prédio da Prefeitura municipal de Ponta Porã - MS, construção iniciada na Gestão do Então Prefeito da época Aires Marques sua estrutura lembra a letra AM que gerou polêmica neste período histórico do desenvolvimento de Ponta Porã, por lembrar as iniciais da letra de Aires Marques, que se defendeu do equivoco dizendo que AM do Prédio Municipal era de "Administração Municipal" , isso em outras épocas. Foto década de 90.

    Na década de 70 quando foi inaugurada a Prefeitura o novo Paço Municipal de Ponta Porã um lindo prédio com praça onde existia uma televisão para a população local ter informações dos noticiários do Brasil e do mundo, fontes e chafariz, que ficavam iluminados com luzes coloridas um show a parte.

    Imagem publicada no livro de Elpídio Reis, Polca churrasco e chimarrão. Rio. 1981: Edifício vista dos fundos da sede da Prefeitura Municipal de Ponta Porã, déc. De 80.

    Toda evolução e importante para o desenvolvimento em determinado período histórico de uma nação, preservar as memórias culturais que marcaram toda uma geração em seu tempo.

    “Que nesse Natal em especial todos possam perceber que vale a pena viver mais um novo ano, por mais dificuldades que a vida possa ter, sempre podemos ter um Feliz Natal”.
    Yhulds Giovani Pereira Bueno.