Motivo foi uma mensagem em rede social do presidente do Sindicato Rural de Rio Brilhante convocando produtores para mobilização contra índios que ocuparam fazenda em Bocajá
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| Índios que lutam por demarcação de área de 12.900 hectares entre Douradina e Itaporã ocuparam fazenda ontem (Foto: Divulgação/Cimi) |
Uma mensagem em rede social, supostamente escrita por um dirigente ruralista de Mato Grosso do Sul, levou o MPF (Ministério Público Federal) a determinar instauração de inquérito policial para apurar possível prática de formação de milícia privada por fazendeiros.
A mensagem convocava para uma mobilização contra índios que ocuparam ontem à noite uma fazenda próxima ao distrito de Bocajá, no município de Douradina, a 296 km de Campo Grande. Em agosto o TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região determinou a retomada do processo de demarcação da área Panambi/Lagoa Rica, de 12.900 hectares, após três anos e meio de paralisação.
“URGENTE MOBILIZAÇÃO. Fazenda invadida no Bocajá. Convidamos todos os produtores rurais para se unirem e se deslocarem até o local. Os interessados em se unirem a essa mobilização favor entrar em contato com Luis Otavio”, dizia, a mensagem, segundo o MPF.
De acordo com a assessoria do Ministério Público Federal, a mensagens em rede social teria sido escrita pelo presidente do Sindicato Rural de Rio Brilhante, Luís Otávio Britto Fernandes, convocando os produtores a promover remoção forçada dos índios. “Os indígenas da etnia guarani-kaiowá reivindicam a área, que eles chamam de Guyrakamby'i”, diz o MPF.
Segundo o órgão federal, a investigação terá por base o artigo 288-a do Código Penal: “Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código”. A pena prevista na lei é reclusão de 4 a 8 anos.
PF anunciou inquérito – Na manhã desta sexta, o delegado-chefe da Polícia Federal em Dourados, Leonardo de Souza, já tinha anunciado que um inquérito seria instaurado para apurar o episódio.
Segundo ele, a PF não mandou equipes ao local porque os agentes estavam envolvidos na Operação Tekoha, feita hoje para combater o tráfico de drogas nas aldeias de Dourados. Entretanto, por solicitação do próprio delegado, a Polícia Militar esteve no local.
O comandante da PM, tenente-coronel Carlos Silva, disse que a situação informada pelos policiais era de os índios estavam bloqueando a estrada entre Douradina e Itaporã e que os fazendeiros teriam “colocado o grupo para correr”. Ele disse não existir ainda confirmação de que os produtores dispararam tiros para amedrontar os índios, como denunciou o Cimi (Conselho Indigenista Missionário).
“Sempre que acontece conflito por terra chamam a Polícia Militar falando que tem índio ferido, índio desaparecido. Ontem mesmo a informação que chegou à Polícia Militar era de que dois índios estavam baleados, mas isso não se confirmou”, afirmou Carlos Silva.
Fonte: campograndenews
Por: Helio de Freitas, de Dourados
Link original: http://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/mpf-determina-inquerito-para-investigar-milicia-de-produtores-contra-indios
