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    18/08/2015

    Ponta Porã Linha do Tempo: Memórias da aviação da fronteira. Comandante Dario Castello

    Nossa fronteira é cercada de histórias e fatos épicos um tanto esquecidos, pouco lembrados na atualidade, mas sempre viva na lembrança daqueles que aqui passaram deixando sua marca sua contribuição para o desenvolvimento desta rica fronteira, acolhedora e cheia de mistérios. 

    Faremos um resgate histórico de um personagem que muito contribuiu para o desenvolvimento da aviação na fronteira, o Militar da FAB Dario Castello, mas antes vamos realizar uma breve cronologia do início da aviação em Ponta Porã. 

    Ponta Porã Linha do Tempo: Foto Arquivo da Família Rodrigues (Francisco Rodrigues in memoriam). Acervo de Carlos Morel. Clube de aviação Deem Asas ao Brasil que existia no início nos fundos do prédio histórico do castelinho na explanada da futura instalação da estação ferroviária NOB, foto do fim da década de 40.

    Segundo registros, documentos históricos e relatos, o inicio da aviação em Ponta Porã iniciou se em sete de setembro de 1941 com a fundação do aeroclube da cidade, o local era onde hoje se encontra a área da estação ferroviária e o castelinho (prédio histórico da cidade), o aeroclube contava nesta época com duas aeronaves, com a expansão da rede ferroviária que se estendia da cidade de Campo Grande, vindo desde a cidade de Bauru no estado de São Paulo, a mesma chegaria à cidade de Ponta Porã, para isso deveria ser construída toda uma estrutura para que fosse concretizado este projeto, este fato gerou na época varias discussões sobre o assunto já que o local destinado para abrigar a futura construção da estação ferroviária seria onde hoje se encontra o atual Aeroporto Internacional de Ponta Porã, para atender a solicitação da população da cidade que não gostaria que a linha atravessasse a cidade podendo causar transtornos na época, solicitou a mudança, que foi realizada através de uma permuta no ano de 1953. Na data de onze de março de 1955 o aeroclube passou ao status de Aeroporto, com isso sua administração foi transferida para a Aeronáutica. 


    Foto histórica do arquivo de Srª Elza Mendes Golçalves 1941: publicado no livro Um Homem de Seu Tempo 2011 de Luiz Alfredo Marques Magalhães, nesta imagem épica registrou um momento histórico para região fronteiriça, “O jornalista Assis Chateaubriand discursa na solenidade de entrega de aviões em Campanário”. Na foto ainda estão Juan Baptista Ayala, Ministro plenipotenciário do Paraguai, Ester Mendes Gonçalves, sobrinha de Franscisco Mendes Gonçalves, Oswaldo Euclides de Souza Aranha, ministro das Relações exteriores, Joaquim Pedro Salgado Filho, Ministro da Aeronáutica, e padrinho do “Piper” Don Francisco, nome do sócio fundador da Cia. Mate Laranjeira, Francisco Mendes Gonçalves”. MAGALHÃES. Luiz A. Marques.

    No ano de 1967 iniciou a construção do terminal de passageiros, visando atender a demanda do crescimento econômico da região de fronteira que, na década de 60, passou da atividade puramente Agro rural, para a exploração da atividade comercial e do turismo de compras de produtos importados mais acentuada, isso se deu com a construção e de novas estradas que de certa forma facilitaria o acesso à região de fronteira.

    Foto divulgação web: A categoria do terminal passou para Internacional, através do Decreto 74.924/1974 (DECRETO DO EXECUTIVO) 21/11/1974, por estar em posição estratégica, localizado na fronteira, em 25/10/1980, foi transferida pelo Ministério da Aeronáutica para a Infraero, através da Portaria 1.190/GM5 de 08/10/1980.
    Arquivo pessoal de Cid Catello: foto tirada ao lado do Aeroporto Internacional de Ponta Porã – MS. Cid Castello com um ano no colo dos pais, Dario Castello que fora comandante por dois períodos do aeroporto de Ponta Porã e Constança Mota Castello, em Ponta Porã década de 60.

    Em dois distintos períodos da história do Aeroporto Internacional de Ponta Porã, o Militar Dario Castello esteve à frente da sua administração no comando, isso ocorreu nos anos de: 1966 a 1971 e retornando novamente no ano de 1977 a 1979. Castello ingressou na vida militar aos 18 anos quando se alistou na Base Aérea de Campo Grande, mas percorreu o Brasil em destacamentos estratégicos podendo ser citados: na Amazônia Serra do Cachimbo e Jacareacanga, em Manaus serviu em na capital Belém, no Amapá neste período teve a oportunidade de conhecer a Guiana Francesa, no Mato Grosso na Capital Cuiabá isso antes da divisão do Estado, em Corumbá e Ponta Porã, vale ressaltar, que o período que esteve destacado em Corumbá atuou como comandante, por ser o militar experiente e com uma folha de serviço prestado a FAB impecável, nada, mas justo que ser ele na época a atuar no comando principalmente em Ponta Porã, para a felicidade da região fronteiriça. 

    Arquivo pessoal de Cid Castelo: Cid com um ano e cinco meses, em frente a um avião B-25, no Aeroporto de Ponta Porã, na época em que seu pai, Dario Castello, comandava o destacamento de Aeronáutica na cidade .em Ponta Porã.

    Aos seus 82 anos de vida o senhor Dario Castello lembrava com carinho da sua passagem na fronteira de Ponta Porã e de amigos pilotos de outras épocas e suas façanhas, uma história relatada por Castello em especial, chamou atenção, do piloto da época Lincoln Paiva, este piloto tinha uma habilidade acima da média segundo relato. 

    Lincoln Paiva morava neste distinto período histórico de Ponta Porã em uma bela casa de madeira em frente ao Aeroporto, na entrada da casa existia uma bela figueira, Castello segue relembrando que além de exímio piloto era excelente mecânico e um grande conhecedor da aviação, Lincoln Paiva era natural do Estado de São Paulo e chegou a Ponta Porã para trabalhar na estrada de ferro, mas se desligou tempo depois, tirou o brevê de piloto comprou um avião e atuou por muitos anos na aviação comercial de pequeno porte.

    Um fato inusitado ficou gravado na memória do senhor Dario Castello, que relata: certo dia quando estava dormindo ouviu um barulho de caminhão que estava entrando no Aeroporto, rapidamente se levantou e foi verificar do que se tratava já que permissão o mesmo não tinha, o estranho que era um caminhão de tora de madeira sem as toras, mas com um charuto em cima, o charuto era parte da fuselagem do avião de Lincoln ele não conseguiu aterrissar na pista, pois era noite e havia muito nevoeiro, algo corriqueiro na nossa fronteira, com isso ele fez uma manobra e aterrissou em uma fazenda, como era mecânico desmontou seu avião retirando as asas, pediu ajuda ao fazendeiro, colocou o charuto e as asas no caminhão de tora, que transportou até o Aeroporto, senhor Dario Castello não se surpreendeu, pois se tratando de Lincoln Paiva um “as” da aviação nesses tempos tudo era possível, pois ele conseguia decolar de dia ou noite, com tempo bom ou fechado, o que rendeu muitas histórias de acontecimentos acorridos com Lincoln Paiva. 

    Esse entre outros feitos nos dias de hoje e algo muito difícil de ocorrer. Esse fato que ficou gravado somente na memória de poucos privilegiados que puderam estar presente e conviver com esses personagens da nossa fronteira, hoje já esquecidos, mas vivos nas memórias deste Militar nato de uma carreira invejável difícil de encontrar nos dias de hoje, o senhor Dario Castello, que lembra também de outros amigos como: Djalma e Mauro Pinto Costa excelentes pilotos em suas épocas e Hervê Roncatti que nessa época era membro da DAC (Departamento de Aviação Civil) dentre tantos outros que ele guarda com carinho em suas recordações.

    Outro fato que chama atenção, relatado pelo senhor Dario Castello, diz respeito à localização do Aeroporto e ao posicionamento da pista principal, para se pousar em uma de suas cabeceiras (o que é determinado pelas condições de clima e vento), a aeronaves invadem o espaço aéreo do país vizinho no caso o Paraguai, assim, se um dia o Brasil romper relações com o Paraguai ou vice-versa, algo que se espera nunca acontecer, não poderá se utilizar a pista do Aeroporto para pousos, na cabeceira que fica ao lado da "linha", algo que não foi pensado na época de sua construção, ressaltou o senhor Dario Castello.

    Dario Castello, Militar, aposentando após 30 anos de serviços prestados à FAB, morou com sua família na capital Campo Grande tinha uma memória e lucidez invejáveis, homem discreto e reservado um exemplo a ser seguido. Comandante Dario Castello faleceu pouco tempo depois de relatar tais acontecimentos, no ano de 2013.

    A rememoração histórica de fatos e acontecimentos passados é a melhor forma de preservar a memória de uma nação e seu futuro. Respeitar o passado é respeitar a si mesmo.

    Para obter tais informações memoráveis, a colaboração do meu amigo Cid Castello foi especial, nas coletas de dados junto ao seu pai.


    “A graça e um dom celeste” Assis Chateaubriand