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    07/05/2015

    Encontro em Dourados celebra crescimento de 25% do empreendedorismo feminino em MS


    Pesquisa realizada pelo Sebrae aponta ainda que mais de 50% das novas empresas são iniciadas por mulheres.


    Divulgação

    O empreendedorismo feminino ganhou força em Mato Grosso do Sul e apresentou um crescimento de 25% nos últimos anos, segundo a pesquisa “Mulher Empreendedora em MS” realizada pelo Sebrae. De acordo com o relatório, aproximadamente 53% das empresas criadas de cinco anos para cá no estado foram iniciadas por mulheres. O número é maior do que a média nacional, de 50%. 

    Os dados foram apresentados pela diretora técnica do Sebrae/MS, Maristela de Oliveira França, que esteve em Dourados nesta quarta-feira, 6 de maio, onde reuniu dezenas de empresárias para trocas de experiência sobre práticas inovadoras e incentivo ao ingresso no mundo dos negócios; durante o evento “Mulher de Negócios - Empreendedorismo Feminino em Pauta”. O encontro trouxe como tema: “Desafios da vida pessoal e profissional”. O encontro contou com bate-papo com a diretora executiva do jornal “O Progresso”, June Ângela Torres; a proprietária da Livraria Canto das Letras, Tereza Bressan de Souza; e Silvia Maria Alves Moraes, do Centro de Análises Clínicas Dr. J.P Mansor. 

    Maristela França justifica o crescimento do empreendedorismo feminino. Segundo ela, mais mulheres estão vencendo a barreira da insegurança de estar à frente de um negócio. “Há um pensamento que não concordo que é aquele em que a mulher está ocupando o espaço dos homens. Trata-se de uma relação saudável de interdependência e de complementariedade com as habilidades masculinas. Analiso como um espaço que o mundo atual preparou para a mulher e que exige que ela se apresente através de suas competências, habilidades e atitudes que são diferentes e complementares às dos homens”.

    De acordo com a diretora, hoje em MS são mais de 103 mil empreendedoras. A maioria, 54,6%, tem idades entre 40 e 64 anos, que são aquelas que após um período dedicado à família estão decidindo voltar ao mercado de trabalho. As principais atividades desenvolvidas por elas estão concentradas no comércio. 

    O evento “Empreendedorismo Feminino em Pauta” ocorre desde 2013 no estado e é originário do “Empreendedorismo Rosa”, cuja primeira apresentação aconteceu também em Dourados. No ano passado, dois grandes eventos foram realizados em Campo Grande e um em Naviraí. Segundo Maristela, a proposta deste ano é para que haja um grande evento em cada região de Mato Grosso do Sul.

    “Nós também estamos aproveitando estes encontros para divulgar o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios e já notamos um aumento significativo nas inscrições. A iniciativa é um incentivo para que as empreendedoras contem, escrevam suas histórias e concorram entre si em âmbitos estadual e nacional. O resultado disso é mais mulheres abrindo sua empresa, procurando conhecer o projeto e todos os serviços que são disponibilizados a elas pelo Sebrae para que entrem no mercado e permaneçam. Além disso, são exemplos para que todas nós tenhamos consciência de que é possível estar a frente de um negócio sem deixar de ter os outros papéis: de esposa, de mãe, de amiga, de filha, entre outros; já que ela tem esta habilidade”, explica.

    Maristela orienta que o primeiro passo para a mulher entrar no mundo dos negócios é procurar ajuda profissional. Neste sentido, terá à disposição uma gama de serviços oferecidos pelo Sebrae, como o projeto “Nascer Bem”, que vai desde orientação individual até palestras, atendimento coletivo e treinamento para elaboração do Plano de Negócios. “Para as mulheres que já estão no mercado também temos consultorias específicas que vão até a empresa dessas empreendedoras, analisam e depois fazem uma proposta específica de atuação naquele empreendimento”, diz.

    Histórias de sucesso

    Durante o encontro, empreendedoras de sucesso da região sul do estado falaram sobre suas experiências no mundo dos negócios. June Torres, diretora executiva do Jornal O Progresso, contou a história do periódico e o que foi feito para impulsionar as vendas. “Trata-se de uma empresa familiar em que a grande empreendedora é a minha mãe que teve que assumir os negócios logo após a morte do meu pai em 1969. Dentre as estratégias que utilizamos destaco a identificação do que era necessário melhorar e a procura por ajuda profissional especializada para alcançar estes objetivos. Também buscamos a inovação e formas de ampliar nosso público, criando projetos que levaram o jornal para quem não tinha acesso, como os estudantes, por exemplo, através do programa ‘Jornal e Educação’. Acreditamos que nosso negócio pode ser mais do que um meio de comunicação. É um vínculo entre as pessoas, criando cultura e educação”, destacou June Torres.

    Silvia Maria Alves Moraes, do Centro de Análises Clínicas Dr. J.P Mansor, comentou como conseguiu equilibrar a vida profissional e pessoal. Ela, que é professora por formação e lecionava, teve que decidir entre sua carreira e o negócio da família. “Chegou um ponto na vida que vi que o melhor a se fazer era ajudar o meu marido na empresa e descobri dentro de mim uma habilidade que estava adormecida: a de gestora financeira. O segredo é estar junto sempre. O casal deve ser parceiro nos negócios”, ensina.

    A proprietária da Livraria Canto das Letras, Tereza Bressan de Souza, diz que uniu sua paixão por leitura ao mundo profissional. Ela disse que antes de abrir a empresa passou oito meses estudando a viabilidade e como funcionava o mercado do livro. “Definimos que nossa livraria deveria inovar e não ser apenas um espaço que tivesse livros, mas que as pessoas pudessem tomar um café e que os empresários pudessem se reunir para tratar de negócios. Além destes espaços, criamos um local de ‘contação’ de histórias para as crianças, que começou com atividades uma vez por mês e vai ampliar para toda a semana devido à procura”, destaca.

    Pela primeira vez acompanhando o encontro, a culinarista Elaine Campione afirmou ser uma grande oportunidade para buscar conhecimento. Ela conta que como a maioria das mulheres decidiu voltar ao mundo dos negócios depois de dedicar anos à família. Para conciliar o papel de mãe, esposa e empreendedora ela decidiu trabalhar em horário específico, no mesmo período do esposo. Em casa, ela produz bolos, tortas e salgados para festas. “Há 20 anos, quando encomendei o bolo de aniversário do meu filho e o produto chegou azedo, decidi que eu mesma iria fazer estes doces e salgados. Foi um sucesso e as amigas começaram a pedir encomendas. Aperfeiçoei-me através de cursos e hoje tenho orgulho de dizer que meu trabalho é reconhecido em Dourados”, lembra.

    A empresária Corina Maria da Silva Bueno, que atua no ramo do vestuário, diz que buscou no evento uma inspiração para vencer os principais obstáculos do seu negócio. “A minha primeira tentativa de abertura de loja não deu certo. Estou tentando novamente, com novos desafios que são os altos impostos, a falta de mão de obra especializada e a concorrência com empresas de grande porte. Aqui, neste encontro, busco respostas de como impulsionar minhas vendas para amenizar estes problemas”, finaliza.



    Fonte: ASSECOM/SEBRAE-MS