Múltiplas ideias porém um grande consenso: a solução para a grave crise econômica enfrentada pela mandiocultura do nosso Estado passa necessariamente pela valorização do produto no mercado.
O argumento norteou os discursos de praticamente todos os convidados e demais participantes da audiência pública “Aspectos Econômicos na Cadeia Produtiva da Mandioca em MS”, promovida pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Políticas Rural, Agrária e Pesqueira na tarde de hoje (7) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Na mesa, representantes do setor produtivo, comercial, industrial, panificadoras, moinhos, fecularias, líderes do legislativo municipal e estadual, além de autarquias e secretarias governamentais e federais. Na plateia, pequenos e médios produtores ouviam atentamente todas as argumentações e, na segunda e última etapa da audiência, tiveram a oportunidade de participar e enriquecer o debate.
O secretário da Sepaf (Secretaria de Produção e Agricultura Familiar), Fernando Lamas, iniciou sua participação exaltando a mandiocultura e seu importante papel não só econômico como social para o Estado.
“Temos que debater aqui estratégias duradouras para que a cultura da mandioca possa continuar contribuindo na geração de renda do Mato Grosso do Sul, afinal trata-se de uma cultura típica de pequenos agricultores e extremamente importante, econômica e socialmente”, disse.
“Os problemas são sempre os mesmos, dizem respeito à sazonalidade do preço ao longo dos anos. Precisamos buscar alternativas para minimizar esse problema, que sempre deixa seqüelas profundas no lado mais fraco, que é o produtor”, acrescentou.
O secretário da Associação Estadual de Produtores de Mandioca, Osvaldo Gardonha, elogiou a iniciativa da audiência pública e defendeu um tratamento mais digno ao setor produtivo da mandioca. “Somos tratados de qualquer forma e as agências bancárias lidam com o produtor caso a caso. Temos de implantar linhas de crédito específicas para o setor como um todo, pois este é um segmento que gera muitos empregos e cria divisas para o nosso estado”, disse.
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| Foto: Rubens Moreira Neto |
Gardonha elogiou também a minuta do Projeto de Lei do deputado João Grandão, assunto que dominou a maior parte do debate e que determina a obrigatoriedade da adição de até 10% da farinha de mandioca refinada ou fécula de mandioca à farinha de trigo na produção no pão francês e similares no Mato Grosso do Sul.
“Se não for por iniciativas como essas não há como concorrer com o lobby da indústria de milho ou a poderosa indústria do trigo. Nossa realidade hoje é que vendemos o quilo da fécula por R$ 1 e para produzir está R$ 1,20, insustentável!”, argumentou. “Imagina o Brasil todo colocando 3% de fécula da mandioca, iria triplicar a produção da mandioca. Hoje as padarias já utilizam a fécula, é só acrescentar ao pãozinho francês também. Não sei se de forma facultativa resolveria. Mas, seja lá qual for o encaminhamento, se não iniciarmos esse debate nunca vamos valorizar o produto no mercado”.
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| Foto: Rubens Moreira Neto |
Outra solução apontada na audiência foi o aumento das compras institucionais da mandioca, para creches, escolas e hospitais públicos, além de compra direta do produtor. “A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) poderia fazer a compra direta do produtor, isso já ajudaria a melhora a situação, pois temos armazéns com uma média de 200 mil a 300 mil sacas”.
Defendida por alguns e criticada por outros participantes, a exportação do produto foi tema também da audiência. “A exportação hoje é totalmente inviável. E sempre será enquanto o governo não estabelecer um preço mínimo. O produtor não vai plantar e, não plantando, não há como fazer contrato de exportação com ninguém”.
Outras saídas foram apontadas, como o desenvolvimento de variedades produtivas de mandioca, resistentes e adaptadas com alto desempenho industrial; adoção de políticas de inclusão de mercado para produção da agricultura familiar; ampliação do crédito e prorrogação do prazo de pagamento para os pequenos produtores nas instituições financeiras ; e aprimoramento da assistência técnica.
Ao final do evento, o vice-presidente da Comissão de Agricultura, João Grandão, elogiou o debate e se comprometeu a dar continuidade à discussão dentro de 15 dias, com uma nova reunião para debater propostas efetivas.
“Queremos fazer um debate envolvendo toda a sociedade. E com um viés não apenas econômico, mas também social, valorizando o produto no mercado e tratando o produtor como um importante elemento na cadeia da mandiocultura”, disse. “Todos tem que ganhar e o papel do Legislativo é estimular esse debate e propor políticas públicas que garantam mais dignidade ao trabalhador e uma melhoria da qualidade de vida para todos que vivem dessa importante cultura no nosso Estado”, finalizou.
Fonte: ASSECOM
Por: Daniel Machado Reis
Fotos: Rubens Moreira Neto


