Vivendi terá participação indireta na Vivo e na TIM; serviços podem piorar
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RIO - A venda da GVT para a espanhola Telefónica acendeu o sinal de alerta de órgãos reguladores e especialistas de mercado. O que preocupa a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em relação ao acordo de € 7,2 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões) assinado ontem é a participação de 7,4% que a francesa Vivendi, dona da GVT, passa a ter na Telefônica Brasil, dona da Vivo, e de 8,3% na Telecom Italia, que controla a TIM.
— Temos que saber quais os poderes da Vivendi. É sobre isso que a Anatel e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) devem se debruçar — afirmou uma fonte da Anatel.
Analistas temem piora na qualidade dos serviços prestados pela GVT.
Atualmente, a Telefónica é acionista da Telecom Italia, participação da qual a companhia tem que se desfazer, por determinação do Cade. O cerne da questão é se a participação cruzada do grupo espanhol em duas empresas — Vivo e TIM — encerra-se com o acordo com a Vivendi ou se o problema simplesmente está sendo transferido para a companhia francesa.
Do ponto de vista concorrencial, no entanto, não há preocupação, segundo a fonte, já que a GVT não atua no segmento de telefonia móvel e as áreas de oferta de serviços se sobrepõem à da Telefônica apenas em São Paulo.
— O cliente da GVT foi o grande perdedor dessa história — afirma André Leite, sócio-gestor da TAG investimentos. Ele considera que a tendência é que os serviços da GVT piorem, uma vez que a Telefônica é menos eficiente.
— É uma pena que a GVT saia do mercado — ressalta um especialista que pediu para não ser identificado.
Uma fonte da GVT disse que a expectativa é que a qualidade dos serviços seja preservada.
Fonte: OGlobo/JE
Por: Karla Mendes