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    19/09/2014

    REINCIDENTES: Em vídeo de 2010, homens multados esta semana perseguem sucuri

    Roberto Borges, conhecido como Betinho, aparece no vídeo segurando o rabo da cobra
    (Foto: Reprodução/ Youtube)

    Parece o mesmo vídeo, mas não é. Outra gravação mostra a ação de quatro homens em um barco perseguindo uma sucuri e manipulando o animal no Rio Santa Maria, em Maracaju, a 160 quilômetros de Campo Grande. Dois deles foram autuados ontem (18/9) pelo mesmo crime, no mesmo rio. Segundo a PMA (Polícia Militar Ambiental), os reincidentes serão multados novamente e os outros dois homens que aparecem nas imagens serão identificados e também autuados.

    Roberto Borges, conhecido como Betinho pescador, e Rodrigo de Miranda Santos, conhecido como Farinha, aparecem no vídeo perseguindo a cobra em uma gravação feita em 2010, publicada na rede Youtube. Eles foram multados ontem, em R$ 1,5 mil, por também terem perseguido uma sucuri no último domingo (14/9). O vídeo do fim de semana passado foi publicado na noite de terça-feira (16/9) na rede social Facebook, na página da esposa de Betinho, Sirlei Oliveira. Ela também foi multada. 

    No vídeo de 2010, com mais de oito minutos de duração, é possível ver as mesmas cenas da denúncia recente. A filmagem mostra o grupo cutucando o animal com o remo do barco e Betinho aparece segurando a cobra pelo rabo. A cobra tenta se soltar, mas o quarteto insiste, como mostra a gravação. Nas duas vezes, a cobra havia acabado de se alimentar, o que evitou um possível ataque.

    No vídeo de 2010, Farinha e Betinho, acompanhados de outros dois homens, falam até em amarrar o rabo do animal. Nitidamente, eles se divertem com a perseguição. Conforme a PMA, os dois serão autuados novamente pelo mesmo crime. O valor da multa não foi divulgado. 

    Em entrevista ao Campo Grande News, na última quarta-feira (17/9), Farinha não mencionou a filmagem de 2010. Ele disse que nunca tinha visto uma sucuri e que manipulou a cobra porque se impressionou com o tamanho dela. Segundo a PMA, a última sucuri media, aproximadamente, 5 metros de cumprimento.

    Sucuri - Segundo o major da PMA Edmílson Queiroz o ataque do grupo à sucuri causou estresse ao animal. Se casos como este forem frequentes, até mesmo a mudança do habitat natural pode acontecer por causa da perseguição. “O animal poderia ter regurgitado o alimento para ter mais agilidade para se defender, mas isso seria um pouco mais difícil”, explicou.

    O major disse ainda que os animais só atacam em três situações- na defesa de filhotes, em caso de fome extrema ou ao se sentirem acuados. “Existem também ataques em caso de mudança de comportamento, mas são exceções”.

    A sucuri não está na lista de animais em extinção divulgada pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Retornáveis). Predador, o animal é responsável por promover o equilíbrio entre populações. Se alimenta de bichos como capivaras, veados e até jacaré. Mas também serve de alimento para os répteis, quando são maiores que ela.

    Defesa- Surpreso com a nova informação, o advogado que representa Farinha e Betinho, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que primeiro vai analisar a veracidade do vídeo, já que ainda não assistiu para depois se posicionar.

    Veja o vídeo:






    Fonte: campograndenews/JE
    Por: 
    Luciana Brazil