A vida e seus mistérios, o novo se mistura com o velho, lendas, causos, histórias, fatos do dia a dia, contos que se perpetuam pelos tempos, contados pelos anciões de outras épocas, que a muito já se fazem esquecidas pelas novas gerações, que quase não se importam com essas lendas e os mistérios que a cercam. Vamos resgatar a lenda da “Prometida” mais conhecida como “A mulher de branco”.
O fato se passou no começo da década de 50, era período de festa, seria comemorada a finalização do prolongamento da estrada de ferro que ligava Bauru (SP) a cidade de Campo Grande (MT), se estendendo a cidade de Maracaju (MT) e finalizando na fronteira na cidade de Ponta Porã (MT), muita festa, muita alegria os fronteiriços em polvorosa, pois a “Maria Fumaça” estava chegando, uns com muito medo do bicho feio que era muito barulho e fumaça, outros corriam e gritavam, seria coisa do outro mundo! Não, era o som do progresso chegando à fronteira.
| Trem inaugural chega a Maracaju com festas em 1944. A linha somente chegava, na época, até a cidade de Maracajú. (Acervo Wanderley Duck). |
O terminal ferroviário estava pronto com toda sua imponência, existia também a pousada para os ferroviários que chegavam e tinham que fazer o pernoite, o galpão da oficina para dar a devida manutenção aos “trens”, tal estação servia de encontros para os jovens, de despedidas e recepções a quem partia e chegava de viajem, tudo era cercado de muita festa e desfiles de lindos trajes dos senhores e senhoras da sociedade fronteiriça, era um local de referência a todos a “NOROESTE DO BRASIL”.
Mas como surgiu a lenda da “Mulher de Branco” que aparecia nas redondezas da estação ferroviária. Esse mistério teve inicio no começo da década de 50 quando em certo dia onde estariam presentes autoridades para realizar as inaugurações da estação e a chegada da “Maria Fumaça” trazendo seus passageiros e figuras ilustres da política, como também mercadorias para o comercio local, tudo era cercado de muita festa.
Neste período tudo era muito rígido moça não podia andar desacompanhada, as boas maneiras e bons costumes eram regras a ser seguido, o respeito valia, e nestes tempos muitos noivados e casamentos eram arranjados em acordos realizados pelas famílias da região e de outras localidades, muitos conheciam seu futuro marido ou futura esposa, no dia do casório, amor, paixão, não entravam no negocio.
Neste dia conta à lenda que uma família da região fronteiriça levou sua única filha já vestida de noiva para encontrar o seu futuro marido que vinha da cidade de Campo Grande junto com sua comitiva pronta para chegar e realizar o casório, muita expectativa por parte dos pais, menos da noiva que tinha se apaixonado por um rapaz, que a família nem queria por perto por ele ser de pouca posse, mas sem que os pais soubessem a noiva tinha combinado com rapaz de fugir quando a Maria Fumaça “trem” estivesse chegando aproveitando a empolgação de todos.
Nesses tempos a condução era cavalo ou carroça “charrete”, carro só para aqueles de grande posse financeira, a família da noiva tinha ido à estação a cavalo e carroça, segundo conta à lenda os pais apearam do cavalo e amarraram perto do trilho a moça ficou no lombo do cavalo a espera da “Maria Fumaça” trem que trazia seu futuro marido, quando a “Maria fumaça” apontou ao fundo da estação anunciando sua chegada com muito barulho, apitos ensurdecedores e fumaça para todos os lados, muitos correram em campo aberto, outro ficaram parados observando, os cavalos relinchavam se debatendo com a barulheira, outros saiam a galope fugindo do bicho feio, nesse entrevero todo eis que a noiva sumiu no meio da fumaça, conta à lenda que quando tudo acalmou os pais da noiva assustados viram que o cavalo onde estava sua filha sumira, sendo encontrado depois no meio dos trilhos morto todo despedaçado, pois o trem passara por cima, o vestido foi encontrado ensanguentado, a moça que nunca mais fora vista por ninguém da região, uns dizem que ela morreu despedaçada outros que ela fugiu com o seu amor, mas fato que tempos depois deste acontecido, muitos viajantes e fronteiriços começaram a ver a “Mulher de Branco” que acompanhava quem se atrevia a atravessar a estação “NOROESTE DO BRASIL” sozinho para cortar caminho, se é verdade ou não muitos não pagam para ver a tal assombração da “Mulher de Branco” que até os dias de hoje arrepia os mais corajosos da fronteira.
Resgatar causos e lendas de um povo, região uma nação e manter sempre acessa a chama do imaginário nas novas e futuras gerações, para que tais memórias nunca se apaguem da história.
