Notícias, acidentes, economia, política, policial, concursos, empregos, educação, ciência, saúde e cultura.

CG,

  • LEIA TAMBÉM

    04/09/2014

    Intenção não era ofender, diz à polícia jovem flagrada em ato de racismo

    Patrícia Moreira prestou depoimento nesta quinta-feira (4/09) em Porto Alegre.Investigada pelo crime de injúria racial, ela chegou ao local chorando muito.


    Delegado Cleber Ferreira ouviu Patrícia Moreira nesta quinta
     (Foto: Tatiana Lopes e João Laud/G1 e RBS TV)

    Logo depois do depoimento prestado por Patrícia Moreira, a jovem que foi flagrada por câmeras de TV chamando o goleiro Aranha, do Santos, de "macaco", o delegado Cleber Ferreira, diretor da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre, comentou a conversa entre a torcedora e a polícia. Segundo ele, Patrícia afirmou que não teve a intenção de ofender o atleta.

    "Ela não nega as palavras, mas a intenção não era ofender, ela foi no embalo da torcida. Ela explica que tem canções e o próprio Inter se chama de macaco", afirmou o delegado.

    Patricia Moreira chega à delegacia em Porto
    Alegre (Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS)
    Uma semana após se envolver em episódio de injúrias raciais contra o goleiro Aranha, a torcedora compareceu à 4ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Alegre para prestar depoimento, na manhã desta quinta-feira. Chorando muito, ela chegou ao local por volta das 10h acompanhada do advogado e de um dos irmãos. Durante a passagem da jovem por entre jornalistas e curiosos, ouviu-se um grito de "racista".

    Patrícia é a sexta torcedora a prestar depoimento sobre o caso. Seu pronunciamento, que durou cerca de uma hora, era o mais aguardado pela grande exposição que teve ao ter sua imagem mostrada pelo canal ESPN chamando o goleiro do Santos de "macaco" na última quinta-feira (28/8), na vitória do Santos por 2 a 0 sobre o Grêmio, pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

    O delegado tem 30 dias para concluir o inquérito sobre o caso. Caso seja necessário, Patrícia pode ser chamada novamente para depor.

    Representantes de movimentos negros compareceram à delegacia para protestar durante o depoimento. "Estamos cheios desse racismo das torcidas organizadas. Essas torcidas têm que ser extinguidas", disse Flaviana Santos de Paiva, presidente do movimento Unegro.

    Já mais calma após falar com o delegado, Patrícia saiu do local por volta das 11h acompanhada do irmão Nei e do advogado e entrou no carro sem falar com a imprensa. Cerca de 6 manifestantes a esperavam na rua e gritaram "Vem xingar o macaco" e "racista".

    Um esquema de segurança foi montado ao redor da delegacia, a pedido da Polícia Civil. "Chamei o GOE (Grupo de Operações Especiais) para proteger a menina, principalmente depois da situação do Grêmio, da decisão (que resultou na eliminação do clube da competição nacional)", afirmou o delegado Herbert Ferreira ao G1 antes da chegada da torcedora.

    Até agora, seis prestaram esclarecimentos. Na quarta (3), foram três: Rodrigo Rysdyk, líder da torcida Geral do Grêmio, e os torcedores Fernando Ascal e Éder Braga. Os dois últimos também aparecem nas imagens de TV durante as ofensas ao goleiro do Santos.

    Segurança foi reforçada em delegacia de Porto Alegre (Foto: Tatiana Lopes/G1)

    Mais cedo, o delegado Herbert Ferreira afirmou estar "mais ou menos" satisfeito com os depoimentos colhidos aqui. "A investigação está evoluindo, tem mais gente para ser ouvida. É que o pessoal mais próximo da grade não colabora, né. Diz que não viu e não ouviu nada. Um dos que vieram ontem estava grudado no guarda-corpo, mandei as imagens a ele, mas ele disse que não viu nada, ninguém xingando o goleiro. Mas claro, eles sao orientados pelo advogado", relatou.

    Diante da repercussão sobre o caso, Patrícia evitou dormir em casa nos últimos dias. A jovem, que no dia seguinte ao episódio perdeu o emprego na clínica odontológica da Brigada Militar, em Porto Alegre, se refugiou em residências de parentes e amigos para evitar retaliação. Nem a mãe diz saber de seu paradeiro. Na sexta-feira, pedras foram jogadas em direção à casa onde mora.

    Entenda o caso

    O incidente no jogo entre Grêmio e Santos, na Arena do Grêmio, ocorreu aos 42 minutos do segundo tempo, quando Aranha reclamou com o árbitro Wilton Pereira Sampaio, alegando ter sido vítima de xingamentos por parte da torcida. O juiz mandou a partida seguir, mesmo sendo alertado por jogadores do Santos dos incidentes que ocorriam fora de campo.


    Câmera de TV flagrou Patrícia chamando goleiro do
    Santos de "macaco" (Foto: Reprodução/ESPN)
    A jovem mostrada pelas imagens do canal ESPN foi afastada do trabalho no Centro Médico e Odontológico da Brigada Militar. Patrícia Moreira era funcionária de uma empresa terceirizada e prestava serviços de auxiliar de odontologia na clínica da polícia militar gaúcha. As imagens da torcedora ofendendo o goleiro santista começaram a circular pelas redes sociais logo após a partida. Aranha registrou boletim de ocorrência na 4ª Delegacia de Polícia na sexta (29).

    As injúrias raciais proferidas por torcedores gremistas contra o goleiro tiveram mais um desdobramento. Em julgamento nesta quarta-feira (3/09), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu, por unanimidade, excluir o Grêmio da Copa do Brasil. No primeiro duelo das oitavas da Copa do Brasil, os paulistas bateram os gaúchos por 2 a 0. O jogo de volta já havia sido suspenso até o julgamento do caso no STJD.





    Do G1 RS/JE
    Por: 
    Luiza Carneiro e Tatiana Lopes