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    19/08/2014

    Procurado há três anos, Roger Abdelmassih é preso no Paraguai

    Médico Roger Abdelmassih vivia no Paraguai - Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

    SÃO PAULO e RIO - Foi preso na tarde desta terça-feira o médico Roger Abdelmassih. A prisão ocorreu por volta de 13h perto da escola onde o médico ia deixar os filhos junto com a mulher Larissa, no Paraguai, e foi confirmada pela Polícia Federal (PF), em Brasília. Em nota, a PF diz que a prisão aconteceu em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad).

    Abdelmassih vivia em Assunção, capital do Paraguai, com a mulher e dois filhos gêmeos, de três anos — um menino e uma menina. Ele será transferido ainda hoje para Foz do Iguaçu. Provavelmente nesta quarta-feira, será levado para São Paulo. A PF, no entanto, diz que a transferência para a capital paulista acontecerá “em data a ser confirmada”,

    Roger Abdelmassih foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres. Especialista em reprodução assistida, teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo.

    O médico foi denunciado pela primeira vez em 2008, por uma ex-funcionária, e foi preso em 2009. No entanto, obteve o direito de responder ao processo em liberdade, graças a um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

    Ele estava foragido desde janeiro de 2011 e listava entre os dez mais procurados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo. Também estava no rol da Interpol. Os bens da família, um total que seria de R$ 18 milhões, estão bloqueados na Justiça.

    Pouco antes de o médico fugir, sua defesa chegou a protocolar um pedido de retenção do passaporte no Supremo Tribunal Justiça (STF), como forma de demonstrar que ele não tinha intenção de sair do Brasil. No entanto, a medida não impediu a fuga de Abdelmassih. Durante o período em que ficou foragido, a defesa chegou a apresentar pedidos de habeas corpus em nome do médico, mas todos foram negados.

    Depois da primeira denúncia, dezenas de pacientes com idades entre 30 e 40 anos disseram ter sido molestadas na clínica do médico, sempre quando estavam sozinhas e, algumas vezes, após serem sedadas. O médico sempre negou ter praticado os crimes sexuais contra ex-pacientes.

    A prisão do médico, segundo o Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo, aconteceu após promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Bauru, no interior paulista, iniciarem investigação para apurar novos crimes praticados por Abdelmassih, entre eles favorecimento pessoal, falsidade ideológica e falsidade material. De acordo com o MPE, ao longo da investigação foram realizadas, junto com a Polícia Civil paulista, diligências em cidades do interior paulista, entre elas Avaré, em maio deste ano, onde o médico tem uma propriedade rural.

    Ainda segundo o MPE, as investigações apontaram que um dos possíveis paradeiros do médico seria o Paraguai. A Polícia Federal desvendou o paradeiro do médico graças à informação. O compartilhamento de provas com a PF foi autorizado pela Justiça paulista.

    "O Ministério Público aguarda que o sentenciado Roger Abdelmassih seja apresentado às autoridades de São Paulo para cumprir a pena que lhe foi imposta pela Justiça", informou o MPE em nota divulgada nesta terça-feira.






    Fonte: Extra/JE
    Por: 
    Antônio Werneck, Thiago Herdy e Leonardo Guandeline - O Globo