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    15/08/2014

    Franco-argelino suspeito de integrar máfia de ingressos é libertado no Rio

    Grupo é acusado de vender ilegalmente ingressos para a Copa do Mundo. Decisão é do mesmo ministro que concedeu liberdade a CEO da Match.


    Fofana deixa presídio ao lado de advogado (Foto: Tiago Ramos/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

    O franco-argelino Mohamed Lamine Fofana, preso por suspeita de integrar uma quadrilha internacional de cambistas que vendia ingressos para a Copa do Mundo, foi libertado nesta sexta-feira (15/8) no Rio. Ele deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, após a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) receber o alvará de soltura. O habeas corpus que beneficia Fofana e outros nove réus no processo foi concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira (8). Na decisão, o ministro afirma que a prisão dos acusados não era necessária para garantir a ordem pública.

    Fofana na saída da cadeia (Foto: Henrique
    Lima / Reprodução / Globo)
    Na quinta-feira (14/8), Marcelo Pavão da Costa Carvalho já havia deixado a prisão. Os demais réus devem sair do Complexo Penitenciário de Gericinó ainda nesta sexta. Até as 12h30, apenas Fofana havia deixado o presídio, dentre os suspeitos que ainda estavam presos.

    Em 5 de agosto, o ministro já havia concedido liberdade a outro suspeito de participar da quadrilha: o inglês Raymond Whelan, executivo da Match, empresa que vendia pacotes para jogos da Copa. A decisão foi, posteriormente, estendida aos demais presos.

    O esquema

    No dia 1º de julho, policiais da 18ª DP (Praça da Bandeira) prenderam 11 pessoas na operação "Jules Rimet".

    Em 7 de julho, Raymond Whelan chegou a ser preso, mas foi solto na madrugada do dia seguinte depois de obter um habeas corpus na Justiça do Rio. Com a prisão preventiva decretada, ele se entregou à polícia e foi levado para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, onde já estavam presos os demais réus do processo. No dia 6 de agosto, após a liminar do STF, Whelan deixou o presídio.

    O único réu que não teve a prisão preventiva decretada foi o advogado José Massih por colaborar com as investigações.

    Com a listagem de celulares da Fifa em mãos, um dos agentes policiais digitou no aparelho celular apreendido do argelino Lamíne Fofana o prefixo 96201, que precede os telefones da entidade. Apareceu, então, o nome "Ray Brazil", para o qual havia 900 registros entre telefonemas e mensagens. Ao todo, a operação está lendo e escutando 50 mil registros telefônicos, dos quais mais de 50% já foram apurados.

    Segundo as investigações, três empresas de turismo localizadas em Copacabana, interditadas pela polícia, faziam contato com agências de turismo que traziam turistas ao país e vendiam ingressos acima do preço.

    Eram ingressos VIPs, fornecidos como cortesia a patrocinadores, a Organizações Não Governamentais (ONGs) e também destinados à comissão técnica da Seleção Brasileira – desde bilhetes de camarotes até entradas de assentos superiores. Uma entrada para a final da Copa no Maracanã chegava a custar R$ 35 mil e a quadrilha faturava mais de R$ 1 milhão por jogo.

    Segundo a polícia, Fofana também conseguia entradas vendidas pelos agentes oficiais da categoria "hospitalidade", pacotes de luxo, controlados pela Match Hospitality. Até carro forte foi usado para abastecer a quadrilha que vendia entradas para todos os jogos da abertura à final do torneio.

    Segundo o delegado Fábio Barucke, responsável pelo caso, os presos já atuaram em pelo menos quatro mundiais e estimativas apontam que a quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milhões por Copa do Mundo.

    Os presos

    Além de Fofana e Whelan, chegaram a ser presos o policial militar reformado Oséas do Nascimento; Alexandre Marino Vieira; Antônio Henrique de Paula Jorge, um dos contatos de Fofana no Brasil (antes de ser preso, Henrique tentou retirar de um banco R$ 177 mil em dinheiro vivo); Marcelo Pavão da Costa Carvalho; Sérgio Antônio de Lima, que teria tentado subornar um dos agentes; Ernane Alves da Rocha Júnior; Júlio Soares da Costa Filho; Fernanda Carrione Paulucci e Alexandre da Silva Borges. O advogado José Massih responderá ao processo em liberdade por ter colaborado com as investigações.





    Do G1 Rio/JE