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    15/08/2014

    'Batia para educar', diz suspeito de matar filho espancado em Vinhedo

    Tiago Ahmar de Moraes chegou à delegacia da cidade nesta madrugada. Lutador de 26 anos se entregou à polícia em Foz do Iguaçu, na quinta-feira.


    Divulgação

    O lutador de jiu-jitsu Tiago Ahmar de Moraes, suspeito de matar o próprio filho, Yago Vinicius de Moraes, de 2 anos, espancado com golpes de arte marcial, chegou a Vinhedo (SP) por volta da 1h desta sexta-feira (15/8) e passou a madrugada na delegacia da cidade. Moraes se entregou à Polícia Civil na madrugada de quinta-feira (14/8), em Foz do Iguaçu (PR).

    Na chegada à delegacia, onde presta depoimento na manhã desta sexta-feira, o lutador negou que tenha espancado o filho até a morte, mas confirmou que, em alguns momentos, usava da violência para educar. "A violência tem um caráter pedagógico, e algumas vezes eu tive que usar desse recurso para educar, mas sempre soube o limite, porque eu sabia que era muito mais forte que ele", disse.

    Tiago Ahmar de Moraes é suspeito de matar o filho Yago,
    de 2 anos, em Vinhedo (Foto: Reprodução / Facebook)
    O lutador tinha mandado de prisão expedido desde 28 de julho e estava foragido no Paraguai. Segundo a Polícia Civil, a família do rapaz ajudou na negociação para que o jovem se entregasse, e uma exigência foi que a Polícia de Vinhedo o buscasse no Sul. "Ele ligava para a mãe, a mãe passava o telefone dele para a gente e nós fomos negociando com ele para que ele se entregasse", afirmou o chefe da investigação, José Carlos de Moraes.

    A mãe de Yago, Cristiana Costa, foi até a delegacia, mas foi embora antes de Tiago chegar. "Eu queria olhar pela última vez na cara do homem que me enganou e que matou meu filho, mas decidi ir embora", contou.

    Usuário de droga

    Segundo Cristiana, Tiago estava sob efeito de drogas quando agrediu o filho. O garoto morreu Hospital de Clínicas da Unicamp, após ficar internado durante uma semana com traumatismo craniano e perfuração de órgãos vitais, segundo relatos de familiares à polícia. No primeiro atendimento médico, em Vinhedo, os profissionais de saúde desconfiaram da versão dos pais de que a criança havia caído de um brinquedo e acionaram o Conselho Tutelar.

    Cristiana tem 22 anos e morava com o pai da criança desde janeiro de 2014. Depois da morte do menino, ela passou a morar com a mãe, também em Vinhedo. Ela disse à polícia que viu o pai bater nele poucas vezes e relatou que sempre tentava evitar as agressões. Segundo ela, as agressões ocorriam principalmente porque o pai irritava com o choro do menino. A jovem disse ainda que espera que o lutador "pague por cada dor" sofrida pelo filho dela. Sobre eventual omissão da parte dela, ele justificou à polícia que recebia ameaças de Tiago.






    Do G1 Campinas e Região/JE