Pepe Portela e o Internacional Sport Clube. A epopeia fronteiriça.
Para compreendermos o presente precisamos analisar o passado, viajando no tempo, através de contos e histórias, resgatando momentos épicos que ficaram gravados na memória de tantos cidadãos da região fronteiriça, que muito antes de nós em seu tempo, ajudaram a construir a história do desporto, deixando sua marca, que se perpetua através dos anos.
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FUTEBOL. Desde que o futebol se constituiu no esporte da nacionalidade brasileira, era necessário
transporta-lo para as páginas da história. (Elpídio Reis, 1981 apud Renato Báez). |
Internacional Sport Clube. Foto do francês Albert Braud tirada em 1917, publicada no livro de Elpídio Reis Polca Churrasco e Chimarrão de 1981. Da esquerda para a direita e de cima para baixo: Nenito Brizueña Vitor Ramirez, Danton Thomaz, Dodó, José Portela “Pepe Portela”, Zatorre, Minho Camargo, Zatorre irmão, Francisco Pui (uruguaio), Adauto de Souza, Amadeu Domingues, O Goleiro vestia uniforme branco, os que estavam sem gravata, estavam de uniforme incompleto e assim se apresentavam em campo, os mesmo eram considerados deselegantes e indisciplinados, pois gravata era símbolo de elegância e respeito em campo.
O esporte na região fronteiriça sempre foi motivo de disputa, principalmente o “futebol” que em certo período histórico era de referência, com renomados atletas pratas da casa. Mas quando iniciou esta paixão pelo futebol na fronteira?
Segundo relato o escritor Elpídio Reis, o percussor da modalidade “futebol” em Ponta Porã foi o gaúcho natural de Uruguaiana Rio Grande do Sul “Pepe Portela” que na migração dos sulistas a Mato Grosso veio por Assunção com sua família, comitivas e suas carretas de bois no final do século XIX, que em 1915 trouxe de Assunção Capital do Paraguai, a primeira bola de couro ou “capotão”, tal iniciativa proporcionou a prática desta modalidade pelos cidadãos de celebres famílias da cidade.
Pepe Portela Fundou o primeiro time de futebol da cidade de Ponta Porã, Internacional Sport Clube, esta entidade era uma equipe dos “moços grã-finos”, pois a equipe se apresentava em campo usando camisa e gravata, tal fato de certa forma é inédito até mesmo para seu tempo, no início do século XX.
Não existe em arquivos históricos da região fronteiriça, no território nacional e quem sabe no mundo outra equipe de futebol que utilizasse tal vestimenta épica de garbo e elegância. Qual seria o motivo do uso de terno e gravata? José Portela ou “Pepe Portela” respondeu o motivo a Elpídio Reis em 13-3-79, nesta época ele estava com 85 anos. “Ué, pois o Internacional só congregava grã-fino, a gravata tinha que fazer parte do uniforme”.

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| José Portela “Pepe Portela” nasceu em Uruguaiana, RS em 13.03.1895, nesta foto estava comemorando aniversário de 90 anos. |
O futebol da fronteira em especial Ponta Porã tinha neste período histórico, tinha ares de jogo internacional, isso ocorre até os dias de hoje, o motivo é os jogos entre equipes de Ponta Porã (BR) e Pedro Juan Caballero (PY). Pepe Portela sempre dizia com toda pose e elegância de gaúcho, que era jogo do Brasil contra o Paraguai.
Em relatos históricos do próprio Pepe Portela, o mesmo mencionava que vez ou outra saia uma briga feia, pois o internacional sempre ganhava estes confrontos, ambas as equipes juravam nunca mais jogar entre si, mas a competição falava mais alto e no domingo seguinte, segundo relato de Pepe Portela “lá estavam de novo disputando ferozmente a vitória para seu país, ora essa”.
O nome se fazia jus à equipe do Internacional, pois no seu elenco de atletas congregava atletas brasileiros na maioria, atletas paraguaios e um uruguaio, muito difícil confrontarem se nestes tempos contra equipes brasileiras, Pepe Portela preferia o confronto contra equipes do país vizinho que ficava do outro lado da calçada.
Pepe Portela fazia sucesso dentro e fora dos gramados fronteiriços, homem alto e elegante, de olhos azuis, muitos diziam na fronteira, que tais atributos físicos contribuíam para o número elevado de senhoritas assistindo aos jogos do Internacional Sport Clube.

Pepe Portela faleceu aos 95 anos de idade, antes disso casou se com sua companheira desde 1942, Dona Magina Ferraz, com ele construiu sua segunda família tendo três filhos Jairo Portela, Higínio Portela e Lucia Portela (n memorian), sua companheira dona Magina Ferraz faleceu em 13.12.2002.
Da primeira união com a senhora Edeltrudez Matos, nasceram três filhos, Joel Matos Portela, Edelce Matos Portela e Jodelce Matos Portela, Joelce era piloto e faleceu em um trágico acidente no estado de Roraima, tal fato sendo informado pelo exército na época.
A origem do bloco mais famoso da fronteira, o “bloco dos sujos”, segundo um dos participantes do mesmo, foi quando um grupo de amigos foliões deste período histórico sendo eles: José Portela “Pepe Portela”, Omenélio Bueno (Hélio), Samuel Campanholi, Atílio Campanholi, Roberto da Cruz Urizar “Acostinha”, entre tantos destes tempos, os mesmos saiam nas ruas da cidade, todos vestidos de saias no sábado de aleluia que era a dia do “enterro dos ossos” percorrendo as casas de amigos com uma espécie de caixão, arrecadando comes e bebes e convidando o contribuinte também para seguir o bloco, para fazer a despedida do carnaval que acontecia sempre na casa de um dos amigos, desta ideia que começou o bloco dos sujos que perpetuou por décadas na fronteira sendo seu idealizador o saudoso desportista e atleta renomado da região fronteiriça Roberto da Cruz Urizar (Acostinha).
A história de vida do gaúcho de Uruguaiana Pepe Portela está cercada de eventos que contribuíram para o desenvolvimento sócio político e cultural da região de fronteira, em seu tempo foi algoz de sua história aqui cresceu e viveu aproveitando cada instante de sua vida em total plenitude, deixando aos seus descendentes uma lição de vida um exemplo a ser seguido, um marco para a fronteira de outras épocas, de glamour e elegância.
Agradeço a contribuição da amiga Vanessa Portela, neta desta figura épica “Pepe Portela” e todos os seus familiares.
O resgate de eventos históricos é uma forma de manter viva na lembrança momentos e personagens que de uma maneira ou outra marcaram época e deixaram histórias para serem contadas.

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| Yhulds Giovani Pereira Bueno |
Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Pós-graduado em Metodologia do Ensino em História e Geografia. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Municipais, Estaduais e Federias). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação, membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.



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