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    27/06/2014

    Morte de delegado expõe problemas e depressão na PF, denuncia sindicato

    Jorge Caldas, presidente do Sinpef/MS critica atual gestão da Polícia Federal.
     (Foto: Pedro Peralta)

    O possível suicídio cometido pelo delegado Eduardo Jaworski Lima, na noite de ontem (26/6), no prédio da Superintendência Regional da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, traz à tona o problema de depressão enfrentando por funcionários da corporação no País. A denúncia é do presidente do Sinpef/MS (Sindicato Estadual dos Policiais Federais), Jorge Caldas.

    Ele explica que nos últimos quatro anos, policiais e funcionários que ocupam cargos administrativos estão sendo negligenciados pela atual direção nacional. Alguns não suportam a censura, a pressão, o assédio e a desvalorização profissional, e por isso, entram em depressão e acabam tirando a própria vida.

    “A Polícia Federal sofre com o sucateamento institucional e estrutural. Os servidores não estão aguentando as atuais condições de trabalho, e por este motivo, muitos entram em depressão e acabam sendo negligenciados pelo órgão. Alguns conseguem se recuperar, outros não. [...]A PF ainda é regida por leis ditatoriais”, disse Caldas.

    Jaworski era o responsável pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado. De acordo com informações extra-oficiais, passava por acompanhamento psicológico. “Se isto for confirmado, digo que uma pessoa nestas condições emocionais não poderia estar comandando a Dcor (Delegacia de Combate ao Crime Organizado), que é um dos pilares da PF. O delegado deveria estar afastado, em tratamento adequado. Quem o colocou lá mesmo sabendo de seus problemas? Este é meu questionamento”, ressaltou o presidente do Sinpef/MS.

    Sem comprovado, o caso é será o 14° registrado em todo país nos últimos três anos de acordo com dados da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), sendo o segundo em Campo Grande. Em dezembro do ano passado um agente cometeu suicídio no mini-anel viário, na saída para Três Lagoas.

    “A entidade dá as costas para os funcionários. Quando algum deles apresenta atestado e pede afastamento por causa de problemas emocionais, tem sua carteira e arma imediatamente recolhidas, assim como o atestado contestado. Não poderia ser assim. Os servidores deveriam receber todo amparo necessário para que pudessem se recuperar logo e voltar ao trabalho”, reclamou Caldas, informando que o sindicato vai encaminhar ofício à Justiça, relatando o descaso e pedindo uma solução para este problema.

    O Campo Grande News tentou contato com a Superintendência da Polícia Federal, mas ninguém quis comentar o caso. O superintendente regional da PF, Edgar Marcon, disse que não falaria sobre o caso na manhã de hoje.





    Fonte: campograndenews/JE
    Por: 
    Renan Nucci