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    17/06/2014

    Mecânico espancou vítimas antes de provocar incêndio com 6 mortes

    A reconstituição foi feita na tarde de ontem.
     (Foto: Marizete Spindola)

    O mecânico Edson da Silva, 34 anos, mostrou passo a passo, ontem, como provocou o incêndio na conveniência que matou seis pessoas da família dele, entre elas três crianças, em Coronel Sapucaia, a 400 quilômetros de Campo Grande, no dia 2 de maio. Segundo as informações apuradas junto à Polícia, Edson confessou que cometeu o crime depois de brigar com a esposa por causa de ciúmes. Antes de atear fogo no estabelecimento, Edson usou um pedaço de madeira para golpear as vítimas na cabeça. Ele foi preso na última terça-feira (10/6), na casa de uma irmã em Naviraí.

    O fogo destruiu o estabelecimento e matou a proprietária, Rosângela dos Santos, 50 anos, e os dois filhos dela, Alejandro dos Santos, e Vanusa dos Santos, 26 anos, que era esposa de Edson. Também morreram os filhos de Vanusa: Thiago, 10, Sabrina, 4, e Stefani, 10 meses. Os dois menores eram filhos do mecânico.

    Segundo o perito criminal Amilcar da Serra e Silva Netto, Edson contou que por volta das 2h da manhã do dia do crime deu uma paulada na cabeça de Vanusa após discussão por causa de ciúmes. A sogra, Rosângela e o cunhado Alejandro, acordaram com a confusão e foram até o quarto do casal ver o que havia acontecido. Nesse momento os também acabaram golpeados. Edson disse que o cunhado foi agredido por duas vezes, uma no braço e outra na cabeça. Os três desmaiaram.

    Depois disso, ele arrastou a sogra e o cunhado para um dos quartos, foi até o cômodo onde estavam as crianças e golpeou primeiro o menino de 10 anos e depois os outros dois filhos deles. Ele então colocou a mulher e as crianças no banheiro e ficou perambulando pela casa, quando ouviu a criança mais velha dizer “tio não me mate”. Ele voltou no banheiro e deu mais uma paulada na cabeça das duas crianças mais velhas.

    Após o incêndio, o local ficou totalmente
    destruído. (Foto: Marizete Espíndola)
    Edson então foi até o quintal tirou a gasolina da moto dele e despejou nos cômodos e nas paredes onde estavam os corpos. “Ele saiu na rua para ver se tinha alguém e encontrou uma vizinha foi quando, para criar um álibi, disse que estava indo trabalhar”, diz o perito. Depois de despistar a mulher, Edson voltou para a casa e usando um isqueiro ateou fogo por volta das 7h.

    Ele deixou a casa toda fechada e foi trabalhar. “As vítimas estavam vivas e não fugiram porque estavam desmaiadas. Elas morreram asfixiadas por monóxido de Carbono”, explica Amilcar. Ainda conforme o perito, o fogo demorou por cerca de 1h até se alastrar e chamar atenção da vizinhança.

    Em depoimento à Polícia, logo após o incêndio, Edson levantou suspeita contra o cunhado Alejandro. Ele contou que na hora do incêndio, uma colega de Alejandro estava vendo o fogo e ligou no celular do rapaz. Segundo o que revelou Edson, Alejandro atendeu ao telefone, mas não falou nada e muito menos pediu socorro. Ele ainda relatou que o jovem não se dava bem com a família e já havia tentado suicídio.

    Porém com o passar do tempo, as investigações foram avançando e as suspeitas recaíram sobre Edson. “Ele não demonstrava nenhuma preocupação com o caso e a confirmação veio depois que um dos laudos apontou de que o incêndio era criminoso e não acidental”, afirma o perito.

    O perito disse que durante a reprodução, centenas de pessoas acompanharam e estavam muito revoltadas com o crime. “Nós tivemos que acelerar um pouco porque os moradores estavam exaltados”, diz Amilcar. A Polícia de Coronel Sapucaia pediu reforço para que a reconstituição do local fosse feita com segurança.

    O delegado responsável pela investigação, Leandro Costa de Lacerda Azevedo, marcou para amanhã uma coletiva de imprensa para divulgar o resultado das investigações.







    Fonte: campograndenews/JE
    Por: 
    Viviane Oliveira