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    24/04/2014

    FEUMAMS: Visando o fortalecimento, procura por novos e antigos líderes

    Amarildo Garcia Nantes, Presidente
    Uma sociedade civil de direitos privados, nos moldes de Organização Não-Governamental (ONG), sem fins lucrativos; distinção de raça, cor, sexo, nacionalidade, profissão, religião, e opção política partidária; cuja missão é defender os interesses coletivos das Uniões Municipais de Associações de Moradores; bem como fundar, reativar e criar as mesmas em todo o Estado de Mato Grosso do Sul; preservando os direitos dos cidadãos e de entidades afins.

    Estes são os principais atributos da Federação Estadual das Uniões das Associações de Moradores de Mato Grosso do Sul (FEUMAMS), fundada em 22 de fevereiro de 2004 por Amarildo Garcia Nantes, que hoje preside a entidade. Em entrevista para o Jornal Liberdade, o presidente relembrou o início da Federação, apontou os principais problemas enfrentados atualmente e frisou sobre a importância da entidade para a sociedade.

    Jornal Liberdade – No que atua a FEUMAMS?

    Amarildo - Agregamos toda à sociedade civil, nosso estatuto compreende a todos os segmentos, tanto moradia, assentamento, idoso, questão racional, quilombola, coordenadoria da mulher, do índio, enfim, é como um grande guarda-chuva, toda a sociedade está dentro da Federação hoje. Nós vimos à necessidade de se fazer algo desta maneira, porque, se tem um guarda-chuva limitado não é possível atuar como sociedade, você atua num setor e não no outro.

    Hoje nós estamos na questão da reforma agrária, na reforma urbana, estamos aptos a indicar conselheiros em todas as estâncias, na questão da homofobia, do negro, da criança e adolescência, em todos os setores da sociedade, para que, nós, como entidade, possamos ser representativo suficiente para poder atender a todas as demandas da sociedade e na formação de pessoas qualificadas para poder promover esta discussão com os órgãos públicos.

    Qual é a maior preocupação da Federação atualmente?

    Amarildo - Completamos dez anos no dia 22 de fevereiro, nossa maior preocupação está na reestruturação da própria Federação, que sequer possui uma sede. Outro desafio está quanto á formação de novos líderes, formamos lideranças, mas depois que se forma, quando passa a ter uma noção maior do que é e quais são as necessidades da sociedade, nos vemos na obrigação de ceder esta liderança para o Poder Público. Nem bem se forma a nova liderança e o Poder Público vem e a puxa para poder fazer às Políticas Públicas, em consequência disso criou-se um grande buraco lá em baixo.

    Existe hoje uma defasagem na formação de novos líderes, o quadro técnico que era da sociedade, que foi formado na sociedade, que entendia a sociedade e que poderiam discutir de igual para igual na formação das políticas públicas, foi cedido para o Poder Público. No entanto, ao mesmo tempo em que estas lideranças foram para lá, não houve aqui em baixo uma reposição, não foi formada uma base, ficou um vazio.

    E como preencher este vazio?

    Amarildo - Nós, como Federação, pensamos exatamente nisso, em quadros para repor essa lacuna. Acontece que, geralmente quando se fala em associação, federação, mobilização, entidade, enfim, têm-se a ideia de é para mostrar-se aos políticos. Todo líder comunitário quer uma associação para se mostrar a um político e assim conseguir agregar no político. Hoje nós temos que fazer a inversão de valores, ou seja, a Federação cria quadros e vai buscar os quadros que já estão na sociedade, aqueles que nós emprestamos para o Poder Público e que agora estão se aposentando, para que retornem ás atividades e ajudem na capacitação dos novos líderes que estão surgindo.

    Aquela pessoa que ficou durante anos servindo na Câmara, Assembleia, Prefeitura e no Governo, ela vai saber fazer e explicar o que é um PPA, o que é um orçamento, o que pode mudar. Hoje a Federação pensa em buscar essas pessoas e dizer: “olha, sabemos que você já fez muito, que você já deu a sua cota quando o movimento teve início e que deu mais ainda no Poder Público, mas volte agora ao movimento para prestar um novo serviço através de sua experiência”.

    Qual o resultado desta troca de experiência?

    Amarildo - Nós chegamos hoje neste ponto, de oportunizar para as pessoas que querem voltar, que ainda têm muito a contribuir em prol da sociedade, e quando ela quer fazer isso, com a experiência que já tem, vai trazer mais quatro ou cinco pessoas para participar do movimento. Quando fizer isto, será ela mesma quem irá qualificar estas novas pessoas, posteriormente, muitas dessas irão migrar para o Poder Público, como aconteceu recentemente, quando tivemos que ceder quatro quadros nossos para Campo Grande, mais especificamente para a Coordenadoria Municipal de Ações Comunitárias.

    Como fazer para se tornar membro da Federação?

    Amarildo - Na questão regulamentária, para fazer parte da Federação era necessário, primeiramente, fazer parte de uma União, e que esse membro faça parte de uma Associação de Moradores. No entanto, é um mecanismo que não tem funcionamento, percebi depois que é preciso pensar em quadros, a Federação não pode pensar em massa, é preciso de quadros para que se forme um objetivo, uma ideia.

    Então, aderimos á questão da ‘adesão’, em qualquer comunidade eu posso ir e indicar alguém como líder, que passará a representar a Federação. Este será capacitado, disciplinado dentro de um termo de posse, com prerrogativas e tudo mais, para poder atuar perante a comunidade, mas com um grau superior do que tinha antes, de federação. Ele passará a ter uma representatividade, podendo ir a qualquer órgão público fazer suas reivindicações, para que assim possa atuar sempre dentro e em prol da sociedade.

    Houve um desentendimento com a FAMEMS?

    Amarildo - Não houve um desentendimento com a FAMEMS (Federação das Associações de Moradores do Estado do Mato Grosso do Sul), o que houve foi um desvio de ideias. A FAMEMS tomou um segmento diferenciado, ela é a entidade-mãe e a mais forte que já tivemos no estado, mas que foi caindo por culpa de diretorias erradas que foram desvirtuando o caminho. O grupo que tomou conta não dá abertura para outros segmentos, apenas trabalham a questão fundiária, eu entendo que nós como sociedade temos que abrir um leque em todas as estâncias para discussões e não abrir só um segmento.

    O que mais prejudica o trabalho das associações? Como reverter e melhorar o cenário atual?

    Amarildo - As entidades não têm recursos, nós não temos uma política pública que determina ao Poder Público o repasse de uma cota ‘x’ para a manutenção. Em alguns casos, aquelas entidades que conseguem se estruturar, elas têm recursos oriundos de projetos que são feitos através de convênios com o município. A única coisa que a Associação de Moradores tem é um passe de ônibus e mais nada. Em Campo Grande, as entidades pensam em fazer uma unificação, reunir todas num único prédio para centralizar o atendimento, para que possamos ter uma mesa, um computador, um lugar para reuniões, um centro de atendimento de verdade.

    O que podemos esperar para os próximos anos?

    Amarildo – Uma nova era está surgindo, um movimento diferenciado, com a ajuda das redes sociais estamos ganhando mais visibilidade, mas acesso ao nosso trabalho social. Precisamos formar novos lideres para que, futuramente, possamos realmente colocar essa questão de conteúdo social numa forma mais coerente. A Federação vem para poder dizer, vem para ser a voz da comunidade, um líder social capaz de mostrar que ali naquela comunidade existem demandas e que merecem a atenção do Poder Público.






    Fonte: ASSECOM/JE
    Por: Andre Farinha