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    12/11/2013

    Perícia analisa equipamentos retidos em fraude de vestibular em MS

    Pontos eletrônicos e receptadores foram apreendidos no domingo (10/11).
    Dos 22 investigados no esquema, um continua preso em Campo Grande.

    Receptores e pontos eletrônicos serão encaminhados para perícia (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)


    A próxima etapa da investigação o grupo de estudantes presos no domingo (10), em Campo Grande, sob suspeita de tentar fraudar o vestibular para medicina da Anhanguera-Uniderp, será a perícia dos equipamentos apreendidos pela polícia no dia. A informação é da titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações (Dedfaz), Ariene Muradi Cury.

    A análise de pontos eletrônicos, receptadores e celulares é o estágio inicial do trabalho, segundo ela, que tenta elucidar questões como a possibilidade de atuação do grupo na fraude de vestibulares de outros estados, além da participação de uma acadêmica de medicina da Anhanguera-Uniderp no esquema, já que ela fazia a prova no dia, mesmo sendo aluna do curso. Ela já foi identificada, mas ainda será ouvida.

    Ariene revelou que os suspeitos combinaram de formas particulares o pagamento dos equipamentos. Alguns chegaram a pagar entre R$ 300 e R$ 500 antes da prova e iriam desembolsar o restante do valor após a avaliação. Outro investigado fez acordo de que não pagaria antes do vestibular, mas daria R$ 60 mil à quadrilha caso fosse aprovado.

    A delegada informou nesta terça-feira (21) que 21 pessoas foram indiciadas. Outros dois têm envolvimento na ação, segundo a policia. Um adolescente e um rapaz, que foi flagrado usando celular e não foi enquadrado no crime de fraude em certames de interesse público, previsto no artigo 311 do Código Penal, como o restante. Por estes motivos, não foram indiciados. Ainda conforme a delegada, dos 23 suspeitos, apenas um segue preso em Campo Grande. O restante está em liberdade após pagar fiança.

    Ariene afirmou também que a maioria dos integrantes da quadrilha é de fora do estado. Além disso, destacou que caso fique provado, ao longo das investigações, que algum acadêmico de medicina da instituição entrou no curso por meio da fraude, será indiciado.

    Kits receptores foram apreendidos
    (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)
    Flagrante

    A delegada revelou que o nervosismo de um dos suspeitos entregou o esquema. Um homem, de 31 anos, teria ficado irritado com o chiado do ponto eletrônico e com a demora que os outros comparsas tiveram para transmitir as respostas.

    Ele conseguiu apenas fazer a redação e passou a pedir ao fiscal da prova para ir ao banheiro por várias vezes, o que levantou a suspeita.

    A partir disto, o fiscal decidiu encaminhá-lo à enfermaria e por meio de um exame de otoscopia (feito no canal auditivo externo e do tímpano, efetuado com ajuda de instrumentos) o ponto foi identificado. Segundo a delegada, o suspeito cursa medicina na Bolívia. Com este flagrante, os 2,5 mil candidatos que prestavam vestibular no dia foram revistados na saída da instituição. O procedimento acabou identificando o restante do grupo.

    Já a suspeita em relação à acadêmica de medicina da universidade ocorreu por conta de a mulher pedir para ir embora antes do tempo mínimo de três horas de permanência na sala. Ela alegou que estava passando mal.

    Dos 21 presos e levados para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro no domingo, 13 preferiram permanecer em silêncio, conforme a titular da Dedfaz.


    Do G1 MS