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    05/10/2013

    7 atitudes que denunciam um manipulador

    Todo mundo usa técnicas de manipulação no dia a dia, mesmo sem perceber. Aprenda a reconhecer as condutas mais comuns desses indivíduos e evite ser manipulado por eles



    Getty Images
    Manipuladores criam um problema para depois vender a solução


    Dia especial de liquidações do comércio brasileiro, o Black Friday teve seu sucesso manchado na semana passada por uma acusação grave. De acordo com denúncia de consumidores, muitas lojas teriam aumentado os preços dos produtos dias antes, para depois anunciá-los em promoção. A situação expôs um estratagema antigo do comércio: a manipulação.

    Mas comerciantes que não respeitam princípios éticos para nos induzir a comprar um produto não são os únicos manipuladores com quem topamos no dia a dia. “Há muitas pessoas assim no mundo. Mas por meio de suas atitudes, é possível identificá-las e fugir assim das ciladas que elas preparam”, diz Marie-Josette Brauer, doutora em psicologia e expert em técnicas de persuasão.

    Marie-Josette Brauer, 68, Psicóloga, doutora em Psicologia e 
    Filosofia, fazendo o segundo pós-doutorado (sobre Decisões 
    Econômicas), a parisiense vive no Brasil há muitos anos e por 
    aqui é uma das maiores especialistas em personal branding, 
    em sua carreira, tem atendido muitos presidentes de empresas
    e equipes de inovação. 
    Foto: Arthur Nobre
    Mas Marie-Josette pondera que nós todos somos manipuladores em algum momento da vida. “A manipulação é uma ferramenta social.

    Nós aprendemos a usá-la desde cedo”, exemplifica a psicóloga. “Só vira uma problema quando começa a acontecer repetidamente, com a pessoa manipulando os outros o tempo todo para conseguir o quer, sempre visando o bem próprio”, acrescenta a expert.

    “O problema geral da manipulação é que cada experiência prepara o manipulador para fazê-lo mais e melhor”, pontua Sergio Senna, doutor em Psicologia e professor do Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. “Eles vão explorar qualquer aspecto que considerem adequado para melhorar as chances de sucesso em seus golpes”, complementa Sergio.

    Psicólogo e especialista em Terapia Comportamental, Reginaldo do Carmo Aguiar diz que é preciso ter alguns fatores em mente para podermos diferenciar o grau de perigo que esses indivíduos oferecem. “Para avaliar algo como problema é importante pensar nas seguintes variáveis: frequência, duração, intensidade e a intenção da manipulação”, analisa Reginaldo.

    Além desses fatores, alguns comportamentos são muito típicos nos manipuladores. Os especialistas apontaram os principais. 

    Confira:

    Conhecer as táticas de manipulação é uma maneira de evitar que pessoas mal-intencionadas nos transformem em 'marionetes'.

    Thinkstock Photos
    1. Falsos elogios – A habilidade com as palavras é uma competência que o manipulador domina e usa sem dó. “Ele diz na frente de todo mundo para alguém que executou bem uma tarefa: ‘Parabéns, você deve ter passado o fim de semana inteiro fazendo isso’. Parece um elogio, mas na verdade ele está dizendo que a pessoa não dá conta do trabalho durante o expediente”, exemplifica Marie-Josette.

    2. Reforço da culpa – Eles fazem as pessoas se sentirem culpadas para conseguir o que querem. “É um sentimento negativo, que motiva as pessoas a tomarem decisões para se livrarem da sensação aversiva que ele traz”, aponta Sergio, ressaltando que o manipulador gosta de se colocar na posição de vítima. 

    3. Desordem – “É a estratégia do ‘dividir para reinar’. No trabalho, isso aparece naquelas pessoas que lançam, discretamente, dúvidas sobre a competência e a conduta dos colegas, o que acaba provocando conflitos e gerando um ambiente de confusão. O manipulador vai criando uma situação para que ele apareça como a única pessoa sensata”, descreve Marie-Josette.

    4. Narcisismo - “As coisas têm que ser do meu jeito porque sou o mais inteligente”. Para Reginaldo, essa frase é típica dos manipuladores e eles realmente acreditam nela. “Nessas pessoas, o comportamento interpessoal mais frequente envolve atitude de grandiosidade; busca incessante por admiração e insensibilidade ao outro”, afirma o psicólogo.

    5. Exploração das fraquezas – Sergio diz que um manipulador está sempre em busca do ponto fraco de quem ele quer persuadir. “Eles analisam o comportamento alheio com facilidade em busca de vulnerabilidades a serem exploradas, como a ganância”, identifica o expert, contando que nessa situação é comum pessoas serem manipuladas em golpes que prometem o ganho de muito dinheiro de maneira fácil.

    6. Uso de lógica aparente - Para conseguir o que quer, o manipulador usa dados e informações de maneira enviesada. “Por exemplo, um vendedor diz para você comprar um produto porque ele foi aprovado por 95% dos consumidores. Mas não diz que o número de pessoas pesquisadas foi bem pequeno, o que torna a estatística pouco confiável”, constata Marie-Josette.

    7. Falso alívio – Estratégico, o manipulador primeiro cria uma dificuldade, para depois oferecer uma "solução". Marie-Josette descreve uma situação que exemplifica esta conduta: “O chefe diz para o subordinado: ‘Você tem que trabalhar o fim de semana inteiro para terminar um projeto’. Quando o empregado reclama, o patrão diz: ‘Então fica só hoje até mais tarde’. O empregado passa a madrugada trabalhando, mas acha que se deu bem”.

    E o que fazer depois de identificar um indivíduo com essas características no nosso convívio? Sergio alerta que o mais importante é não tomar nenhuma medida precipitada ao perceber uma tentativa de manipulação. “Lembre-se que o manipulador está atrás de uma decisão. Basta mostrar-se cauteloso nas decisões que ele irá dispensá-lo por conta própria, pois tem uma fila de pessoas desatentas prontas para cair no golpe”, aconselha o especialista.

    “Questione sempre e peça mais informações sobre o que o manipulador diz. Confira com outras pessoas se ele está dizendo a verdade. Você acabará descobrindo a tentativa de manipulação ou pelo menos desestimulando o autor dela”, finaliza Marie-Josette.

    Fonte: iG
    Por: Ricardo Donisete - iG São Paulo