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    02/06/2013

    Após cinco meses de administração, Bernal continua em crise com vereadores

    O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), chega ao sexto mês de administração com problemas na relação com a Câmara. Apesar de anunciar por várias vezes que chegaria a maioria, o prefeito não passou de nove aliados, entre 29 vereadores, e enfrenta várias ameaças de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para cassar seu mandato.

    Nesta semana a Câmara estuda abrir uma CPI para investigar por que o prefeito não efetuou o pagamento de fornecedores. O Tribunal de Contas do Estado também deve responder nesta primeira quinzena de junho a consulta feita pela Câmara para saber se o prefeito fez remanejamento ou suplementação de verba.

    A Câmara alega que o prefeito cometeu improbidade administrativa ao fazer remanejamento, o que não é permitido. A prefeitura nega. Além das denúncias que envolvem as contas da prefeitura, os vereadores ainda demonstram interesse em abrir processo de represália à conduta de Bernal, que segundo a oposição, não responde indicações e requerimentos.

    Em meio a tantas polêmicas, Bernal diz que não se arrepende da maneira como dialogou com a Câmara, já que diz ter feito de tudo para conversar com os vereadores. “Conversei com todos, menos com os que estavam raivosos e não queriam nada. Mas, ainda não fechei as portas”, justificou.

    O prefeito admite que a maioria oposicionista pode representar perigo na Câmara, mas em vez de dizer mais uma vez que conquistará a maioria, diz confiar na atuação do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para que “a ditadura da maioria” não prevaleça. Na avaliação de Bernal, “tem gente bancando a situação porque não engoliu a derrota eleitoral e querem fazer o quarto turno eleitoral”.

    Apesar de dizer que não perderá o foco mesmo com “armadilhas para engessar a administração”, Bernal dá sinais de que os primeiros cinco meses já foram suficientes para deixá-lo abatido. Ele não esconde o desânimo diante de algumas situações.

    “A cada dia que passa eu sinto mais nojo. Fico indignado com mentiras de toda ordem e chantagens. Recebi a informação de que um ex-assessor meu anda perambulando com fotocópias de processos, pedindo dinheiro, falando que vai fazer matéria para tentar fazer chantagem. Todo dia é um fato novo. Tenho que tomar cuidado por onde ando e com quem falo, para evitar que distorçam os fatos”, desabafou.

    O prefeito Alcides Bernal tem como base aliada apenas nove vereadores na Câmara: Alex do PT, Ayrton do PT, Zeca do PT, Luiza Ribeiro (PPS), Gilmar da Cruz (PRB), Rose Modesto (PSDB), João Rocha (PSDB), Waldecy Chocolate (PP) e Cazuza (PP). Porém, até a base dá sinais de que não vai dar a cara à tapa para apoiá-lo. Recentemente, até o líder de Bernal, Alex do PT, votou contra o veto dele as emendas feitas pela Câmara no reajuste salarial do servidor público.

    Após reunião, durante a sessão, os aliados definiram que não iriam se indispor com servidores para defender a administração. O comportamento da base também serviu como resposta a atitude de Bernal ao encaminhar o projeto e vetar as emendas sem conversar com a base. No final, só Cazuza acompanhou o prefeito, em uma histórica derrota por 27 a 1.

    Fonte: Midiamax
    Por: Wendell Reis
    Foto: divulgação