BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse nesta segunda-feira (16/7) que o partido não vai se opor à reconvocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira. O tucano, contudo, questionou a eficiência de um novo depoimento.
"Nada contra a convocação, não seremos obstáculo à convocação. Mas a pergunta é: convocar para quê? Para repetir as mesmas perguntas e ouvir as mesmas respostas?", indagou nesta tarde.
Dias lembrou que o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), e o presidente, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), já afirmaram ser favoráveis ao indiciamento do governador de Goiás no relatório final da Comissão. "Se já existem elementos, segundo eles, para propor o indiciamento, para quê ouvi-lo outra vez?".
Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) vão protocolar ainda hoje um requerimento para que Marconi Perillo compareça à CPI como réu, e não como testemunha, como aconteceu em 12 de junho. Na ocasião, o governador negou ter relações com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Os parlamentares querem explorar o relatório sigiloso da Polícia Federal, revelado pela revista "Época", que traz indícios de que a Delta - braço empresarial do esquema de Cachoeira - passou dinheiro a Perillo em troca da liberação de recursos do governo de Goiás para obras tocadas pela empresa.
Para Álvaro Dias, a reportagem traz "novas velhas denúncias" e afirma que a estratégia de tentar reconvocar Perillo é para "ganhar tempo e não ouvir todos aqueles que devem ser ouvidos pela CPI".
"Nós não podemos deixar o tempo passar e não chegarmos àquilo que é essencial: o superfaturamento de obras, pagamento de propina, tráfico de influência, desvio de bilhões de reais dos cofres da União", declarou.
Fonte: Jornal Extra
Por: Yvna Sousa - Valor Online
Foto: Ilustração