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    16/07/2012

    Preso denunciado pelo MPE por envolvimento na morte de agente afirma que foi vítima de 'inimigo'

    À esquerda, Adriano afirma categoricamente que foi vítima de armação de outro interno do Epraca

    Sexta-feira, 13/7, sala do advogado Marcos Ivan da Silva, que fica em um prédio de luxo localizado na Avenida Afonso Pena. Lá, disposto a falar com a equipe do Midiamaxestava também Adriano José Lopes Moura, o Babão, de 31 anos. Ele é apontado pela polícia como mentor e partícipe na morte do agente penitenciário Hudson Moura da Silva, em 31 de outubro do ano passado.

    Com meia hora de atraso do horário combinado, os relatos de Adriano começam. A primeira pergunta é se ele tem participação ou arquitetou um plano para matar o agente penitenciário, que segundo os colegas da vítima era um funcinário exemplar. Adriano afirma que não e existem provas que poderiam comprovar isto. Segundo o suspeito, quando aconteceu o crime ele estava dentro da unidade prisional e que lá existem câmeras de circuito interno que podem ser seu hálibe. Porém, de acordo com a polícia há depoimentos que contradizem a versão de Adriano: ele não dormiu na unidade prisional.

    Adriano cumpre pena por tráfico de drogas dentro da mesma unidade prisional que Hudson foi morto a tiros enquanto trabalhava, que é o Estabelecimento Penal de Regfime Abaerto e Casa do Albergado (Epraca), localizado na Vila Sobrinho, em Campo Grande.

    A Delegacia Especializada de Homicídios concluiu que além de Adriano, o crime teve a participação de Rafael Gomes Gonçalves, 24 anos. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Edilson Santos, Hudson foi morto por conta de sua atuação dentro da unidade prisional.

    Conforme o delegado, no dia 27 de outubro, Hudson flagrou Rafael tentando entrar no Epraca com três aparelhos celulares além de uma quantia de droga. Os celulares seriam de Rafael e a droga de Adriano.

    Durante conversa com a reportagem, Adriano nega o fato e qualquer proximidade com Rafael. Porém, revela que Rafael sofreu um acidente de moto e por conta disto saía da unidade prisional para fazer curativos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Almeida. Era Adriano que pilotava uma moto pra levar o ferido para atendimento médico, veículo duas rodas este que Babão afirma ser do próprio Rafael.

    Questionado do por que então a polícia o coloca como arquiteto do plano de morte contra Hudson e ainda que possivelmente possa ter pilotado a motocicleta que levou os assassinos até o portão do Epraca onde Hudson foi baleado, Adriano acredita que foi vítima de um preso que ele havia discutido tempo antes da morte.

    Na versão de Adriano, ele teve uma discussão com um interno, configurado nas investigações como testemunha em desfavor de Babão no crime, por conta de um atraso que teve para entrar no Epraca. Por raiva, este interno teria bolado o plano para prejudicá-lo dizendo à polícia que Adriano teve envolvimento na morte de Hudson.

    No inquérito policial, o interno descrito por Adriano disse à polícia que depois do crime Babão e Rafael fizeram confissões sobre o assassinato. O preso testemunha evadiu do Epraca, foi recaptutrado e levado a uma unidade prisional de regime fechado. Lá teria dado como explicação a quebra de regime porque estava sendo ameaçado pela dupla suspeita do crime contra Hudson.

    Adriano rebate e afirma que este interno, na verdade, deu a versão de ameaça para justificar sua quebra de benefício. Em abril deste ano este preso tido como testemunha da polícia e 'inimigo' de Adriano ganhou novamente o direito das ruas.

    Em abril deste ano Adriano saiu da condição de suspeito para acusado do crime de homicídio qualificado, já que o Ministério Público Estadual (MPE) acatou as conclusões do inquérito policial. O relatório chegou a 1ª Vara do Tribunal do Júri em 6 de julho às 15h36, conforme movimentação descrita no Tribunal de Justiça do Estado. No mesmo dia e horário, Rafael também foi denunciado pelo mesmo tipo de crime.

    Sempre com um semblante de incógnita, sem desviar o olhar ou vermelhidão ao ser questionado, Adriano não caiu em contrações quando sabatinado pela reportagem sobre sua possível participação no crime ou ainda plano para que fosse executado o homicídio. Porém, há de se destacar que está com orientação de um advogado criminalista que tem 42 júris e destes 40 foram absolvições.

    O advogado Marcos Ivan resumiu dizendo que não há provas para incriminar seu cliente que, inclusive, está prestes a ganhar liberdade pelo cumprimento da pena por tráfico de drogas, que vence no próximo dia 31.

    Sobre sua vida dentro do Epraca depois do assassinato de Hudson, Adriano afirma que em nenhum momento sofreu represálias dos agentes penitenciários que lá trabalham e, portanto, seriam interessados em justiça para o colega. Isto, segundo Babão, se dá porque os próprios agentes não acreditam na sua participação nesse crime.

    Fonte: midiamax
    Por: Eliane Souza
    Foto: Luiz Alberto