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    01/12/2017

    ARTIGO| Tucanos com um pé na terra e o outro na canoa

    Por: Edílson José Alves*
    Apesar de a pressa ser grande a chance de aprovar a reforma da previdência é cada vez menor. Tida como bandeira e motivo de honra a aprovação da proposta do presidente Michel Temer não reúne hoje os 308 votos necessários na Câmara Federal, inclusive com baixas dentro do próprio partido governista, o PMDB. 

    A proposta de Temer distancia do trabalhador o sonho de um dia conquistar uma aposentadoria decente para viver o resto da vida junto da família. O presidente chegou a defender a necessidade de reforma afirmando, em tom de brincadeira é bem verdade, de que a expectativa dos brasileiros pode aumentar para até 140 anos.

    Na edição desta sexta-feira, dia 1º de dezembro, o jornal Folha de São Paulo publicou enquete feita na Câmara Federal, a qual aponta a falta de votos do governo. Os 513 parlamentares foram consultados, alguns prefiram omitir o voto, mas apenas os declarados contra derrubam a proposta caso seja levada ao plenário para votação.

    Para se ter a dimensão do tamanho do problema para Temer resolver, basta analisar os resultados da enquete. Apenas 42 deputados, ou seja, menos de 10% do total revelaram votos favoráveis à reforma. Outros 11 deputados disseram ser favoráveis parcialmente à proposta do governo, mas divergem sobre idade mínima exigida e acúmulo de pensões. Um total de 44 deputados não decidiu seus votos, 15 vão seguir orientação partidária, 107 não responderam e 78 não foram localizados.

    Segundo a proposta do governo, para o trabalhador adquirir o direito de aposentadoria terá, obrigatoriamente, de ter idade mínima de 65 anos, se homem; e 62 anos, se mulher. O tempo mínimo de contribuição aumenta dos atuais 15 anos para 25 anos tanto para o trabalhador privado quanto público. Para receber 100% do benefício a exigência colocada é tempo de contribuição de 40 anos.

    O fato é que a reforma previdenciária afeta diretamente a vida dos trabalhadores brasileiros, colocam eles como fiel da balança para salvar a instituição vítima de roubos durante décadas. O governo barganha com deputados financiados por setores da economia brasileira e esses parlamentares estão dispostos a tudo para salvar aqueles que lhes patrocinam. 

    Apesar das dificuldades à vista não é de se assustar a aprovação da reforma com sobra de votos no plenário. Os financiadores vão cobrar seus financiados e estes terão de dar um retorno conforme o combinado. É muito provável se não agora, mas daqui a pouco essa reforma seja aprovada e o pescoço, mais uma vez, de quem trabalha seja colocado na guilhotina. E diante deste imbróglio todo é fácil perceber o PSDB como fiel da balança para salvar esse governo. Como os tucanos insistem em permanecer com um pé na terra e outro na canoa não dá pra saber se afunda ou não. Só nos resta aguardar.

    *Jornalista


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