Campo Grande (MS),

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    domingo, 11 de junho de 2017

    Tatuador alugou quarto em pensão onde escreveu na testa de adolescente no ABC

    O tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis e o vizinho Ronildo Moreira de Araújo foram presos em flagrante por tortura nesta sexta-feira (9).

    O tatuador Maycon Reis e o vizinho Ronildo Moreira foram presos por torturar adolescente em São Bernardo do Campo (Foto: Divulgação/Polícia civil)
    O adolescente de 17 anos, que teve a testa tatuada e foi torturado, foi dominado pelos dois agressores na escada de uma pensão na região Central de São Bernardo do Campo, na manhã de sexta-feira (9). Ele foi obrigado a sentar em uma cadeira de plástico ao lado da porta que dá acesso para a lavanderia do local. O tatuador alugou o quarto da pensão há algumas semanas.

    Os responsáveis pela tortura são o tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27 anos, e o vizinho dele, Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos. Na tarde deste sábado, a juíza Inês Del Cid, da Vara Criminal de São Bernardo do Campo, decretou a prisão preventiva deles.
    Quarto da pensão que tatuador alugou (Foto: Glauco Araújo/G1)
    O dono da pensão disse que o tatuador estava morando por algumas semanas, segundo o dono do local, Antônio Santos Araújo, conhecido como Bahia. "Aqui é todo mundo amigo, nunca aconteceu uma coisa dessa aqui. Foi uma brutalidade."

    Bahia disse que alguém entrou na pensão durante a madrugada e retirou todos os pertences do tatuador, sem avisá-lo. No cômodo ficaram alguns decalques de tatuagem é uma luva descartável é usada.
    Pousada onde adolescente foi torturado (Foto: Glauco Araújo/G1)
    O adolescente ficou mais de uma semana fora de casa e foi localizado na noite desta sexta-feira (10). "Ele estava transtornado não quer que ninguém veja o rosto dele. Preocupação maior da família é com a recuperação. Hoje ele é tratado pelo Caps (Centros de Atenção Psicossocial), já passou por duas clínicas de recuperação", diz.

    O adolescente prestou depoimento à polícia, no 3º Distrito Policial da cidade, negou ter cometido qualquer furto, foi levado ao posto médico para ser medicado e voltou para a casa da avó.

    O G1 conversou com um dos tios do adolescente, que afirmou que o menino está bastante assustado com o ocorrido. "Ele é muito querido no bairro e muitas pessoas começaram a procurar por ele. Vieram nos avisar onde ele estava e os amigos foram buscá-lo. Agora ele está na casa da avó, descansando. Vamos cuidar da saúde dele."

    Além de ter a testa marcada com uma tatuagem, o adolescente revelou que teve o cabelo cortado e teve os pés e as mãos amarrados por Ronildo e Maycon.
    Menino foi torturado em cadeira na escadaria da pensão (Foto: Glauco Araújo/G1)
    O advogado da família, Leonardo Rodrigues, disse ao que deve se reunir com a família para saber quais medidas jurídicas deve tomar nos próximos dias. "Vamos avaliar. Primeiro vamos cuidar dele, ele foi medicado, está assustado com o que passou. Muitas pessoas compartilharam a imagem dele fazendo julgamento sem conhecer os fatos. Ele não fez nada do que foi dito e espalhado na internet."

    Ele estava desaparecido desde 31 de maio e a família o reconheceu no vídeo gravado e divulgado em redes sociais pelos dois agressores, que foram presos em flagrante.

    Antes do desaparecimento, o jovem chegou a passar por acompanhamento de conselheiros tutelares em atendimento no Centro de Apoio Psicossocial (Caps) de São Bernardo do Campo. Segundo a família informou à polícia, ele era usuário de drogas e sofre de problemas mentais.


    O crime

    A tatuagem foi filmada com o celular de Maycon, compartilhada no WhatsApp e o vídeo viralizou rapidamente. Nas imagens é possível perceber que o adolescente não reage às provocações do tatuador e do vizinho dele. Em certo momento, um deles diz: "vai doer, vai doer". Em outro momento eles perguntam ao menino o que ele quer tatuar e forçam a resposta: "ladrão."

    Com o vídeo em mãos, a família foi até o 3º DP de São Bernardo do Campo para tentar localizar o paradeiro do adolescente. Com as informações passadas pela família, uma equipe de investigadores seguiu até a Rua Jurubatuba, no Centro da cidade, onde localizaram o tatuador na calçada. No local não funciona um estúdio de tatuagem, mas uma pensão onde Ronildo e Maycon eram vizinhos.

    Na delegacia, os dois disseram para a delegada Carolina Nascimento Aguiar que o adolescente teria tentado furtar uma bicicleta na região e ficaram revoltados com isso e "resolveram tatuar o mesmo como forma de punição".

    'Vaquinha' na internet


    Vaquinha online arrecadou R$ 15 mil (Foto: Reprodução)
    O criador da campanha na internet que arrecada dinheiro para pagar o tratamento do adolescente de 17 anos que foi torturado e teve a testa tatuada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, diz que vem sofrendo ameaças nas redes sociais. A campanha atingiu às 11h50 deste domingo (11) o objetivo de arrecadar R$ 15 mil para a retirada da frase "Eu sou ladrão e vacilão" escrita pelos tatuadores na testa do menino.

    "Estou recebendo ameaças e mensagens de ódio", afirma o rapaz ao G1, que pediu para não ter o nome divulgado por questões de segurança. Segundo o rapaz, muitos tatuadores são ligados a grupos de skinheads no ABC paulista.

    O criador da campanha conta que conhece o menino desde que o rapaz tinha 8 anos. "No bairro que a gente mora tem pista de skate e ele ficava junto para tentar enturmar, mas já era evidente que ele tinha problemas psicológicos, já passou por clínicas e precisa de tratamento", afirma.

    O rapaz decidiu criar a campanha quando viu o vídeo no qual dois tatuadores escrevem na testa do menino alegando que ele era ladrão. "Os tatuadores forçaram ele a falar que estava roubando mas ele não roubou."

    A campanha deve ser encerrada ainda neste domingo. O dinheiro será usado para pagar a remoção da tatuagem. "Uma boa remoção custa uns R$ 6 mil mais custos com o tratamento dele, fora uma ajuda para avó que mora em um lugar muito pobre", diz o criador da vaquinha.

    Além dos R$ 15 mil arrecadados a campanha pode receber um aporte de gente que gerou o boleto mas não fez o pagamento. "Tem gente gerando boletos falsos de R$ 20mil para acharem que ja batemos a meta e não doarem mais", destaca o rapaz.


    Por Glauco Araújo, G1 SP, São Bernardo do Campo
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