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    quarta-feira, 23 de novembro de 2016

    OPINIÃO| A esquerda e a dilaceração do mundo

    Ideologias de esquerda causaram o colapso de inúmeras sociedades ao longo da história

    Lenin foi um teórico político, e um dos maiores responsáveis por difundir e implementar conceitos
    comunistas na União Soviética

    As ideologias marxistas, com toda a sua constrangedora e benemérita retórica de audácia, justiça social, igualdade e benevolência, categorizam-se como uma das maiores mentiras que já foram contadas em toda a história da humanidade. Concordo absolutamente que o comunismo, em teoria, é maravilhoso: de acordo com os seus princípios mais valorosos, essa ideologia afirma que a melhor maneira de extinguir a pobreza é repartir todas as riquezas de uma sociedade entre todos os seus indivíduos, de maneira que não existirá um único que sofra de carências. Assim, não existirão indivíduos ricos, mas tampouco existirão indivíduos pobres. O comunismo ensina que a melhor maneira de se levar a vida é viver com o suficiente. Perfeito! Absolutamente de acordo. Mas por que isso nunca foi colocado em prática?

    O comunismo, como a grande maioria das ideologias que foram criadas e difundidas ao longo da história humana, assim como o seu irmão bastardo e impetuoso, o socialismo, nunca levou em consideração uma questão importantíssima: a malignidade humana, e a impossibilidade de suprimi-la. Para que algo tão utópico desse certo, seria necessário que todas as pessoas do mundo fossem inerentemente generosas, decentes e honestas. Achar, portanto, que algum dia existiu ou existirão indivíduos comunistas realmente comprometidos com os ditames ideológicos requer um excessivo nível de burrice ou um insano grau de ingenuidade. 

    Os seres humanos são malignos, e quando chegam ao poder, a crueldade dos governantes torna-se latente. Sempre que indivíduos assumem posições de poder – e evidentemente, isso não é uma exclusividade do socialismo ou do comunismo – eles invariavelmente serão corrompidos, e inevitavelmente irão abusar do poder que usufruem. Foi isso o que fez Stálin na extinta União Soviética, Pol Pot no Camboja, Mao Tsé-Tung na China, e é isso o que Kim Jong-un faz atualmente na Coréia do Norte, assim como Alexander Lukashenko faz na Bielorrússia. O comunismo e o socialismo produziram ditaduras. E as piores já deflagradas ao longo da história humana, com direito a campanhas de genocídio, fome em escala descomunal, causada deliberadamente pela negligência ativa do estado, expropriação de bens e exploração dos mais pobres, entre muitas outras crueldades, tão pavorosas e malévolas quanto. 

    A China de Mao Tsé-Tung foi responsável, de acordo com as estimativas mais pessimistas, pela morte de 76 milhões de chineses

    Ideologias marxistas, como o socialismo e o comunismo não permitem o liberalismo, um valor inerente a sociedades capitalistas e democráticas. Nas ditaduras comunistas, todo e qualquer indivíduo é visto única e exclusivamente como uma ferramenta que deve existir para estar sempre à disposição do estado, pelo estado e para o estado. Completamente destituído de uma identidade própria, o comunismo, além de exasperar, desgastar e consumir o cidadão, torna ele um ninguém. 

    Uma das maiores falácias do comunismo e do socialismo está no seu discurso hipócrita de que ele existe para defender e proteger os pobres. Na verdade, além de não ver problema algum em sacrificá-los – e das formas e maneiras mais cruéis possíveis – ensina às classes mais miseráveis que eles não precisam trabalhar para viver, mas que podem e devem depender do estado, e que é tão aceitável quanto necessário odiar todas e quaisquer pessoas que possuírem mais do que eles, mesmo que se trate de pessoas corretas e honestas, que tiveram que trabalhar muito para conquistar o que possuem. 

    Os regimes comunistas e socialistas sempre foram os mais cruéis e sanguinolentos que existiram na história. A União Soviética stalinista, a China de Mao e a Alemanha Nazista dizimaram centenas de milhões de pessoas, em brutais e furiosas campanhas de genocídio, sendo que o Holocausto e o Holodomor configuram-se indubitavelmente como dois dos capítulos mais negros e deploráveis da história humana. Até mesmo países diminutos, como o Camboja, sofreram com governos socialistas, através de seus brutais ditames totalitários. Acredita-se que durante o regime de Pol Pot e do seu partido, o Khmer Vermelho, que durou apenas quatro anos, aproximadamente dois milhões e duzentos mil cambojanos morreram, vítimas de um fatídico e hostil programa governamental de trabalhos forçados, além das letais carências impostas pelo regime, como ausência de medicações, alimentos e condições mínimas para a manutenção da dignidade necessária à vida. 

    A incapacidade de praticar o que pregam – a hipocrisia – é outra de suas principais características. Se levarmos em consideração a biografia de Adolf Hitler, por exemplo, veremos que ele nunca levou a sua vida de acordo com os ditames e os preceitos do socialismo nacional. Hitler ficou absurdamente rico quando o seu livro, Mein Kampf, tornou-se um best-seller, recebendo centenas de milhares de marcos anualmente a título de vencimentos, relacionados aos direitos autorais. A remuneração que passou a ganhar do partido, e somado a este, o salário que o Führer recebia quando tornou-se oficialmente o chanceler da Alemanha, aumentaram exponencialmente os seus rendimentos, o que permitiu ao ditador austríaco entregar-se a uma vida de ostensivo luxo e conforto, que em nada caracterizava a vida de alguém que apregoava o nacional-socialismo como um rígido, imponente e severo modo de vida, que infatigavelmente espelhava-se em retidão de conduta e modéstia. Algo que Hitler, um permissivo e indolente sonegador de impostos, não tinha nem um pouco.

    Não obstante, riqueza, luxo e conforto é uma característica patente da vida de todos os ditadores, sem exceções. E Adolf Hitler, apesar de sua imensa fortuna, não chegaria a estar entre os mais ricos. Os comunistas mais famosos do mundo são indivíduos absurdamente ricos, com almas e estilos de vida tão capitalistas que dariam orgulho ao próprio Henry Ford. É tão irônico quanto trágico que os indivíduos mais icônicos destas falidas seitas políticas e ideológicas estejam entre os indivíduos mais ricos que já existiram sobre a face da terra. Quando um gestor político não pratica em sua vida aquilo que ele prega, evidentemente, ele demonstra a sua falta de valor e credibilidade. Mas enganar comunistas é muito fácil. Eles enxergam apenas aquilo que querem ver. E como essa gente não tem capacidade de reconhecer a completa e total impraticabilidade de um comunismo “decente”, que exista sem dizimar ou sacrificar a população que governa, os seus adeptos continuam insistindo em uma ideologia que nunca trouxe absolutamente nada de bom ao mundo.

    Que fique bem claro que, ao expor a verdade factual sobre as ideologias marxistas, não quer dizer que eu defenda o capitalismo de forma irrestrita e irremediável, pois sem dúvida nenhuma o capitalismo está longe de ser perfeito. Assim como, ao criticar a esquerda, não estou querendo dizer que a direita é impecável e maravilhosa. Não obstante, é importante enfatizar isso, pois sempre que as ideologias marxistas são criticadas, os seus adeptos, em sua opaca, diminuta e inexpressiva visão de mundo, passam imediatamente a criticar o capitalismo – o sistema que os veste, os alimenta, os emprega e permite que tenham uma vida – transformando o debate em uma simplória discussão capitalismo X comunismo. E são obrigados a apelar para isso, já que não existe absolutamente nada de bom para se falar à respeito do comunismo, o que torna praticamente impossível defendê-lo. Ora, se os críticos do capitalismo estão tão descontentes assim com o sistema no qual vivem, o que os impede de se mudarem para Cuba ou para a Coréia do Norte? Por aqui, certamente essa gente não vai fazer falta!

    Recentemente, o Papa Francisco fez uma absurda declaração no qual afirmava que comunistas e cristãos pensam de forma similar. Além da ignorância deste pobre senhor humilhá-lo em público, ela deixa todas as pessoas do mundo que são verdadeiramente cristãs embaraçadas e constrangidas. Evidentemente, devemos ter um pouco de bom senso aqui, para analisar o fato de que o papa, em sua ignorância, não foi capaz de expressar-se muito bem, mas certamente quis dizer que o comunismo teórico, em sua defesa da partilha, da igualdade e da ausência de ganância, compartilha dos fundamentos básicos do cristianismo, o que não deixa de ser uma afirmação coerente. Não obstante, o papa esquece que comparar uma ideologia política que, na prática, nunca conseguiu ser nada além de assassina, com uma religião que prega a benevolência e o amor ao próximo como uma crença fundamental, é algo tão insensato quanto estúpido. Qualquer pessoa – com exceção dele próprio – que tenha o mínimo de conhecimento e Inteligência sabe que o comunismo factual nunca foi capaz de fazer absolutamente nada de bom, a não ser deixar governantes absurdamente ricos, e dizimar populações inteiras da face da terra, na casa dos milhões. E sejamos realistas: quem de fato promove a benevolência, assistência humanitária e ajuda neste mundo? Quem apoia, sustenta e faz doações para que organizações não governamentais, como Médicos Sem Fronteiras, atuem em regiões miseráveis e desoladas da África, levando medicamentos, alimentos, auxílio humanitário, material e tratamento médico a populações carentes, que não têm como pagar pela ajuda que recebem? Bom, permita-me dar uma dica: não é o Vaticano, e nem os comunistas. 

    Não trabalhar, viver às custas do estado e invejar e odiar quem tem mais posses, além de ser uma forma ostensiva de parasitismo social, legitima a ociosidade como uma maneira fácil de ganhar a vida. Como uma ideologia que apoia a paralisia individual e a vagabundagem, ela serve muito bem a indivíduos que querem viver às custas dos outros. O discurso de apoio aos pobres e ao proletariado é conversa para ganhar ingênuos bem-intencionados, que, mais cedo ou mais tarde, serão facilmente manipuláveis. E infelizmente, as ideologias de esquerda conseguem se propagar com grande facilidade, pois sempre haverão jovens nesse mundo cheios de vigor, disposição e boa vontade, cuja falta de esclarecimento faz com que sejam alvos fáceis, seduzidos por uma retórica que ostenta justiça e igualdade social. Não tendo nem sequer um conhecimento mínimo de história, e não tendo capacidade nenhuma para compreender a dissoluta malignidade inerente ao comportamento humano, que faz com que qualquer indivíduo que alcance o poder invariavelmente abuse do mesmo, sempre a seu favor, a juventude facilmente manipulada é levada a acreditar que uma utopia frágil pode tornar-se realidade. No nosso caso mais especificamente, profundamente arraigado ao alicerce ideológico dos partidos de esquerda, serviu apenas para deixar um monte de políticos ricos, absurdamente ricos. E sempre com o desvio de verbas públicas, sem exceções. É o comunismo, em toda a sua glória: ensina indivíduos improdutivos e ociosos a viverem no luxo, no conforto e na riqueza, sempre às custas do estado.




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