Campo Grande (MS),

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    sexta-feira, 21 de outubro de 2016

    Palestra na Águas Guariroba aborda vazios urbanos da capital

    Divulgação

    “A gente mora numa cidade vazia”. A constatação é do arquiteto Ângelo Arruda, professor e coordenador do projeto Observatório de Arquitetura e Urbanismo da UFMS, a partir de um estudo realizado pela equipe sobre os vazios urbanos de Campo Grande. Em palestra aos técnicos da Águas Guariroba na sede da concessionária, na tarde desta sexta-feira (21), ele falou sobre a importância de se entender o fenômeno das áreas públicas e privadas vazias para o planejamento urbano - incluindo os serviços de água e esgoto.

    De acordo com o pesquisador, a Capital ocupa atualmente uma área de 359 km² - um perímetro urbano comparado com o da cidade de São Paulo. A diferença está na distribuição da população: enquanto a capital paulista tem densidade populacional de 7.398,26 habitantes por km², aqui o número é de 97,22 (IBGE 2010). Globalmente, já se discute o conceito de “cidades compactas”, com ocupação ideal de 250 a 330 pessoas por hectare. Campo Grande tem 21 habitantes por hectare e corre o risco de se espalhar ainda mais. “Mais ou menos 25% do perímetro urbano não tem ninguém morando em cima”, afirma Ângelo Arruda. “É o deserto do Saara urbano”, compara.
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    Campo Grande é dividida em sete regiões urbanas, 74 bairros e 793 parcelamentos. Ao olhar os mapas apresentados por Ângelo Arruda, o que impressiona não são só as imensas áreas desabitadas nas periferias da cidade, mas os grandes terrenos vazios em bairros próximos ao centro – em muito devido à especulação imobiliária e a uma cultura de “valorização” dos imóveis. O problema impacta na economia local, inviabilizando negócios que poderiam gerar emprego e renda: restaurantes, padarias, e supermercados só se mantêm onde há público consumidor. O mapa dos vazios acaba se equiparando também ao da exclusão social. Com pontos de ocupação cada vez mais distantes, o investimento em obras de infraestrutura e serviços públicos torna-se mais caro.

    O ponto positivo do excesso de espaço que já está disponível na Capital é poder planejar o futuro, ocupando os vazios com empreendimentos que beneficiem a população. “O ideal é chegar a um equilíbrio”, afirma o pesquisador. “Quando pensamos nessa pesquisa eu tinha certeza que não ficaria restrito ao interesse acadêmico. A finalidade deste trabalho é, principalmente, conhecer a nossa cidade. Isso possibilita aos gestores e concessionários entender melhor este entorno para prestar um serviço de mais qualidade à comunidade”, destaca o arquiteto.

    Para o presidente da Águas Guariroba, José João Fonseca, que assistiu à palestra, a concessionária de serviços de água e esgoto tem o interesse em trabalhar de forma conjunta com a universidade para entender a relação entre os vazios urbanos e o planejamento dos serviços de saneamento básico da Capital. “Este assunto é de muito interesse nosso, daqui já surgiram várias ideias. Temos uma base dados que está totalmente à disposição e podemos cooperar para avançar neste estudo”, destaca.





    Fonte: ASSECOM
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