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    segunda-feira, 31 de outubro de 2016

    ARTIGO| Uma visão otimista

    Por: Waldir Guerra*

    Estas duas últimas semanas foram as mais positivas deste ano – na minha visão, claro. O desarme de uma quase grave crise governamental pelo presidente Michel Temer abriu-me os olhos para o que vem acontecendo com o Brasil; senão vejamos...

    Numa atitude dramática e meio desesperada em defesa do Poder Legislativo o presidente do Senado, Renan Calheiros, tachou, durante entrevista coletiva, um juiz federal por “juizeco” de primeira instância e o Ministro da Justiça de “chefete de polícia”. Tudo porque autorizaram a prisão de alguns membros da polícia do Senado. Isso motivou a convocação, pelo presidente Michel Temer, de uma reunião dos três Poderes no Palácio Itamaraty – um território quase neutro, penso eu.

    O presidente usou a urgência de se discutir a questão de segurança nacional tendo em vista dados divulgados que o Brasil teve, entre 2011 e 2015, um total de 278 mil assassinatos, mais do que as 256 mil mortes na Síria que está em guerra aberta. Só no ano passado, 2015, foram 160 assassinatos por dia – uma calamidade, quase desgoverno total na questão segurança. 

    Assim, com esse argumento Michel Temer reuniu a presidente do STF, Cármen Lúcia; o presidente do Senado, Renan Calheiros; o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e ele próprio, presidente da República a fim de acalmar os ânimos entre eles. Na verdade nada, absolutamente nada resolveram sobre a questão da segurança, mas saíram de lá todos de bem e sorridentes – essa é a especialidade de Michel Temer. 

    Outras questões que podem parecer de somenos importância, mas que observei na semana passada: 1) Ministro do Supremo determinou que fosse anulado o ato de prisão dos agentes da polícia legislativa do Senado feita por um juiz federal – significa dizer que essa competência só o STF poderá fazê-lo. 2) A determinação pelo STF que nas greves de servidores públicos seja feito o corte no ponto – lógico, afinal, é greve ou férias intempestivas? 3) O Supremo (STF) decide contra a “desaposentação” e isso indica uma economia, segundo a AGU, para os cofres públicos de aproximadamente 7,7 bilhões de reais todo ano. 

    Sim, são pequenas questões, mas indicam que Michel Temer encontra respaldo no Supremo e isso reforça a credibilidade em sua administração. 

    Credibilidade que também foi demonstrada pela Câmara dos Deputados ao aprovar em duas votações a PEC 241 que dilui em 20 anos o remédio amargo da necessária recuperação econômica do Brasil. Acredite, se o país está pior que a Síria na questão de mortes, imagine como estaríamos com 15 milhões de desempregados – com Dilma Rousseff estaríamos quase lá. 

    Outro dado importante: a Petrobras está se recuperando rapidamente, tanto que suas ações triplicaram de valor. Se ela conseguir se livrar definitivamente das indicações políticas, em poucos anos voltará à sua grandiosidade.

    Se realmente a empresa Odebrecht fizer a delação premiada, 200 dos atuais políticos em atividade não poderão se candidatar em 2018 – estaria eu otimista demais? Pode ser, mas o Brasil ficaria mais limpo, assim como estiveram as eleições no segundo turno deste domingo. 

    Para completar minha visão otimista do Brasil, ainda preciso dizer da alegria em ver dois netos aprovados nos exames do vestibular. Um aprovado em duas faculdades; outro aprovado em primeiro lugar. Valeu! Meninos.


    *Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br) 


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