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    quinta-feira, 25 de agosto de 2016

    Sérgio Moro autoriza devolução de passaporte para Claudia Cruz

    Decisão contraria o MPF, que alertou para risco de fuga da investigada. Cláudia Cruz é mulher do deputado Eduardo Cunha e é ré na Lava Jato.

    Claudia Cruz, mulher do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, durante cerimônia no congresso em novembro de 2015 (Foto: Evaristo Sá/AFP/Arquivo)

    O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, aceitou o pedido da defesa da mulher do deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Cláudia Cruz, para que fosse devolvido passaporte dela que estava com a Justiça.

    A decisão do juiz contraria uma petição do Ministério Público Federal (MPF), que alertou sobre a possibilidade de risco de fuga da investigada, que é ré na Operação Lava Jato.

    "Existe real possibilidade de Cláudia Cordeiro Cruz e/ou seus familiares manterem outras contas bancárias no exterior, havendo risco concreto de eventual fuga e utilização de ativos secretos ainda não bloqueados caso o passaporte seja devolvido", disseram os procuradores do MPF.

    De acordo com as investigações, Cláudia Cruz foi favorecida, por meio de contas na Suíça, de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão recebida pelo marido. Ela responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

    No despacho, publicado no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná, nesta quarta-feira (24), Moro observou que a entrega do passaporte à Justiça foi iniciativa da própria defesa de Cláudia Cruz, mas determinou que possíveis viagens realizadas por ela sejam previamente informadas oficialmente.

    "Defiro o pedido de dispensa, sob a condição de que a intimação para os atos processuais vindouros seja realizada na pessoa de seus advogados. Ausência de oposição será interpretada como concordância tácita", disse o juiz.

    O deputado Eduardo Cunha afirmou, em outras ocasiões, que as contas de Cláudia no exterior estavam "dentro das normas da legislação brasileira", que foram declaradas às autoridades e que não foram abastecidas por recursos ilícitos.

    O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do MPF da Operação Lava Jato, chegou a dizer que "dinheiro público foi convertido em sapatos de luxo e roupas de grife".



    Do G1 PR e da RPC
    Por: Adriana Justi e Fernando Castro

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