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    domingo, 28 de agosto de 2016

    Por que a semana tem sete dias?

    Crença de que número 7 é místico existe há muito tempo; ele é também o preferido de muita gente.

    Número 7 é místico há muito tempo (Foto: THINKSTOCK/BBC)

    Pare para pensar: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo.

    Mas também: Dó, ré, mi, fa, sol, lá, si. Sete notas musicais.

    Vermelho, laranja, amarelo, verde, ciano, turquesa, azul, violeta. Sete cores do arco-íris. Sete chacras no corpo humano.

    Dá para continuar.

    Apesar de se saber que os números sempre existiram por razões práticas – contar ovelhas ou tomates, por exemplo –, eles também revelam padrões abstratos, e isso fez com que virassem objeto de estudo.

    Cada número tem um significado em si: o 1, por exemplo, é o mais popular de todos como primeiro dígito (em um conjunto de dados, cerca de 30% dos números começam com 1) e o 5, no Oriente Médio, repele o mal.

    Mas o 7 ocupa um lugar privilegiado.

    Preferido

    Antes de falar dos dias da semana, exploremos os números que existem sobre eles.

    Ao que parece, o 7 é o preferido das pessoas.

    No livro Alex através do espelho, Alex Bellos fez um experimento lançando nas redes a pergunta: “Qual o seu número preferido?”. Ele recebeu respostas de todas as partes do mundo.

    Apesar de todos os números de 1 a 100 terem tido votos e ter havido 472 votos para números de 1 a 1000, o preferido certamente foi o 7.

    A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, tentou comprovar o experimento com um método bem pouco científico. Mandou um e-mail para os jornalistas da equipe que trabalhavam um dia com a mesma pergunta.

    Das 16 pessoas que responderam , 7 escolheram o 7, mais que os outros dígitos. O segundo lugar teve três votos.

    Mas por quê?

    "Quando escolhemos nosso número favorito, é provável que escolhamos um número ímpar, porque eles parecem mais interessantes”, diz Bello.

    “Os pares são mais cômodos – 2, 4, 6, 8 -, enquanto o 3, 7, 9, nos fazem pensar um pouco mais. E o 7 é o mais perigoso, porque é a tabuada mais difícil.”

    “Um dos testes de demência ou para pessoas que saíram de um coma que se faz é pedir a elas que, partindo do 100, subtraíam de 7 em 7 até no 0.”

    “Fazem isso porque é muito mais difícil. 5 é fácil. E se fosse 6 ou 8, os números se repetem muito mais do que com 7, então não seria tão complicado.”

    O curioso, diz Bellos, é que inclusive pessoas que dizem odiar matemática ou que acham impossível a tabuada de 7 o escolhem como número preferido.

    Mas não apenas é um número do qual as pessoas gostam, ele também tem uma longa história.

    Simbólico por excelência

    "Ao longo da história, de todos os números, o 7 é o que tem mais simbolismo cultural, místico e religioso”, aponto o autor.

    Os 7 mares (que foram reais a imaginados ao longo dos séculos e através das culturas), as 7 idades do homem de Shakespeare, os 7 metais da Alquimia...

    "Para mim, a razão pelo qual conferimos tantas qualidades místicas ao 7 gira em torno de sua unicidade numérica”, diz Bellos. “O 7 é o único entre os primeiros 10 números que não pode ser multiplicado ou dividido dentro do grupo.”

    Mmm... ?

    "Se você multiplica por 2 o 1, 2, 3, 4 ou 5, o resultado é menor ou igual a 10", ou seja, multiplicados por um do grupo, não saem dele.

    “Os números 6, 8 e 10 podem ser divididos por 2 e 9, por 3, e seguem dentro do grupo.”

    “O 7 é o único que não produz nem é produzido. É por isso que parece especial... porque é!”, constata Bello.

    Todos os dias?

    Os dias já são contados há muito tempo.

    O nascer e o pôr-do-sol são eventos muito imponentes para que passassem batidos, principalmente quando não sabíamos iluminar as noites.

    A natureza os separava e os humanos marcavam em um tronco.

    “Nossos primeiros calendários estavam vinculados aos fenômenos astronômicos, como a Lua Nova, de forma que o número de dias em cada calendário variava. Se se regiam pela Lua, por exemplo, os ciclos duravam entre 29 e 30 dias”, diz Bellos.

    “No primeiro milênio a.C. os judeus introduziram o novo sistema: decretaram que o Sabbat seria cada sétimo dia ad infinitum, independentemente da posição dos planetas.”

    Ao contrário de outras culturas, em hebraico os dias da semana não têm nomes de deuses, festivais, elementos ou planetas, mas são números, com exceção de sábado, Yom Shabbat (יום שבת) ou dia Sabbat.

    Desta forma, explica, nos emanciparam das leis da natureza, colocando a regularidade numérica no centro da prática religiosa e organização social.

    “A semana de 7 dias virou a tradição de calendário ininterrupta mais antiga da história”, afirma.

    Razões?

    O 7 já era um número místico quando os judeus declaram que Deus levou seis dias para fazer o mundo e no sétimo descansou.

    Outros povos mais antigos também haviam usado períodos de sete dias em seus calendários, mas nunca repetidos eternamente.

    “A explicação mais comumente aceita para o predomínio do 7 no contexto religioso é que os antigos viam sete ‘planetas’ no céu: o Sol, a Lua, Vênus, Mercúrio, Marte, Júpiter e Saturno”, destaca Bellos.

    Os babilônios foram um desses povos que associaram o número 7 aos corpos celestes. Por isso, alguns acreditam, virou importante marcar o sétimo dia com rituais.

    A semana de sete dias ligada ao astros foi adotada até no Extremo Oriente.

    Mas pode haver outras explicações para sua importância simbólica.

    Uma delas é que os egípcios usavam a cabeça humana para representar o 7, porque há sete orificios nela: ouvidos, olhos, nariz e boca.

    A psicologia dá outra explicação: “Seis dias seria o período ótimo de tempo que uma pessoa pode trabalhar sem descansar”.

    “Além disso, sete pode ser o número mais apropriado de nossa memória, o número de coisas que uma pessoa média pode manter em mente é 7, mais ou menos 2.”

    E há algo mais que faz o 7 especial, segundo Bellos, que ilustrou com um exemplo peculiar.

    “Pense nos sete anões da Branca de Neve. Por que não seis? Seriam suficientes – nem muitos nem poucos – mas poderiam se separar em 3 x 3, se dividir em grupos de dois. Se são sete, eles precisam ser vistos como um grupo.”

    “Para mim, isso faz com que o 7 seja poderoso: faz com que todos sejam iguais.”



    Fonte: G1
    Da BBC

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