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    sábado, 27 de agosto de 2016

    Oposição faz acordo, e Kátia Abreu será primeira a interrogar Dilma

    Paulo Paim era primeiro inscrito; troca é 'escolha simbólica', diz senador. Na noite deste sábado (27), lista para perguntar a Dilma tinha 46 senadores .

    Divulgação

    Um acordo firmado entre os senadores contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff mudou a ordem dos inscritos para interrogá-la na próxima segunda (29), no julgamento final do processo. A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) será a primeira a usar a palavra, logo após o pronunciamento de Dilma, que tem previsão para começar às 9h.

    Inscrito originalmente em primeiro lugar, Paulo Paim (PT-RS) afirmou ao G1 que acatou a troca por razões "simbólicas". Amiga pessoal e uma das principais aliadas políticas de Dilma durante o impeachment, Kátia permaneceu no governo mesmo após o rompimento do PMDB com a presidente, em março.

    "Eu ia falar primeiro, porque ela é gaúcha. Nasceu em Minas, mas é gaúcha. Ia fazer uma saudação para preparar a entrada dela. Mas as últimas falas, para mim, são as que marcam, as que ficam", disse Paim.

    Às 20h40, a lista de inscritos tinha 46 nomes e já trazia Kátia na posição 1, e Paim na posição 23. Dos 15 primeiros inscritos, apenas Kátia Abreu e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) são contrárias ao impeachment de Dilma Rousseff.

    Tentativa de acordo

    Ao longo do dia, parlamentares de oposição ao governo Michel Temer tentaram um acordo com a base para um revezamento nos questionamentos feitos a Dilma. O tema seria discutido em uma reunião no fim do dia, após a conclusão dos depoimentos das testemunhas. O acordo foi rejeitado pela base, e a reunião, cancelada.

    "O que fica, na verdade, são as últimas mensagens. Talvez, tenha sido uma estratégia errada da oposição, deixar que nós encerremos. A última palavra vai ser dela, sempre. Então, vai fazer o encerramento só ouvindo o lado que tem mais identidade com ela", disse Paim.

    Líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) diz que a ordem não faz diferença para as perguntas. "O Congresso Nacional não é capaz de derrubar a lei da gravidade, nem mudar o resultado lógico da matemática. É uma questão matemática, nós somos 60 e eles são 20. Ficaremos em maioria sempre, e de 3 para 1", disse.

    Os senadores favoráveis a Dilma devem usar as perguntas para apontar o que chamam de "golpe" e "injustiça" no julgamento. A estratégia, segundo os senadores, é questionar sobre os avanços em áreas como saúde, educação e empego, para que a presidente possa listar as conquistas dos governos do PT.

    "Eles [da oposição à Dilma] vão querer desconstruir o legado, e nós vamos queremos reconstruir. Mostrar que, em 13 anos, deixamos 18 milhões de empregos a mais. Comparativos de dados, ensino técnico, universidade. A intenção é falar livremente e deixar que ela discorra sobre o que ela quiser", disse Paim.

    Regras

    O depoimento de Dilma tem regras específicas, diferentes das que foram adotadas para as testemunhas de defesa e acusação.

    A presidente poderá fazer um discurso inicial de 30 minutos, a partir de 9h, e o prazo pode ser prolongado. Em seguida, todos os inscritos poderão fazer questionamentos à presidente, que não tem obrigação de responder às perguntas.

    O procedimento não prevê réplica e tréplica, a menos que algum parlamentar se sinta atingido pela fala de Dilma – neste caso, ele pode pedir um direito de resposta que será avaliado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que comanda a sessão.

    A acusação, representada pelos autores do pedido de impeachment, e a defesa, comandada pelo ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, também poderão fazer questionamentos a Dilma.



    Do G1, em Brasília
    Por: Mateus Rodrigues

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