Campo Grande (MS),

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    segunda-feira, 8 de agosto de 2016

    LÍNGUA PORTUGUESA - Professor Fernando Marques


    DISCURSAR 

    6.6 Do cuidado com as palavras

    O cuidado com a utilização das palavras deverá ser exercido desde as primeiras expressões. Como exemplo, o cumprimento: bom dia, boa tarde, boa noite. Essas formas são suficientes para o estabelecimento do vínculo entre o orador e a sua plateia. 

    Bom dia a todos, boa tarde a todos, ou boa noite a todos são frases que podem ser utilizadas com ênfase, mantendo o reforço do cumprimento. Todavia, expressões como “bom dia a todos e a todas”, “boa tarde a todos e a todas”, ou “boa noite a todos e a todas” são formas antipáticas, cuja utilização só deve ser efetivada quando o grupo de ouvintes for comprovadamente composto por pessoas destituídas do entendimento de que a palavra “todos” aglutina pessoas de todos os gêneros. Assim, se a plateia for homogênea ante a aceitação dessa forma de cumprimento, a frase utilizada pelo emérito educador Paulo Reglus Neves Freire, ou somente Paulo Freire, (1921-1997) para o início das suas aulas diante de pessoas analfabetas, soará de forma cativante e aproximadora. Entretanto, para evitar problemas, o orador deverá ser perspicaz, sendo preferível a utilização da forma clássica, isenta de erros: “bom dia, senhoras e senhores”, “boa tarde, senhoras e senhores”, ou “boa noite, senhoras e senhores”. 

    Outras formas de cumprimento: “olá pessoal”, “caros amigos”, “caríssimos amigos”, “nobres colegas”, “excelentíssimos amigos”, “excelentíssimos integrantes desta dileta plateia”, “excelentíssimos e abençoados amigos”, “excelentíssimos senhores”, “caríssimos irmãos”. 

    O ambiente, as circunstâncias e o público indicarão a forma mais adequada para o cumprimento que estabelecerá a imediata e automática ligação entre o orador e os ouvintes. 

    Convém cativar as pessoas desde os primeiros instantes, visto que elas prestam a atenção a partir dos primeiros movimentos do orador. 

    Aproximar-se com as mãos nos bolsos, gera frustração, ainda que o assunto referente ao discurso tenha sido o motivo principal para a presença de cada ouvinte. 

    A sintonia com o público ocorre por meio do uso adequado da postura e da linguagem. 

    Ao dirigir-se para o palco ou tribuna, o orador não deve ficar remexendo papéis, procurando algo nos bolsos, arrumando a gravata e acessórios, fechando paletó, ou ajustando o microfone. Deve manter a elegância da postura, dirigindo-se imediata e solenemente à tribuna.

    Optando por contar uma piada, deverá ser extremamente cuidadoso, para não colocar sob risco a sua reputação. Também deverá observar a reação da plateia e jamais rir, mantendo-se neutro, ainda que considere “excelente” a piada que escolheu para aquele momento.

    Deverá ter plena certeza a respeito do significado de cada palavra a ser proferida, a fim de não se expor como ignorante, despreparado ou inconveniente. Durante alguns discursos proferidos por “doutos” professores e por “eminentes” doutores, muitos foram hostilizados por usarem palavras como “aonde”, quando deveriam ter dito “onde”, “de encontro”, quando deveriam ter dito “ao encontro”, “o médico, ele disse...”, quando deveriam ter afirmado “o médico disse...”, “Foi instalado o inquérito”, quando deveriam ter dito “foi instaurado o inquérito”, “a mesma”, quando a palavra correta seria “ela” etc.

    Jamais se pede desculpas quando se fala ao público, nem mesmo quando ocorre equívoco em relação a datas, pronúncia ou outras informações, tendo em vista que a repetição de forma clara resolverá o problema. 

    Erra o orador que pede desculpas pelo atraso, por estar acometido de gripe, por estar cansado, por não estar devidamente preparado para falar sobre o assunto, porque a sogra está menstruada.

    Continuação na próxima semana

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