Campo Grande (MS),

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    quarta-feira, 27 de julho de 2016

    Presidente decreta o fim da má utilização do ambu na Santa Casa de Campo Grande

    Divulgação/Vídeo

    O presidente da ABCG – Santa Casa, Dr. Esacheu Nascimento, determinou nesta quinta-feira, dia 21 de julho de 2016, que não será mais aceita nas dependências do hospital a utilização inadequada do ambu. Com seis meses de mandato tentando sensibilizar as autoridades, e sem obter nenhuma solução no sentido de evitar o sofrimento humano com a prática citada, o presidente convocou a diretoria técnica do hospital e determinou que fosse feito o necessário para banir da Santa Casa de Campo Grande a utilização inadequada do equipamento.

    No mesmo dia o diretor técnico do hospital, Dr. Mário Madureira reuniu-se com o médico e a enfermeira responsáveis pelo Pronto Socorro (PS), com a equipe de engenharia, Tecnologia da Informação e demais setores que possam relacionar-se profissionalmente com o caso e foram tomadas as medidas necessárias para o cumprimento da determinação. Entre estas, estão mudanças físicas prediais no PS, realocação de setores e algumas alterações de fluxo e atendimento para disponibilizar alguns leitos que possam ser convertidos em pontos de respiração mecânica de forma emergencial e transitória nas necessidades.

    As medidas administrativas já garantiram a ausência da prática nos últimos três dias, desde sexta-feira (21), e as alterações físicas, que estão sendo concluídas nesta segunda-feira (24), devem assegurar a flexibilidade necessária aos leitos da Área Vermelha do Pronto Socorro para que a mesma não volte a ocorrer. 

    Com base em suas decisões e nas necessidades para manter a determinação, o presidente Esacheu Nascimento comunicou a Promotoria da Saúde, solicitando apoio para que sejam mantidas as responsabilidades das esferas públicas de poder na condução da Saúde, de forma a não pressionarem pelo fim da medida, que está sendo alcançada com muito custo e esforço por parte do hospital e de seus trabalhadores.

    O que é um ambu?

    Ambú é um instrumento da medicina composto de um balão flexível acoplado a válvulas, de maneira a permitir que seja bombeado manualmente o ar ambiente apenas, ou composto com oxigênio puro, para dentro dos pulmões de um paciente que esteja em parada cardiorrespiratória ou com dificuldades respiratórias.

    Em que casos o ambu é indispensável?

    Nos casos onde não é possível contar com ventiladores mecânicos (eletrônicos), como nos de resgate ou transporte, e também em ambientes mais equipados durante procedimentos como logo no início da intubação orotraqueal, locomoção ou exames de imagens, por exemplo, porém sempre pelo menor tempo possível.

    Quais as vantagens de um ventilador mecânico (eletrônico)?

    As vantagens de um ventilador mecânico ou eletrônico sobre a ventilação manual são várias. As mais básicas estão relacionadas à capacidade do aparelho em dimensionar corretamente o volume e a pressão positiva necessários para cada caso. Isto é possível devido à sensibilidade da máquina em obter parâmetros barométricos precisos em seus sensores, adequando o volume de ar e a pressão necessária e suficiente. Outros parâmetros mais complexos podem ainda ser monitorados pelo mesmo aparelho, tais como os níveis de saturação de oxigênio, curvas da freqüência respiratória, além de pressão sanguínea e freqüência de pulso, por exemplo.

    Por que não se recomenda a utilização de ambu por períodos mais longos?

    Toda respiração artificial invasiva (por tubo orotraqueal) deve ser mantida pelo menor tempo possível, pois o próprio tubo é fator de irritação das vias e, quase que geralmente, fonte de infecção pneumônica. Além disto, por mais precisa que seja a intervenção no fornecimento correto da respiração, ela continua sendo artificial e, de alguma forma, agressora. As complicações potenciais são pneumotórax, lesão das vias aéreas, dano alveolar e pneumonia.

    A partir disto, sabe-se que a própria ventilação mecânica (eletrônica) tem limitação de tempo para ser utilizada sem maiores danos, e no caso do ambu, esta limitação é muito maior. Como no fornecimento de respiração via ambu não se pode dosar com exatidão a quantidade de gás injetada e nem a exata freqüência necessária, é possível que a prática cause esforço excessivo das paredes pulmonares, causando micro-traumas alveolares pelo esforço, assim sua utilização não deve ser feita por horas a fio como solução perene à má condição respiratória do paciente.

    Por que a utilização de ambu por períodos longos é comum nas unidades de saúde brasileiras?

    Esta má utilização do recurso ocorre com freqüência devido a fatores estruturais que causam outras mazelas no atendimento de forma geral. Apesar de uma política de saúde de filosofia mais generalista que de outros países, os investimentos em sua manutenção, custeio e ampliação são insuficientes no Brasil. A capacidade instalada do sistema não progride nas mesmas proporções da demografia e a insuficiência se faz generalizada, com comuns ocorrências de verdadeiros “caos” em certos pontos.

    O aumento da demanda frente à quantidade estanque de leitos tem obrigado os profissionais da área médica a improvisarem soluções para melhorar a sobrevida de pacientes para os quais não se tem o recurso ideal. Uma destas “saídas” encontradas é a utilização dos ambus por tempo muito maior do que o recomendado para, desta maneira, suprir mesmo que de forma precária a carência de ventiladores mecânicos (eletrônicos) e de leitos de UTIs. 

    Curiosidade

    A prática da respiração artificial remonta a 1530, quando Paracelsus (1493-1541) usou um fole conectado a um tubo inserido na boca de um paciente para assistir sua ventilação.



    Fonte: ASSECOM

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