Campo Grande (MS),

  • LEIA TAMBÉM

    05/11/2018

    Governo Temer nomeia 28 indicados por Bolsonaro para equipe de transição

    Na lista, estão três ministros da futura gestão: Marcos Pontes (Ciência), Augusto Heleno (Defesa) e Paulo Guedes (Fazenda)

    Adicionar Parte da equipe de transição do governo Bolsonaro, os futuros ministros Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e general Augusto Heleno (Defesa) - Pedro Ladeira/Folhapress
    O presidente Michel Temer nomeou nesta segunda-feira (5) uma equipe de 28 nomes indicados pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para compor o gabinete de transição de governo.

    A lista dos indicados, que receberão salários que irão variar de R$ 2.585 a R$ 16.215, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. Do total, cinco foram designados sem remuneração. 

    Além do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que irá coordenar o grupo, foram nomeados os futuros ministros Marcos Pontes (Ciência), Augusto Heleno (Defesa) e Paulo Guedes (Fazenda). Para a equipe econômica, foram indicados os pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Adolfo Saschida e Alexandre Iwata, o tributarista Marcos Cintra, os professores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Abraham e Arthur Weintraub, entre outros.

    Do atual governo, foram nomeados o secretário-executivo da Secretaria-Geral, Pablo Tatim, o coordenador-geral da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Waldery Rodrigues Junior, e o diretor de Programa da Secretaria de Articulação para Investimentos e Parcerias, Bruno Castro de Carvalho.

    Para quarta-feira (7), está marcado o primeiro encontro entre Bolsonaro e Temer, que deve ser realizado no Palácio do Planalto. Na reunião, o presidente entregará uma cartilha sobre os resultados de sua gestão e deve defender ao militar a votação de uma reforma previdenciária ainda neste ano, apesar da resistência do Congresso.

    No período da transição, Bolsonaro deve permanecer, enquanto estiver em Brasília, na Granja do Torto, residência oficial da Presidência da República, que passou por reforma para recebê-lo. Por uma questão de segurança, Temer também cedeu um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para que Bolsonaro se desloque até assumir o Palácio do Planalto, em janeiro.

    Veja a lista dos nomes da equipe de transição de governo:
    • Marcos Aurélio Carvalho
    • Paulo Roberto
    • Marcos César Pontes
    • Luciano Irineu de Castro Filho
    • Onyx Lorenzoni
    • Paulo Antônio Spencer Uebel
    • Augusto Heleno Ribeiro Pereira
    • Gustavo Bebianno Rocha
    • Arthus Bragança Weintraub
    • Gulliem Charles Bezerra Lemos
    • Eduardo Chaves Vieira
    • Roberto da Cunha Castello Branco
    • Luiz Tadeu Blumm
    • Carlos Von Doellinger
    • Bruno Eustáquio Castro de Carvalho
    • Sérgio Augusto de Queiroz
    • Antônio Flávio Testa
    • Carlos Alexandre da Costa
    • Paulo Roberto Guedes
    • Waldemar Gonçalves Ortunho
    • Abraham Vasconcellos Weintraub
    • Jonathas Nery de Castro
    • Ismael Nobre
    • Alexandre Ywata de Carvalho
    • Pablo Antônio Tatim
    • Waldery Rodrigues Junior
    • Adolfo Sachsida
    • Marcos Cintra
    A equipe de Bolsonaro também definiu a criação de dez grupos de trabalho que vão conduzir a transição do governo. O desenho é um indicativo da estrutura ministerial da próxima gestão. 

    São eles:
    • Desenvolvimento Regional;
    • Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações;
    • Modernização do Estado;
    • Economia e Comércio Exterior;
    • Educação, Cultura e Esportes;
    • Justiça, Segurança e Combate à Corrupção;
    • Defesa;
    • Infraestrutura;
    • Produção Sustentável, Agricultura e Meio Ambiente;
    • Saúde e Assistência Social
    Os grupos foram anunciados por Onyx Lorenzoni, nomeado ministro extraordinário e futuro chefe da Casa Civil, após a primeira reunião da equipe, em Brasília.

    Participaram também do encontro técnicos e dois futuros ministros: Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e general Augusto Heleno (Defesa).

    "Nós estamos naquela fase do 'muito trabalho e pouca conversa'. Hoje foi a primeira reunião dos primeiros técnicos. Nós tivemos aqui, majoritariamente, o grupo de infraestrutura e já também algumas pessoas da área da Ciência e Tecnologia. Nós fizemos um primeiro ajuste já e criamos os primeiros grupos técnicos."

    De acordo com Lorenzoni, a equipe de 28 nomes, publicados no Diário Oficial da União, será ampliada até o fim da semana. 

    Alguns anúncios, segundo o ministro, devem ser feitos pelo próprio Bolsonaro na quarta-feira (7), depois do encontro com o presidente Michel Temer. Há uma previsão também de que o presidente eleito conceda uma entrevista.

    Ao contrário do que Lorenzoni afirmou na semana passada, quando disse que não pretendiam ocupar os 50 cargos disponíveis em lei, o ministro anunciou que a equipe deve ser maior.

    Segundo ele, isso será possível por meio da cessão de servidores federais dos Três Poderes e por participação de voluntários.

    "Foi a fórmula que nós achamos para poder dar consistência e amplitude aos diversos grupos de trabalho", afirmou.

    Segundo Lorenzoni, a ideia é que o governo Bolsonaro tenha 16 ministérios. As principais indefinições sobre as pastas se dão em torno das fusões, como Meio Ambiente e Agricultura; Comércio Exterior e Economia e Justiça, que será assumida pelo juiz Sergio Moro. 

    A criação de um único grupo de trabalho para cuidar de Justiça, Segurança Pública e Combate à Corrupção, por exemplo, é um indicativo de que a Transparência e Controladoria-Geral da União devem ser fundidas ao ministério que será comandado por Moro.

    "A transição sempre é muito trabalhosa, principalmente quando está prevista uma redução significativa de ministérios, essa transição será naturalmente bastante elaborada. É preciso ter muito entendimento entre as duas equipes, a do governo que está saindo e a do que está entrando", disse Heleno, pontuando as dificuldades dessa etapa.

    O futuro ministro da Defesa afirmou também que a presença de militares no governo do presidente eleito é "uma questão de coerência" e que não tem relação com uma intervenção ou autoritarismo. 

    "Não tem nada a ver com governo militar. Ninguém está pensando em intervenção militar, ninguém está pensando em autoritarismo. Nada disso. É um aproveitamento de gente que o país não estava acostumado a aproveitar. [...] Pouca gente conhece o Brasil como nós", disse.

    VENEZUELA

    Heleno também declarou que o fechamento de fronteira com a Venezuela se trata de uma proposta utópica. 

    "Esse fechamento da fronteira, quem conhece a fronteira da Amazônia sabe que não vai fechar. Então é uma proposta que não é realizável. É uma proposta utópica. Não vai fechar", afirmou, ao ser questionado sobre se este é um plano do futuro governo. 

    Heleno também foi perguntado sobre a decisão do governo do Egito de cancelar uma visita que o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, faria ao país árabe. O chanceler brasileiro desembarcaria na quarta-feira (7) e cumpriria uma agenda de compromissos entre os dias 8 e 11 de outubro.

    "Não vou tecer considerações sobre esse problema que aconteceu porque eu não sou nem primeiro ministro, nem ministro das relações exteriores. Vai ter gente mais tarde para entrar nessa seara", disse.

    No início da entrevista, Lorenzoni pediu desculpas aos jornalistas pelo fato de o comitê de imprensa montado no CCBB (Centro Cultura Banco do Brasil) estar fechado. Os repórteres não puderam entrar no prédio, onde a equipe de transição vai trabalhar.

    Segundo ele, a estrutura ainda não está pronta. Contudo, o Palácio do Planalto informou na segunda-feira (29) passada que a sala já estava disponível.

    Após a repercussão negativa, a Secom da Presidência da República avisou os jornalistas que a sala estará disponível na terça-feira (6).

    Fonte: Folha de S.Paulo


    Imprimir