Campo Grande (MS),

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    18/11/2018

    Em MS há 5 anos, médica cubana lamenta ter de voltar para casa

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    Médicos deverão voltar para Cuba após decisão ©DIVULGAÇÃO
    Em Mato Grosso do Sul há cinco anos, médica cubana, de 47 anos, vive na incerteza do que acontecerá com sua carreira daqui para frente. A mulher, que pediu para não ser identificada na reportagem, por temer represálias, diz que foi pega de surpresa com a decisão do governo de Cuba, e lamenta o fato de ter de voltar para casa.

    “Estamos totalmente dispostos a ficar e, se preciso for, fazer o Revalida (teste que valida o diploma estrangeiro de Medicina no Brasil), mas o novo presidente [Jair Bolsonaro] nos exclui. O governo eleito não nos aceita, essa é a nossa revolta. Cuba não está bloqueando o fato de nós ficarmos, pelo contrário. Mas nós nos sentimos um pouco constrangidos, porque o novo presidente nos exclui como se fossemos incompetentes, e nós já provamos que não somos”, disse a profissional, formada há 18 anos.

    Com família em Cuba, a mulher diz que se adaptou bem ao Brasil, inclusive, tinha o sonho de trazer os filhos, já que se casou por aqui. “Eu conheci meu companheiro, começamos uma amizade e depois começamos uma relação que fluiu. Me casei há dois anos. Tenho dois filhos e ainda não pude trazê-os, porque eles estão estudando, e também pelas condições econômicas, que não são fáceis, mas eu queria que eles viéssem”, afirma.

    A médica conta ainda que, quando se inscreveu para participar do programa, passou por uma avaliação. “Nós fizemos uma prova, um exame de eficiência, tanto de idioma, quanto de medicina e alguns foram selecionados, outros não. Depois, cada um foi enviado para uma região, mas nós passamos por avaliação sim”, conta.

    Questionada pela reportagem sobre o fato de ter parte do salário recolhido pelo governo de Cuba, a médica diz que gostaria que fosse diferente, pois se sente explorada. “Eu não estou de acordo com a situação de não estar recebendo o salário integral. Aqui a situação é cara . Se você ver desse ponto de vista, nós fomos explorados, sim, mas eu quero continuar no programa e trabalhar como outros profissionais estrangeiros”, afirma. 

    Em Mato Grosso do Sul, 114 profissionais cubanos fazem parte do programa e devem ser afetados pela decisão do Governo de Cuba.

    SUBSTITUIÇÃO

    Ontem, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, disse que vai sugerir à equipe de transição, na próxima semana, substituir as vagas abertas com a partida dos cubanos, no programa Mais Médicos, por profissionais formados com recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo ele, o tema foi analisado por técnicos e deve ser agora debatido em nível político.

    “Uma das propostas que nós vamos apresentar é essa, como outras propostas que estamos trabalhando não só na questão do Programa Mais Médicos, mas também de outras questões do Ministério da Saúde”, disse Occhi ao participar da cerimônia de inauguração das instalações do Centro Especializado em Reabilitação (CER IV), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

    O ministro não detalhou a proposta que será apresentada à equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro. O Fies é um fundo de financiamento para estudantes de baixa renda. Um período depois de formados, os estudantes passam a pagar as mensalidades que foram financiadas. Os valores variam de acordo com a negociação prévia feita no momento da matrícula.

    O ministro disse ainda que até a próxima terça-feira (20) será lançado o edital para a contratação de médicos nas vagas que surgirem com o desligamento de profissionais cubanos. Eles devem ser substituídos por médicos brasileiros que tenham o número de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), obtido no Brasil e que possam fazer a opção de trabalhar no Programa Mais Médicos.

    “Em um segundo momento, depois de um determinado período, vamos abrir para os médicos brasileiros formados no exterior. Acreditamos que existe um universo de cerca de 15 a 20 mil médicos aptos a participar do edital e a nossa ideia é fazer isso imediatamente ainda agora em novembro nós já temos médicos que tenham condições já escolhendo seus lugares para trabalhar”, disse. (Agência Brasil)


    Fonte: CE
    Por: LUANA RODRIGUES



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