Campo Grande (MS),

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    30/01/2018

    CASO KAUAN| Na frente de juiz, professor nega estupros e esquartejamento do garoto

    Deivid Almeida Lopes prestou depoimento na 7ª Vara Criminal de Campo Grande e negou ter cometido estupros contra Kauan e outras 10 vítimas; testemunha manteve a acusação. 

    Deivid prestou depoimento nesta terça-feira ao juiz da 7ª Vara Criminal, negando todas as práticas criminosas a ele atribuídas. (Fotos: Saul Schramm)
    Após a tomada de depoimento de oito testemunhas no processo que apura o estupro, morte e esquartejamento de Kauan Andrade Soares dos Santos, 9, e de depoentes manterem a acusação contra o professor Deivid Almeida Lopes, o principal suspeito no episódio e denunciado em outros casos de violência sexual e corrupção de menores negou todos os crimes a ele atribuídos, os quais considerou resultado de “boatos”. Seu depoimento foi prestado na tarde desta terça-feira (30) na 7ª Vara Criminal de Campo Grande.

    Deivid foi levado do Instituto Penal, onde está preso, para o Fórum de Campo Grande, onde os depoimentos foram tomado em sessão fechada à imprensa. Ao todo, foram ouvidas oito pessoas durante o dia, três arroladas pela acusação e cinco pela defesa, inclusive por videoconferência –caso de um adolescente de 16 anos que está em outra cidade.

    Faria solicitou que testemunhas prestem novos depoimentos ao setor psicossocial do Fórum.
    Conforme o advogado Alexandre Farias, que defende o professor, um adolescente que estaria entre as últimas vítimas de Deivid e teria participado do crime manteve a versão de que Kauan foi esquartejado e jogado no rio Anhanduí. Com isso, entre os quatro menores supostamente envolvidos no episódio, dois teriam negado essa versão e dois mantido as acusações contra o suspeito.

    Depois das testemunhas, foi a vez de Deivid falar. Seu advogado afirmou que o professor não apenas negou ter abusado sexualmente e matado Kauan como ainda rejeitou as outras acusações de estupro de vulnerável e corrupção de menores. Dez crianças e adolescentes foram apresentadas como vítimas do professor.

    “Boatos”

    Deivid ainda atribuiu as suspeitas a “boatos” na região onde morava, na Coophavila II, atribuindo-lhe tais práticas criminosas. O advogado disse que, para seu cliente, tais comentários se tornaram a única linha de investigação da polícia, mantida até agora e causando tal rebuliço.

    Farias ainda explicou que, diante das diferenças nos depoimentos, foi solicitado que as 10 pessoas apontadas como vítimas sejam novamente ouvidas, agora pelo setor psicossocial do Fórum. Com o pedido, o prazo para conclusão do processo será prorrogado. O defensor sustenta haver algo errado nas oitivas até aqui e, por isso, quer esclarecer as falas das testemunhas.

    O advogado também sustenta a ausência de provas materiais para incriminar seu cliente. “Ninguém pode ser condenado por um crime tão hediondo sem provas materiais”, afirmou. Entre os pontos sob contestação, está a falta dos laudos que comprovariam que o sangue encontrado na casa e no carro de Deivid são de Kauan.

    Alexandre Farias afirmou, ainda, que durante a audiência foi cogitado o desmembramento das acusações envolvendo a morte de Kauan Andrade das demais peças da ação –o que poderia levar o caso para o Tribunal do Júri. Para o advogado, um processo nas atuais condições não seria aceito naquela instância

    Via assessoria, o juiz Marcelo Ivo de Oliveira confirmou que só encaminhará o final do processo, incluindo um possível desmembramento, depois de os laudos e as novas entrevistas serem anexados ao caso.

    Tragédia 

    Kauan Andrade Soares dos Santos teria sido violentado, morto e esquartejado após sair de sua casa em 25 de junho do ano passado na região do Jardim Colorado. Ele teria ido à casa de Deivid levado por um adolescente.

    Os relatos de adolescentes usados pela Polícia Civil para instruir as investigações versam sobre a presença de quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, nos quais se aponta que Kauan foi violentado antes e depois de morrer –o professor foi acusado de incentivar a prática de necrofilia antes de o corpo da criança ser esquartejado. Os restos mortais teriam sido jogados no rio Anhanduí, porém, não foram encontrados até hoje.

    Os garotos revelaram que também já foram estuprados pelo professor, recebendo valores entre R$ 5 e R$ 15 para praticarem sexo com o acusado.

    Em 13 de dezembro foi realizada a primeira tomada de depoimento de testemunhas no caso, envolvendo nove pessoas. Naquele momento, Alexandre Farias afirmou que dois adolescentes alegaram terem sido forçados pela polícia a contarem que mantiveram relações sexuais com o corpo de Kauan e foram forçados a assistirem ao esquartejamento.

    Fonte: campograndenews
    Por: Humberto Marques e Geisy Garnes


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