Continuação do Capítulo “Dialogar”.
Os vícios de linguagem correspondem aos desvios de construções gramaticais os quais ocorrem por descuido ou desconhecimento das normas da língua nos diferentes níveis linguísticos.
Solecismo é o desvio em relação à sintaxe,
cuja ocorrência em meio a pessoas detentoras de conhecimento gramatical expõe o
utente como pessoa despreparada. Solecismo pode ser:
De concordância, quando se
fexiona o verbo de forma incorreta. Exemplos:
A gente moramos naquele edifício.
A gente vamos de carro
Aluga-se salas.
Faltou muitos convidados.
Fazem três meses que...
Haviam pessoas de todas as classes na
reunião.
O pessoal já chegaram?
Precisa-se de balconistas.
Vende-se carros seminovos.
As formas corretas seriam:
A gente mora naquele
edifício. (Embora a expressão a gente tenha a conotação de nós, o verbo deve
ser utilizado no singular).
A gente vai de carro. (Nessa
frase, o verbo deve ser utilizado no singular).
Alugam-se salas. (Para indicar a disponibilidade do aluguel de mais de uma sala,
o verbo deve ser conjugado no plural).
Faltaram muitos convidados. (Para haver a
concordância, o verbo deve ser conjugado no plural).
Faz três meses que... (Quando o verbo fazer indicar tempo, deve ser conjugado
no singular, de forma impessoal, fazendo com que a oração fique sem sujeito).
Havia pessoas de todas as classes na reunião. (Os verbos impessoais (unipessoais) são empregados na
terceira pessoa do singular. Isso é o que ocorre com o verbo haver no sentido de existir, ocorrer,
acontecer, ou tempo decorrido).
O pessoal já chegou?
Precisam-se de balconistas. (Nesse caso, se houvesse uma vaga o verbo seria
conjugado no singular. Mais de uma vaga, requer o verbo no plural).
Vendem-se carros seminovos. (Para indicar a venda de mais de um produto, o verbo
deve ser flexionado no plural).
Observação:
Até os mais capacitados professores de gramática têm dúvidas quando
precisam empregar o verbo haver, considerando-se
as suas diferentes construções. Desta forma, não se pode afirmar que o verbo
“haver” só possa ser utilizado no singular, conforme veremos em seguida.
O verbo HAVER pode ser auxiliar,
como sinônimo de “ter” nos tempos compostos, quando deve ser utilizado no
plural. Exemplo:
Os diretores haviam permitido a venda dos livros na universidade.
Houveram do empresário a doação da
ambulância. (Nessa frase, como verbo pessoal, com sujeito, o verbo haver tem o sentido de “obter”).
Nós o havemos por o mais apto para o cargo. (Como sinônimo de
“considerar”, o verbo haver tem
sujeito, motivo pelo qual vai para o plural).
Os vereadores houveram-se com honestidade diante das ofertas de
propina. (Nessa frase, o verbo haver
é empregado na acepção de “comportar-se”, motivo pelo qual fica no plural).
Os policiais houveram-se muito bem nas revistas dos suspeitos. (Com
o sentido de “lidar”, o verbo haver
pode ser utilizado no plural).
Conforme observamos, quando o verbo haver
apresentar a acepção de “existir” e de “ocorrer”, bem como a indicação de tempo decorrido, permanecerá invariável.
Assim, pode-se grafar tranquilamente:
Cheguei há dois meses.
Meu bebê é uma linda menina que nasceu há duas semanas.
Daqui a três dias haverá
alterações nas regras.
Nesta lista não há
favoritos. (Não existem).
Houve vários acidentes ontem durante a queima de fogos.
(Aconteceram; ocorreram).
Imaginei que houvesse
mais recursos para o apoio aos idosos. (Existir).
Havia anos que não vinha a este lugar. (Tempo decorrido).
Continuação na próxima semana.
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